Paulo Navarro | segunda, 11 de julho de 2022
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Entrevista com o engenheiro Sérgio Menin. Foto: Arquivo Pessoal
O Menir do Menin
Claro que menir tinha a ver com Menin. Se o melhor amigo de Asterix, o Obelix, vivia carregando um enorme menir; a “praia” do bisavô de Sérgio Menin era pedra bem mais nobre, o mármore, de Carrara, na Itália. Se procurarmos bem, acharemos um Menin na construção das Pirâmides do Egito! Brincadeiras à parte, nosso entrevistado de hoje é neto, filho, irmão e pai de engenheiros e engenheiras. Sérgio tem convicções políticas liberais na economia e conservadoras nos costumes. Ah! Esta entrevista foi baseada e “inspirada” em outra - que merece ser vista na íntegra - no ótimo canal, “Eu me Posiciono”, de Mauro Colen, no Youtube.
Sérgio; comecemos com uma provocação. O “casebre” do seu bisavô italiano, em Sabará, está caindo. Casa de ferreiro, espeto de barro?
É de fato uma casinha muito humilde, de telha vã, com apenas quarto e cozinha e que dificilmente sobreviverá à outra estação chuvosa. Provavelmente será demolida pelo proprietário para dar lugar à outra construção. Ela já sobreviveu galhardamente por mais de um século e cumpriu sua função na História.
Apresente-se aos leitores. Engenheiro por tradição, formação e vocação. E hoje? Continua?
Sim. Nasci em uma família de engenheiros, uma tradição iniciada pelo meu avô paterno, continuada por meus pais, Geraldo e Maura e estendida a mim, minha irmã, Ângela, meu irmão, Rubens e a três dos meus filhos, Eduardo, Fabiana e Sérgio. No meu caso, tradição e vocação. Sempre gostei muito da Engenharia e a ela dediquei toda minha vida profissional, na especialidade da Hidrologia e Hidráulica Pesada. Tecnicamente estou aposentado. Mas não consigo me afastar totalmente. Quase sempre volto, atendendo demandas de consultoria ou assessoramento.
E o Cidadão Menin? Como vê o Brasil?
Sempre como um país excepcional, com potencialidades incríveis. Nunca passou pela minha cabeça sair daqui. Tenho uma enorme satisfação de ter, aqui, meus cinco filhos, genros, noras e onze netos. Somos uma família enraizada. Mas fico exasperado quando vejo o país desperdiçar suas chances ou deixar de bem aproveitar as oportunidades de desenvolvimento e todo o potencial de prosperidade. Dá uma enorme tristeza ver a sucessão de décadas perdidas e acumuladas.
Não podemos falar de política, por causa da Lei Eleitoral. Mas podemos usar metáforas do cinema. 2022! “Nunca Fomos Tão Felizes” ou “O Ano em que Vivemos em Perigo”?
O país vive um momento crucial, não apenas por conta das eleições, mas também por outras decisões que precisamos tomar com empenho e sabedoria. Precisamos ter juízo nessas decisões. É o nosso futuro que está em jogo. Não podemos nos dar o luxo de desperdiçar mais nada. Não temos fôlego para acumular outras décadas perdidas.
Uma metáfora com a música “Saudade dos Aviões da Panair”. Você tem saudade? De que? Das grandes obras em infraestrutura?
Ponto importante: a infraestrutura. Deixamos que se acumulasse um enorme déficit nesse setor. Precisamos recuperar o tempo perdido sob pena de fecharmos definitivamente as portas da prosperidade nacional. Voltamos ao ponto de olhar pra frente e nos assustarmos com o tamanho do desafio. Temos um país inteiro para construir. E não estou me referindo apenas aos empreendimentos nos setores de transporte, comunicação, energia e outros, diretamente ligados à infraestrutura nacional.
O que mais?
Setores e atividades absolutamente necessários para garantir conforto e segurança, nos níveis próprios do país desenvolvido que merecemos ser. A diminuição do déficit habitacional é apenas um desses aspectos. Temos muitos outros, como a recuperação substancial do sistema de ensino. Temos que arregaçar as mangas. Se tivesse que sintetizar todas as nossas necessidades e desejos imediatos: prosperidade, com segurança e liberdade.
Por falar em obra, qual nossa maior urgência em reformas?
Precisamos de muitas, algumas inadiáveis. A mais urgente vem sendo equivocadamente chamada de “Reforma Administrativa”. O nome correto seria “Reforma do Estado”. Não podemos continuar desperdiçando os recursos nacionais na manutenção dessa onívora, ineficiente e dispendiosa máquina pública. Essa seria a primeira e a maior das prioridades.
Tom Jobim dizia que, “no Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. Minas e o Brasil são alérgicos à prosperidade e ao progresso com ordem e segurança?
Infelizmente o Maestro tinha razão. Mas precisamos mudar esse viés cultural. O sucesso e a prosperidade devem ser sempre os objetivos, do indivíduo, ao conjunto da sociedade.
“Algo deve mudar para que tudo continue como está”?
Mudar muita coisa, mas não para deixarmos tudo como está. Esse seria um péssimo e enganoso objetivo. Temos que mudar pra valer. Incluindo as nossas aspirações e desejos, como um povo que quer e merece prosperar, alcançando níveis crescentes de conforto, segurança e felicidade.
O “Brasil, País do Futuro” que nunca chega?
O Brasil pode e merece ter um futuro grandioso. Se vamos chegar lá e quando, depende exclusivamente de nós mesmos. Depende das escolhas e opções que fizermos. Umas podem trazer o futuro para mais próximo de nós. Outras podem afastá-lo definitivamente. Por isso eu disse antes, que temos que ter juízo e sabedoria.








