Domingo, 19 de julho de 2026

A diretoria do Jornal MG Turismo - representada por seu presidente Antônio Claret Guerra e Suely Guerra - que, amanhã, será a anfitriã da solenidade pelos 42 anos do veículo de comunicação e da entrega do “51º Troféu Palma de Ouro Brasil”, no Palácio das Artes. Foto: Divulgação/MG Turismo

Minas Mundiais

Para começo de conversa e bem didaticamente, “Patrimônio Mundial da Unesco é um local, monumento ou área geográfica (sítio) considerado de valor universal excepcional para a humanidade. Esses locais possuem importância histórica, cultural, científica ou natural tão singular que precisam ser preservados e protegidos para as gerações futuras”.

Pampulha Mundial

Há 10 anos o conjunto arquitetônico da Pampulha conquistou este título. Por que? Ora bolas, é um projeto visionário e moderno, emoldurando enorme lagoa artificial, nascido na provinciana e jovem Belo Horizonte de 1940. Ou seja, Juscelino Kubitscheck prefeito! JK convocando, para a missão, gente do naipe de Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Roberto Burle Marx. Precisaria de mais? Não, obrigado.

Pampulha Moderna

Voilà! Assim, a Prefeitura de Belo Horizonte deu a largada no “Viva Pampulha – 10 Anos de Patrimônio Mundial”, evento que celebra a entrada do Conjunto Moderno da Pampulha na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Parabéns, mas como escreveu aqui em O TEMPO, o maior responsável pela honra, o secretário de Estado de Cultura e Turismo de MG, Leônidas Oliveira, “cabe mais”.

Pampulha Eterna

O idealizador do projeto levado a Unesco, Leônidas Oliveira, que também é arquiteto, urbanista, filósofo, professor, lembrou e cobrou: “Belo Horizonte tem um Patrimônio Cultural da Humanidade, mas ainda parece não saber plenamente o que fazer com ele. Quando nos aproximamos dos dez anos do reconhecimento da Pampulha pela Unesco, a constatação é incômoda”.

Pampulha Infinita

“O título existe nos documentos, nos registros internacionais e na história da arquitetura mundial, mas ainda não aparece com a força que deveria nas ruas, na sinalização, nos roteiros, nas campanhas, nas escolas, nos mapas e na vida cotidiana da cidade. Belo Horizonte ainda não dispõe de uma sinalização urbana forte, clara e digna dizendo ao morador e ao visitante que ele está entrando em um território reconhecido pela humanidade”.

Infinita e Rara

“Não é preciso ir longe para entender a importância disso. Em Ouro Preto, no trevo de chegada, a cidade se apresenta como Patrimônio Mundial. Em Diamantina, também se vê a presença do título como parte da identidade pública da cidade. O visitante não precisa adivinhar; a cidade lhe diz isso. Nos lugares onde há título mundial, há quase sempre uma batalha permanente de apropriação”.

Rara e Viva

“Comunidades, gestores, instituições culturais, guias, educadores, empresários, universidades e moradores disputam, atualizam e defendem o significado daquele reconhecimento. Patrimônio Mundial não é ponto de chegada. É convocação permanente para conservar, interpretar, educar, promover e fazer daquele bem uma experiência viva. É justamente isso que ainda falta à Pampulha”.

Viva e Frágil

Agora, em outras e nossas palavras, falta tratarmos um Patrimônio Mundial da Unesco como um Patrimônio Mundial da Unesco. Dizem as “más línguas de Matilde” que o cartão-postal recebe trilhões de litros, oceanos de esgoto. Sonhamos ver nosso querido prefeito, de sunga, jogar-se nas águas limpas da lagoa! E aquele “barquinho” que inventaram para ser um tipo de “Bateau Mouche IV”? Parece uma tábua de bater bife. No mínimo, é risível poluição visual.

Frágil e Forte

E nem vamos provocar aqui com a verticalização da Pampulha, que teria como exemplo o entorno da linda, viva, útil, charmosa e frequentada “Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões-postais mais icônicos do Rio de Janeiro. Com um perímetro de aproximadamente 7,8 km, ponto perfeito para andar de bicicleta, caminhar ou fazer um piquenique com vista para o Cristo Redentor e os morros cariocas”.

Forte e Rica

Melhor voltarmos à elegância de Leônidas Oliveira que já morou na Espanha: “Na Espanha, usa-se a precisa expressão “puesta en valor”. Não se trata apenas de conservar um bem. Trata-se de colocá-lo em valor: interpretá-lo, promovê-lo, sinalizá-lo, explicá-lo, integrá-lo ao turismo, à educação, à economia criativa e ao cotidiano da população.


No "31º Prêmio Top Of Mind" da Revista MercadoComum, no Minas Tênis Clube, Danielle e Carlos Alberto Teixeira de Oliveira. Foto: Edy Fernandes


Na mesma premiação, "Top Of Mind", o encontro memorável entre Ricardo Guedes, Adolpho Resende e Helinho Faria. Foto: Edy Fernandes

Curtas & Finas

“Talvez Belo Horizonte ainda não tenha compreendido que sua maior força turística é cultural”.

“Mesmo no turismo de negócios, o que torna a experiência da capital mais marcante são seus bares, restaurantes, cozinha”.

“Espetáculos, museus, mercados, música, arquitetura, hospitalidade e modos de convivência”.

“Dissociar cultura e turismo é um dos grandes entraves para compreender a potência da cidade”.

“O mundo já reconheceu a Pampulha. Belo Horizonte não precisa apenas conservá-la. Precisa assumi-la”.

“Assumir a Pampulha significa sinalizar, narrar, educar, conservar, celebrar e integrar cultura e turismo em uma política permanente de cidade”.

“Ter um Patrimônio Cultural da Humanidade é uma honra, mas, acima de tudo, é uma responsabilidade civilizatória”.

Recomendamos a leitura na íntegra: “Pampulha: dez anos do patrimônio mundial que Belo Horizonte ainda não assumiu”. Publicado aqui, em O TEMPO, dia 13.

*Parabéns com quatro dias de atraso, à linda jornalista Ana Luíza Faria, que comemorou a “NovIdade”, no Giardino Bar, dia 15, em Lourdes.

*Antônio Claret Guerra, presidente do Jornal MG Turismo, tem “O” convite a fazer.

Convite para entrega do “51º Troféu Personalidades, Organizações e Empresas Influentes do Brasil 2026, Prêmio Especial: Palma de Ouro”.

Amanhã, às 19h30, no Palácio das Artes, com exposição de arte e apresentação da Orquestra Sinfônica do Colégio Batista.