Paulo Navarro | Entrevista com Patrícia Nogueira
Entrevista com Patrícia Nogueira. Foto: Luana El Bizri
Água mole em...
Bom dia, idolatradas e queridos! De curiosidade, consultamos a introdução da primeira entrevista que fizemos com Patrícia Nogueira, há mais de três anos, exatamente, dia 6 de fevereiro de 2023. Impressionante! Infelizmente o Brasil, em vez de evoluir, piorou muito. O texto continua atual e quase profético, com as eleições chegando. Leiam; please: “Comer e mastigar de “boca aberta”; falar de “boca cheia”. Não dar bom dia, nem se despedir. Chegar atrasado, tratar mal os mais humildes. Falar alto, gritar, jogar lixo no chão; tudo isso é falta de educação. Falar e escrever errado; pensar e votar errado. Viver da opinião alheia, deixar-se cooptar e agir com a “cabeça dos outros”; defender e apoiar a corrupção; tudo isso é falta de Educação. Já ensinou o escritor Monteiro Lobato que, “um país se faz com homens e livros”. Um país, uma vida, se faz com homens, mulheres e livros. Mulheres, homens e livros livres. Pensamentos livres. Povo educado lê, aprende, ensina, dá exemplo e, dificilmente é dominado, corrompido, conduzido como gado para todo tipo de matadouro, a começar pelas urnas. Pois bem, nossa entrevistada de hoje é Patrícia Nogueira que, muito cedo aprendeu: ser é melhor que ter. Que pequenas ações movem e mudam o mundo. Que o analfabetismo é fatal e destino. E principalmente, que a leitura na infância é fundamental. Mas a “biblioteca” de Patrícia vai muito além. Bem vindos ao seu mundo”. Hoje, a presidente do Instituto Gil Nogueira, Patrícia Nogueira (filha do empresário que deu nome à instituição que completa 20 anos e atua na formação de leitores e no combate ao analfabetismo funcional) comemora, com o recente lançamento do livro infantil “As páginas de Livrinho”, de Leonardo Dicker. E só para registrar: o analfabeto funcional, em todas as classes, também vota e seu voto vale tanto quanto o nosso. Boa leitura e ótima eleição!
Patrícia, quem é/foi Gil Nogueira?
Meu pai, Gil Nogueira, que nos deixou no ano 2000, foi um empresário do ramo supermercadista, mas que acima de tudo viveu para os outros. Seu maior legado foi o da responsabilidade social.
Quem é Patrícia Nogueira?
Psicóloga pós-graduada em Recursos Humanos e, hoje, empreendedora social.
O que é o Instituto Gil Nogueira?
Após a morte do meu pai, decidimos escrever um livro sobre a vida dele. Foi durante esse processo que descobrimos a verdadeira dimensão de sua generosidade: histórias que nós desconhecíamos, inúmeras ações sociais e tantas vidas que ele ajudou a transformar. Foi aí que resolvemos fundar o Instituto Gil Nogueira, dando continuidade ao legado dele. Nossa missão é reduzir o analfabetismo funcional por meio do incentivo à leitura em escolas da rede pública de ensino.
Instituto que completa 20 anos já?
Sim, iniciamos o projeto “Ler é Viver” em 2007, em duas escolas públicas de Belo Horizonte, atendendo cerca de 400 crianças. Nesses 20 anos, foram atendidos quase 145 mil alunos, 1.648.449 livros lidos e interpretados em mais de 100 escolas de 40 cidades de Minas. Quando iniciamos esse trabalho, jamais imaginei que alcançaríamos tantas crianças. Foram anos de desafio, especialmente por se tratar de uma organização do terceiro setor, mas seguimos adiante porque acreditamos profundamente na causa. Tenho certeza de que estamos transformando vidas e espero poder continuar contribuindo enquanto tiver saúde e disposição.
Temos comemorações em 2026?
Sim, muitas! Uma delas é a realização de um sonho antigo: o lançamento do nosso livro infantil “As páginas de LIVRINHO”, escrito por Leonardo Dicker com ilustrações de Luís Portilho. Sempre sonhamos em ter um produto coerente com o nosso propósito, cuja renda fosse integralmente destinada ao projeto “Ler é Viver”. Nada melhor que um livro infantil, não é!
Vocês combatem o analfabetismo funcional! Para quem não sabe; o que é?
O analfabeto funcional reconhece letras e palavras, mas tem muita dificuldade para interpretar textos e fazer contas básicas. Infelizmente, no Brasil ainda temos 60% da população de analfabetos funcionais. Imagine o que isso significa no cotidiano das pessoas! Não conseguir fazer cálculos, entender um contrato, ler bula de remédios, notícias, sem falar dos livros, jornais e revistas… A leitura transforma a vida das pessoas. Costumo comparar o analfabetismo funcional a alguém com problemas de visão que ainda não usa óculos. Quando a criança aprende a ler e, principalmente, a compreender o que lê, ela passa a enxergar o mundo de outra forma. É isso que buscamos proporcionar: novas possibilidades, pensamento crítico e oportunidades para o futuro.
Como combatem esta chaga?
Criamos uma metodologia própria de incentivo à leitura. Levamos livros de literatura infantil para cada sala de aula das escolas atendidas; contadores de história. E também nós avaliamos e distribuímos medalhas de ouro, prata e bronze de acordo com o desempenho individual dos alunos. Tudo isso sem competição e, sim, com meritocracia. Aliás, qualquer pessoa interessada pode fazer parte deste nosso movimento de combate ao analfabetismo infantil. Aqui, no Instituto Gil Nogueira, incentivamos o apadrinhamento de uma ou mais crianças, por meio de colaborações mensais.
Uma das armas é “As páginas de Livrinho”?
Sim, com certeza! Este livro já faz parte do acervo que usamos nas escolas públicas. Além disso, já está à venda em algumas livrarias físicas e na Amazon. É importante destacar que o livro foi produzido de forma totalmente voluntária. Tanto Leonardo Dicker, responsável pelo texto, quanto o ilustrador Luis Portilho cederam o trabalho e os direitos autorais para apoiar a iniciativa social. Eles são grandes parceiros do Instituto.
Como foi o lançamento, em agosto?
Foi excelente! Tivemos dois momentos de celebração e conexão com público, amigos e parceiros do Instituto: um na livraria Leitura do BH Shopping e outro na Livraria da Rua, na Savassi. O enredo é muito interessante e emocionante. Os pais também estão adorando, pois o livro os ajuda a trabalhar sentimentos muito presentes na vida das crianças como medo, confiança, superação e autoestima. E um dos personagens é uma homenagem ao Gil Nogueira.
“Ler é Viver” e também um passaporte para a dignidade e a cidadania?
Com certeza, a leitura abre caminhos, amplia horizontes e traz reais oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Enquanto a média nacional de leitura permanece baixa, alunos que participam do projeto chegam a ler entre 10 e 12 livros por ano. No Instituto, temos uma frase que resume tudo: quando uma criança lê, um futuro inteiro muda!








