Paulo Navarro | Entrevista com Telo Borges
Entrevista com Telo Borges. Foto: Cristiano Quintino
TeLô Borges
A ruim e a péssima sabemos de onde vêm, mas, e a boa música, nasce como, de onde; para onde vai e é bom lá? Em nossa santa ignorância viajando pelo maravilhoso mundo da maionese, acreditamos que a música eterna, a melodia perfeita, fica pairando no ar e é do primeiro gênio que capta as notas, junta tudo e cria obras eternas. Na verdade, parece mais simples – e complicado – que isso. Por exemplo, para nosso entrevistado de hoje, Telo Borges, a grande arte é uma “junção de temas”. Como é modesto! E Telo não falava de uma canção bonita qualquer, mas de “Vento de Maio”, com letra de seu irmão, Márcio Borges, um dos “poetas” do Clube da Esquina – o melhor e último representante da MPB. Por falar nisso, que família é essa, heim! Uma usina de talentos. A começar pelo mesmo Márcio, passando por Marilton, Nico, Yé, Solange e, claro, o imortal Lô Borges, de quem Minas e o Brasil são órfãos desde o triste e, literalmente finado, 2 de novembro de 2025. Para provar e comprovar tudo isso, dia 31 de março, às 20h30, no Palácio das Artes, acontece o espetáculo/show “KLUB – O Clube da Esquina por Telo Borges, Banda e Cordas”. A apresentação marca a gravação de DVD do projeto e reúne vários “associados” do Clube da Esquina, além de convidados da cena musical mineira e brasileira. Bom, chegou de repente o fim da viagem, agora já não dá mais pra voltar. Continuem com o Telo e, quem sabe alguém descobre como se faz música com águas de março, ventos de maio, flores de abril, sol de primavera, céu azul, morros, rios, chuva, temporais, relâmpagos elétricos, fragmentos de luz, estradas de terra e de ferro, asfalto de Belo Horizonte, girassóis, beijos partidos, voo de andorinha, ninho de passarinho, tênis velho, sapato coberto de barro e até um pastel chinês.
Telo, teu nome e teu apelido são uma rima ou apenas uma coincidência com o livro “Marcelo, Marmelo, Martelo”, de Ruth Rocha?
Quando bem pequeno, comecei a falar, perguntavam meu nome e eu respondia: “Machelo”, “Matelo” daí o apelido desde a mais tenra infância.
É difícil ou leve ser sócio do Clube da Esquina com este sobrenome tão Borges?
Super tranquilo! Pois tudo que acontece de forma natural é leve.
Talento não se inventa. Daí você ter um Grammy Latino, com “Tristesse” e Milton Nascimento?
É uma super alegria ser o único parceiro do Bituca a ter ganho um Grammy de compositor com ele. Benção de Deus!
“Milagre dos Peixes”, do mesmo Milton, foi milagre, oportunidade, sorte ou destino?
Acho que a vida já é um milagre e estar menino no estúdio gravando com um artista até então meio desconhecido e que viria ser o Milton Nascimento é puro presente de Deus!
Se você conseguir, se tiver explicação, consegue explicar como você criou um “hino” chamado “Vento de Maio”?
“Vento de Maio” foi fruto de uma junção de dois temas que compus no violão e que faziam parte da trilha de uma peça infantil “Flicts”, do Ziraldo. Eu não soltava o violão por nada nessa época (dos 16 aos 20 anos) e foi também consequência dessa compulsão de tocar e compor sem parar.
Teu grande “cúmplice” é o irmão e Midas, Márcio Borges?
Certamente o Marcinho é o cara que mais me conhece e escreve exatamente o que eu gosto em cima das minhas melodias e também o mais frequente parceiro.
Como vê a música feita hoje, em Minas e no Brasil, depois do Samba, da Bossa Nova e do Clube da Esquina, as maiores fábricas de belezas e de clássicos?
A cultura, mais especialmente a música, vive uma época em que a produção descartável (a música que não deixa e nem provoca você a pensar) é a maior parte da produção atual. Mas existem também, em menor número, aqueles que remam contra a maré e coisas boas. Prefiro não citar nomes pra não me esquecer de ninguém e depois ser mal interpretado (também uma moda de hoje).
Voltemos ao mesmo hoje, com o show e gravação do DVD, “KLUB – O Clube da Esquina por Telo Borges, Banda e Cordas”, no próximo dia 31, no Palácio das Artes! Como será o “Klub”? Com velhos e novos sócios?
O KLUB são dez sínteses de 30 de algumas das maiores canções do Clube da Esquina, em um show bem teatralizado, com participações de grandes nomes da música mineira como Beto Guedes, Rogério Flausino, Saulo Laranjeira, dentre outros.
Agora, hora do teu convite direto às idolatradas leitoras e caros leitores, para entrar neste “KLUB”!
Fica aqui o meu convite pra que todos prestigiem essa festa da música mineira.
Continua compondo? Vêm outras coisas boas ainda em 2026?
Continuo compondo e tem inéditas minhas com o Lô vindo por aí. Abração e obrigado!










