Paulo Navarro | Entrevista com Patrícia Fernandes
Entrevista com Patrícia Fernandes Foto: Arquivo Pessoal
Raios XYZ
Lição do dia: “O Diagnóstico por Imagem nasceu com a descoberta dos raios X, em 8 de novembro de 1895, pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen. Ele percebeu uma radiação invisível capaz de atravessar o corpo, permitindo visualizar ossos e órgãos sem cirurgia, o que lhe rendeu o primeiro Prêmio Nobel de Física em 1901”. 131 anos depois da descoberta, eis Patrícia Fernandes, médica radiologista, com quase 20 anos atuando em Diagnóstico por Imagem. Hoje, com rotina pesada e brilhante, ela está na Axial, do Grupo Alliança Clínica de Medicina Diagnóstica, no Biocor, da Rede D'Or, e no CDI, em BH. Seu lema, digamos, é unir os exames de imagem à prática clínica. Natural e compreensivelmente, Patrícia Fernandes percebeu e agiu sobre uma realidade frequente: muitos médicos se sentiam inseguros na interpretação dos exames e na elaboração dos laudos. Nascia a “professora e mentora” em ultrassonografia e ressonância magnética. O objetivo alcançado foi casar teoria e prática. Sempre aprendendo, acompanhando e adotando tecnologia de ponta, a médica faz um diagnóstico e nos dá uma imagem clara: “Hoje divido minha rotina entre a assistência médica, a interpretação de exames e a formação de novos profissionais. Acredito que o conhecimento tem um efeito multiplicador: depois de anos ajudando pacientes por meio dos diagnósticos, percebi que poderia ampliar esse impacto ajudando também a formar médicos mais seguros, preparados e confiantes em sua atuação”.
Patrícia, por favor, uma breve apresentação da Dra. Fernandes.
Sou Patrícia Paulina Borges Fernandes, médica radiologista, com atuação em Diagnóstico por Imagem há 18 anos. Sou especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem, com atuação principalmente em Ressonância Magnética e Ultrassonografia. Atualmente atuo na Axial, do Grupo Alliança Clínica de Medicina Diagnóstica, no Biocor, da Rede D'Or, e no CDI, em Belo Horizonte. Também sou professora da pós-graduação em Radiologia da Afya.
Tem uma área em especial?
Minha principal área de atuação é a Radiologia Musculoesquelética, especialmente em Ressonância Magnética e Ultrassonografia, integrando conhecimento técnico, experiência e raciocínio clínico para contribuir com diagnósticos mais precisos e auxiliar nas decisões terapêuticas.
Só como curiosidade, o que quer dizer, Axial?
O nome Axial faz referência ao plano axial, um dos principais planos anatômicos utilizados na Radiologia para a obtenção e interpretação das imagens. É um termo bastante familiar para quem trabalha com diagnóstico por imagem e representa um dos fundamentos da nossa especialidade.
Grupo Alliança...
A Axialfaz parte do Grupo Alliança Clínica de Medicina Diagnóstica, um dos maiores grupos de diagnóstico por imagem do país. É uma instituição que reúne tecnologia, equipe médica especializada e um amplo portfólio de exames, oferecendo suporte diagnóstico em diversas áreas da Medicina.
Tão jovem e já com 18 anos de Diagnóstico por Imagem?
A Medicina é uma profissão de aprendizado contínuo. Ao longo desses 18 anos acompanhei uma transformação enorme da Radiologia. Os equipamentos evoluíram, a qualidade das imagens aumentou significativamente e hoje conseguimos identificar alterações cada vez menores e mais precoces. Apesar da experiência acumulada, continuo aprendendo todos os dias. Cada paciente traz um desafio diferente e a evolução da tecnologia exige atualização permanente.
O que as imagens diagnosticam?
