Paulo Navarro | terça, 12 de abril de 2022

Paraíso completo

Vocês acham que faltava um bom comércio, a céu aberto, na região do Belvedere? Seus problemas acabaram, bem-vindos a um canteiro de obras. Com a migração das grifes de luxo do bairro de Lourdes, percebemos importantes investimentos no bairro que tem uma marca registrada, a qualidade de vida. Estilo que deveria ser obrigatório em toda a cidade, não apenas para os ricos de BH e Nova Lima.

Jardim completo

Na esteira do centro comercial “Jardim Belvedere”, exitoso empreendimento de Ana, Ângela Gutierrez e Construtora Atrium (lojas de 100 m², vendidas a R$ 2.700 o m², alugadas por R$21 mil mensais), surgem outros investimentos a começar pelo da Construtora F2, que está sendo erguido em frente.

Cenário completo

A poucos metros da avenida Paulo Camilo Pena, rua Jornalista Djalma Andrade, Emílio Brandi nos brindará com o “Street Mall”, em 6.200 m², onde moravam oito casas, adquiridas em conjunto. Para tal, a construtora Eleven não perde tempo em limpar os restos da demolição e iniciar as obras de um shopping com 58 lojas/salas e garagem para 150 carros, tudo para 2023.

Panorama completo

O mesmo Brandi só lamenta a legislação municipal que proíbe a instalação de restaurante na área. Neste contexto e no coração do Belvedere, sabe-se que, em terreno vizinho, a construtora Concreto sonda a ampliação de sua área. Falando na gigante Concreto, da família Safar, ela também “finca barraca” na divisa do bairro com Nova Lima, próxima à rotatória em frente à rua Diciola Horta.

Beleza completa

Ali ela também apressa-se a levantar belo projeto de um centro comercial - vizinho do novo supermercado Verdemar - o maior e mais sofisticado, fechando a lacuna de insistente demanda. Sabe-se inclusive que, pensando num possível imbróglio no trânsito, o mesmo terá suas portas para a rua jornalista Djalma Andrade e não para a rua Severino Melo Jardim.

Esperança completa

Mobilidade urbana que exigirá, dos empreendimentos locais, uma contrapartida da prefeitura de Belo Horizonte. Mesmo porque, somando a estas demandas, a Construtora Caparaó constrói, para a família Menin, um Centro Comercial com 30 lojas. O local fica na divisa dos municípios Belo Horizonte/Nova Lima, o viaduto da antiga RFF.

Bagunça completa

Por outro lado, para terminar, confirmar e variar sobre o mesmo tema, uma penúltima lembrança ou lambança. Condôminos e visitantes de Alphaville estão indignados. Vão perder a vista panorâmica, a principal, da Lagoa dos Ingleses.  Graças à construção de enormes espigões na entrada do condomínio. Choram também o fechamento da pista de Cooper e ciclismo em torno da lagoa. Triste falta de horizonte.

Evely Vadconcellos, Jackie Verneuil, Alessandra Alvim, no café da manhã Fasano BrazilFoundation. Foto: arquivo Pessoal

No mesmo evento, Priscila Feitosa, Rejane de Paula, Stephanie Deburgras e Virginia Bartolomeo. Foto: arquivo Pessoal

Curtas & Finas

*Ainda sobre o viaduto da antiga RFF. Exatamente por ser uma divisa, durante muito tempo, o local era visto como “terra de ninguém”, logo, esquecido por qualquer infraestrutura.

Já e ainda em 1978, com “Sampa” – só baianos chamam São Paulo de Sampa – Caetano Veloso construiu os seguintes belos versos.

“...Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas. Da força da grana que ergue e destrói coisas belas. Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas...”.

A força da grana que esnoba o Centro de BH e mil outros bairros da capital, levanta mais que coisas belas entre BH e Nova Lima, instalou um estilo de vida bem Miami.

Belvedere e Vila da Serra são palco e monumentos erguidos para o espetáculo de uma vida mais saudável e bonita.

As pessoas fazem caminhadas e praticam vários esportes; andam de roupas de ginástica/academia.

Com amigos, vizinhos ou simples conhecidos, frequentam bares, academias, eventos esportivos, praças. 

É o dinheiro novo, sempre e de novo. Gente bonita e mais jovem, prédios bacanas e espaçados uns dos outros, com infra de primeiro mundo.

Ilha da Fantasia ou gueto de luxo? Piscina em favela ou uma nova cidade dentro de outra que nem teve tempo de envelhecer e já foi abandonada?

Uma pena que tanto dinheiro, tanta criatividade, energia, vontade e vocação sejam aplicados em apenas uma pequena área da Grande BH. E repetimos: desde que com mobilidade, claro!

Com boa vontade e ousadia, nossa cidade - “a vida inteira que podia ter sido e que não foi” - seria outra.

Seria até mesmo o que já foi, uma Cidade Jardim. Enquanto isso, repetimos um velho mantra, uma maldição sobre a infraestrutura: BH, em vez de ser um canteiro de obras, faz obras em canteiros.

*E para quem quiser esquecer ou fugir desta peculiar e pitoresca Belo Horizonte, ótima notícia!

Hoje, às 10h, no Ponteio Lar Shopping, inauguração do Posto de Emissão de Passaportes da Polícia Federal.