Paulo Navarro | Entrevista com Paty Barbosa
Entrevista com Paty Barbosa. Foto: Marcus França
A Mulher Vitruviana
Paty Barbosa é advogada, designer de moda, ativista, escritora e estrategista de negócios criativos. Há mais de 20 anos habita e viaja pelos planetas do Direito, da moda, sustentabilidade e economia criativa, casando pensamento crítico, estética e impacto social. Assim como dois carinhos de procuram, na poesia de Carlos Drummond de Andrade, Paty é especialista em Criminologia pela PUC/MG e Fashion Law (Fordham University NYC e Faculdade Santa Marcelina). Teve atuação internacional em países como Dubai, Indonésia e Iraque, além de ter sido diretora criativa de marcas reconhecidas no Minas Trend por sua abordagem sustentável. Professora convidada em fortes instituições, é autora de mais de 40 artigos, coordenadora do livro “Manas à Obra” e fundadora de iniciativas como ModaOn Social, Moda que Fala e Indie Lab, que vocês conhecerão a seguir. Paty acaba de lançar o livro, “Retalhos de uma Permanência” e como ela se reconhece mais quando escreve do que em frente ao espelho, aqui está ela, “entre memórias, deslocamentos, revoltas silenciosas e epifanias que nascem do cansaço; como lâmina e colo. Onde os fracos têm vez e voz, onde fracasso vira linguagem, ódio vira motor criativo, ancestralidade vira bússola e vulnerabilidade vira estratégia de sobrevivência. Não esperem respostas fáceis, nem conforto, mas consciência, aquele negócio, aquele trem, aquela coisa que deixa ninguém igual. No Instagram, ela está em @patybarboss. Na entrevista, basta abrir um Champagne e ler a seguir.
ps: Notícia de última hora. Paty vai participar da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP, a original, a pioneira, a de verdade. Dia 24, das 18h às 21h, na Casa Escreva, Garota! Claro, sobre seu livro “Retalhos de uma Permanência”.
Paty, você, profissionalmente, é uma mulher múltipla? Que profissão você registra num check-in de hotel?
Sou múltipla, mas guiada por um mesmo propósito. Sou advogada e designer de moda. Mas, acima de tudo, sou estrategista nas duas áreas. Meu trabalho conecta Direito, negócios, sustentabilidade e economia criativa, universo no qual a moda está inserida.
Na esteira da primeira pergunta: como você concilia tudo? Adepta do famoso “tempo a gente faz”?
Mais do que fazer tempo, acredito em fazer boas escolhas. Prioridade e propósito organizam a agenda melhor do que qualquer método.
O que você chama de ativista? Ativista pelo quê?
Fui ativista do movimento Fashion Revolution desde o seu surgimento, atuando em países como Emirados Árabes Unidos, França, Indonésia e Brasil. Hoje, continuo essa missão como Diretora de Acesso a Mercados Internacionais para a Economia Criativa da ALAMPYME Brasil. Trabalho pela transformação da moda e dos negócios criativos por meio de práticas mais éticas, sustentáveis, inclusivas e socialmente responsáveis.
Advogada em que área?
Sou criminóloga e civilista. Em 2017, especializei-me em Direito da Moda e, atualmente, atuo principalmente com Direito Empresarial, Fashion Law, contratos e estratégia jurídica para negócios criativos.
Exatamente! E nos negócios, na economia criativa?
Auxilio marcas, empreendedores e instituições a crescerem de forma sustentável, estruturando posicionamento, governança, inovação e estratégias de mercado.
Onde mora a interseção de todas as atividades, além do talento? Prazer?
Na curiosidade. Gosto de conectar pessoas, ideias e diferentes áreas do conhecimento para gerar impacto positivo.
Viaja muito pelo mundo e mesmo sem sair de casa?
Sim. Já morei em diferentes países e continuo viajando a trabalho sempre que possível. Mas também atravesso fronteiras sem sair de casa. Todas as noites, antes de dormir, viajo pelas páginas dos livros. Talvez essa seja uma das viagens mais transformadoras que conheço.
Pelo lado escritora, interessa-nos “Retalhos de uma Permanência”. É o novo ou o primeiro livro?
Colaborei com diversas obras jurídicas, mas este é meu primeiro livro individual no campo da literatura. Ele representa uma fase mais madura da minha escrita e da minha forma de enxergar o mundo.
O título é bonito, mas misterioso. Do que se trata?
É um ensaio autobiográfico. Uma reflexão sobre memória, identidade, permanência e as marcas que o tempo deixa em nós, atravessando temas como gênero, raça, equidade, empreendedorismo feminino, pertencimento e amor-próprio. Faço questão de dizer que não é um livro de autoajuda. É um livro de experiências, de encontros e de perguntas.
Um encontro marcado entre experiência e consciência?
Exatamente. É um convite para olhar o mundo e a si mesmo com mais profundidade.
Outro livro a caminho?
Sempre há novas ideias em construção. Escrever faz parte da minha forma de pensar e compartilhar conhecimento. O livro se inicia com uma frase da escritora Liana Ferraz que me acompanha há muito tempo: “Me reconheço mais quando escrevo do que quando me olho no espelho”. Além disso, tenho um novo livro jurídico previsto para o início de 2027.
Enquanto isso, o que são ModaOn Social, Moda que Fala e Indie Lab?
São projetos que unem educação, inovação, moda, sustentabilidade e desenvolvimento de negócios com propósito. A Indie Lab é um laboratório de soluções estratégicas para negócios criativos, com uma metodologia desenvolvida e validada ao longo dos anos. Atuamos em diferentes segmentos da economia criativa, conectando conhecimento, estratégia e impacto.
O que espera de 2027? E de 2028?
Espero consolidar projetos que gerem impacto real, ampliar parcerias internacionais e continuar construindo pontes entre criatividade, Direito e transformação social. Mais do que crescer, desejo contribuir para que outras pessoas e organizações cresçam comigo.