Os exames de imagem auxiliam no diagnóstico de uma enorme variedade de doenças. Permitem identificar lesões, inflamações, tumores, alterações degenerativas, malformações e acompanhar a resposta aos tratamentos. Mas o exame de imagem, por si só, não fecha um diagnóstico. O papel do radiologista é interpretar os achados dentro do contexto clínico do paciente, fornecendo informações que ajudem o médico assistente a definir a melhor conduta.
Uma tecnologia sempre avançando?
Sem dúvida. A Radiologia está entre as especialidades que mais evoluíram nas últimas décadas. Hoje contamos com equipamentos mais modernos, imagens com excelente resolução e ferramentas de inteligência artificial que auxiliam o trabalho médico. Mas a tecnologia é uma ferramenta. Ela fornece cada vez mais informações, porém a interpretação dessas informações continua dependendo da experiência e do raciocínio do médico.
Em que área você mais atua e é especialista?
Minha principal área de atuação é a Radiologia Musculoesquelética, especialmente a Ressonância Magnética e a Ultrassonografia. Avalio doenças e lesões que acometem músculos, tendões, ligamentos, nervos periféricos e articulações, desde lesões esportivas até doenças degenerativas e inflamatórias. É uma área em que a integração entre imagem, história clínica e exame físico faz toda a diferença para um diagnóstico preciso.
O que chama de educação médica e qual a importância dela?
A Medicina evolui rapidamente e a atualização faz parte da rotina de qualquer médico. A educação médica é uma forma de compartilhar conhecimento e experiência para que mais profissionais possam interpretar exames com segurança e oferecer um atendimento cada vez melhor aos seus pacientes. Além da atuação como professora na pós-graduação em Radiologia da Afya, realizo mentorias para médicos e organizo imersões práticas em ultrassonografia.
Mentorias?
Nessas imersões, os alunos acompanham e realizam exames em pacientes reais, discutem casos e participam da elaboração dos laudos, sempre com foco na prática. A mentoria complementa esse trabalho, permitindo discutir casos do dia a dia e acompanhar a evolução dos profissionais. É muito gratificante ver esse crescimento e saber que posso contribuir, ainda que um pouco, para que eles se sintam mais seguros na prática médica.
Além de médica, professora?
Sim. A docência passou a fazer parte da minha rotina e acabou se estendendo também para as mentorias e para as imersões práticas. É uma oportunidade de compartilhar a experiência adquirida ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, manter uma troca constante com outros médicos, o que também enriquece a minha própria prática.
Teoria e prática devem caminhar juntas?
Sem dúvida. A teoria fornece a base científica, mas é a prática que desenvolve o olhar do médico. Na Radiologia, experiência faz diferença. É ela que ajuda a reconhecer padrões, interpretar corretamente os achados e elaborar um laudo que realmente contribua para a condução do paciente.
Assim, você ajuda a ajudar? Ajuda a entender e conhecer para tratar?
Exatamente. O diagnóstico por imagem é uma ferramenta de apoio ao médico assistente. Nosso objetivo é fornecer informações confiáveis para facilitar o diagnóstico e contribuir para a escolha do tratamento mais adequado. Quanto mais cedo conseguimos identificar uma alteração e caracterizá-la corretamente, maiores são as chances de uma conduta adequada.
E hoje? Rotina pesada?
Bastante intensa. Divido meu tempo entre os atendimentos, a elaboração de laudos, a docência, as mentorias, as imersões práticas e o estudo, que faz parte da rotina de qualquer médico. É uma rotina exigente, mas muito recompensadora, porque consigo atuar diretamente tanto no cuidado aos pacientes quanto na formação de outros profissionais.
Melhor que diagnosticar é prevenir ou as duas ações são a mesma coisa?
As duas caminham juntas. Sempre que possível, prevenir é o melhor caminho. Mas, quando a doença já está presente, um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento e no prognóstico. A imagem tem um papel importante nesse processo, permitindo identificar alterações em fases iniciais e fornecendo informações essenciais para que o paciente receba o tratamento adequado no momento certo.








