Paulo Navarro | Entrevista com Marina e Diogo
Entrevista com Marina Sathler e Diogo Umann. Foto: Arquivo Pessoal
Traçados e Entrelaçados
A família de Marina Sathler é do interior de Minas Gerais e tem descendência alemã. As raízes estão na região de Manhuaçu, na divisa de Minas e Espírito Santo. Uma área conhecida pelas montanhas, pelas lavouras de café e pela proximidade com o Parque Nacional do Caparaó, onde mora o Pico da Bandeira. A família de Diogo Umann tem origem austríaca, da época do antigo Império Austro-Húngaro. Seu avô veio para o Brasil em 1889 e se estabeleceu no Rio Grande do Sul. Como o Império Austro-Húngaro não existe mais. Hoje, a região de onde ele saiu fica perto de Viena, na Áustria. E no meio desta História toda Marina encontrou Diogo. Hoje, com mais de 20 anos de parceria, os dois são muito mais do que uma família. Ao longo dessa trajetória, a dermatologista Marina Sathler e o médico Diogo Uman construíram uma carreira lado a lado, enfrentaram os desafios de empreender na medicina e agora inauguram uma nova clínica no Vila da Serra. Nesta entrevista, eles falam sobre essa caminhada em conjunto e explicam por que decidiram realizar, juntos, um dos principais procedimentos da clínica para o tratamento da celulite. Enquanto esperamos que essa linda História esteja longe do fim, a seguir, outras palavras e alguns detalhes.
Marina, vocês estão juntos há mais de 20 anos. Em algum momento imaginaram que dividiriam não apenas a vida, mas também uma trajetória profissional?
Não existia esse planejamento. A vida foi acontecendo, vieram nossos três filhos, as especializações, o crescimento profissional e, aos poucos, percebemos que também compartilhávamos a mesma forma de enxergar a Medicina: um atendimento próximo, individualizado e baseado em evidências. Foi muito natural que essa parceria, já existente dentro de casa, acabasse se refletindo também na vida profissional. Hoje conseguimos separar bem os papéis, mas é impossível não reconhecer que uma trajetória de mais de duas décadas juntos cria uma sintonia que também aparece no trabalho.
Diogo, construir família já é um desafio. Construir uma empresa juntos talvez seja ainda maior. Como foi esse processo?
Empreender na Medicina exige coragem e muita responsabilidade. Além do atendimento aos pacientes, existe toda a estrutura que faz uma clínica funcionar: equipe, gestão, planejamento e decisões que impactam muitas pessoas. Tivemos a sorte de crescer juntos também nesse aspecto. Aprendemos a respeitar as habilidades de cada um e entendemos que uma empresa só evolui quando existe confiança. Naturalmente surgem opiniões diferentes, mas elas sempre tiveram o mesmo objetivo: oferecer uma medicina cada vez melhor.
Diogo, vocês vivem um novo momento com a inauguração da clínica no Vila da Serra...
Momento marcante. Simboliza uma construção que aconteceu ao longo dos anos. A nova clínica não nasceu para ser maior apenas em espaço físico. Ela nasceu para acompanhar a evolução da nossa forma de trabalhar. Queria um ambiente que reunisse tecnologia, conforto e uma experiência mais completa para os pacientes, mas sem perder aquilo que sempre foi nossa essência: proximidade, acolhimento e cuidado individualizado. Esse novo espaço representa exatamente esse amadurecimento.
Marina, existe um procedimento que acabou se tornando um símbolo dessa parceria: o GoldIncision, realizado pelos dois médicos. Como isso aconteceu?
O GoldIncision exige planejamento, atenção aos detalhes e bastante precisão técnica. Em determinado momento percebi que faria sentido unir nossas experiências durante sua realização. Não foi uma estratégia de mercado, mas uma escolha baseada na forma como trabalhamos. Nosso entrosamento torna o procedimento muito fluido, e isso acaba trazendo benefícios para toda a dinâmica do tratamento.
Diogo, e como as pacientes recebem essa proposta de realizar o procedimento com vocês dois?
A maioria, de forma muito positiva. Muitas comentam que se sentem mais seguras ao perceber que o procedimento será conduzido por dois médicos que trabalham juntos há tantos anos. Existe uma comunicação muito espontânea entre nós e isso transmite tranquilidade. Esse retorno veio das próprias pacientes e acabou mostrando que essa forma de trabalhar realmente fazia diferença.
Por falar em celulite, quer dizer que aquela famosa frase: "celulite quer dizer gostosa em Braille", é só engraçada, só uma brincadeira?
É uma frase bem-humorada e que acabou se popularizando justamente porque a celulite é extremamente comum entre as mulheres. Mas ela deve ser entendida apenas como uma brincadeira. A celulite não define a beleza, a feminilidade ou a saúde de ninguém. Ela é resultado de uma combinação de fatores, como genética, hormônios e características da própria estrutura da pele, e pode estar presente em mulheres de diferentes idades, pesos e estilos de vida.
Sem esquecermos o lado estético...
Ao mesmo tempo, também é importante dizer que não há problema algum em querer tratá-la. O desejo de melhorar a aparência da pele pode fazer parte do autocuidado e da autoestima, desde que essa seja uma escolha da própria mulher, e não uma imposição de padrões estéticos.
Marina, então, voltando ao GoldIncision, para tratar a “famigerada” celulite, é mesmo diferente?
A celulite continua sendo uma das maiores queixas femininas e não depende apenas de peso ou estilo de vida. O GoldIncision atua em duas causas importantes do problema: promove o descolamento das fibroses que provocam o aspecto de “casca de laranja” e estimula a produção de colágeno, contribuindo também para melhorar a flacidez, um dos fatores relacionados ao surgimento da celulite. A paciente normalmente deixa o consultório utilizando um curativo e uma bermuda compressiva e consegue retomar atividades normais no mesmo dia, evitando apenas exercícios físicos intensos e exposição solar durante aproximadamente uma semana.
Diogo, olhando para tudo o que construíram até aqui, qual é o sentimento que fica?
Talvez a palavra seja evolução. Tanto eu quanto Marina evoluímos como pessoas, como casal, como pais e como médicos. A nova clínica representa mais um capítulo dessa história, mas o que realmente nos motiva continua sendo o mesmo desde o início da carreira: cuidar das pessoas com responsabilidade, estudar continuamente e oferecer aquilo em que realmente acreditamos. O restante é consequência dessa caminhada construída juntos.








