Paulo Navarro | Entrevista com Marcela Silveira


Entrevista com Marcela C. Silveira. Foto: André Velozo Simões

A Smartcela

Por falar em Inteligência Artificial, “em inglês, smart significa, principalmente, inteligente, esperto, astuto. No caso, paremos no inteligente! No entanto, a palavra também pode significar elegante (sobre roupas) ou moderno (sobre tecnologia), dependendo do contexto”. No contexto de hoje, a palavra serve. As iniciais de smart também cabem: ser específico, mensurável, atingível, relevante e com tempo (prazo definido). Mas muito é muito pouco para nossa entrevistada de hoje, Marcela Silveira, porque ela vai além, como CEO da SM - Smart Money Invest. Como executiva com atuação em estratégia, inteligência artificial, governança corporativa, inovação e desenvolvimento de ecossistemas empresariais. Engenheira de Telecomunicações, MBA em Negócios pela FDC e várias certificações, inclusive em IA pela Oracle e IBM em que atuou como executiva de Negócios, especialista em Key Accounts, Public & Private Sector. Atua conectando empresários, executivos, investidores e conselhos para acelerar geração de valor, Equity e crescimento sustentável. Pouco? Então tem mais, ela traduz cenários complexos em decisões práticas; transforma estratégia em resultados palpáveis; conecta pessoas, empresas e oportunidades; aplica inovação com foco em produtividade e retorno; produz análises objetivas voltadas a empresários e investidores. No mais, como poderão ler, Marcela Silveira multiplica pães e peixes sem milagre; consegue até provar aquela máxima popular que afirma: “dinheiro não é tudo”. Dinheiro na mão é vendaval, cantaria Paulinho da Viola, em “Pecado Capital”. Aqui, capital é dinheiro inteligente e dinheiro inteligente é a inteligência antes do capital. É parceria estratégica na construção e na geração de valor das empresas. É experiência, responsabilidade e valor. É governança. É o dinheiro em boa companhia: é a qualidade do capital, conhecimento e conexões que acompanham esse capital. Bom, invistam na leitura!

Marcela, um breve resumo da tua trajetória profissional, por favor.

Minha trajetória sempre esteve na interseção entre tecnologia, negócios, gente, relacionamentos estratégicos e criação de oportunidades. Sou engenheira de formação, com MBA pela Fundação Dom Cabral, e construí minha carreira passando por grandes empresas de tecnologia, como Oracle e IBM. Entendi o poder do empreendedorismo e a importância da atuação em ambientes de governança e investimentos.

E este trajeto te levou aonde, até agora?

Ao longo desse caminho, percebi que empresas não crescem apenas por terem capital ou uma boa ideia, elas crescem quando conseguem combinar estratégia, tecnologia, governança, pessoas certas, capacidade de execução e uso correto do capital (Smart Money). Foi dessa visão que nasceu o trabalho que hoje desenvolvo à frente da SM Partner: conectar esses elementos para transformar conhecimento, relacionamento e capital em geração de valor e crescimento de Equity.

O que é Smart Money para a SM Partner?

É muito mais do que dinheiro. É inteligência antes do capital. Nosso principal ativo não é simplesmente a capacidade de investir, mas de atuar como parceiro estratégico na construção e na geração de valor das empresas. Iniciamos com a Smart Money Journey antes do investimento, preparando o negócio para crescer, ganhar governança, acessar novos mercados e aumentar seu valor gerando Equity. Primeiro construímos valor. Depois, o capital encontra um negócio mais preparado para multiplicá-lo. 

O que é “dinheiro inteligente”? É aquele que se multiplica?

Não necessariamente. Dinheiro inteligente é capital acompanhado de inteligência. Imagine dois investidores colocando o mesmo valor em uma empresa. Um entrega apenas o cheque. O outro entrega o cheque, abre mercados, aproxima clientes, ajuda nas decisões estratégicas, fortalece a governança e conecta pessoas capazes de acelerar aquele negócio. O dinheiro pode ser exatamente o mesmo. O valor gerado por ele, não. Para mim, Smart Money é isso: capital financeiro somado a conhecimento, relacionamento, reputação, tecnologia, capacidade de execução, o que se transforma em escala e Equity.

Como a SM Partner executa a estratégia Smart Money?

Estratégia é fazer escolhas. Muitas empresas têm dezenas de iniciativas acontecendo simultaneamente, mas pouca clareza sobre quais realmente geram valor. Nosso trabalho começa tentando responder algumas perguntas muito simples: onde essa empresa está? Onde ela quer chegar? Qual é o seu maior ativo? O que está impedindo seu crescimento? E quais movimentos podem gerar maior impacto no seu valor? A partir daí, conectamos estratégia, governança, tecnologia, posicionamento, capital e relacionamento. Não queremos produzir apenas planos estratégicos. Queremos transformar estratégia em execução e execução em valor.

“Dinheiro inteligente” depende de inteligência artificial?

Não. Mas cada vez mais será potencializado por ela. Smart Money existia muito antes da inteligência artificial. O conceito está relacionado à qualidade do capital e, principalmente, ao conhecimento e às conexões que acompanham esse capital. A IA acrescentou novos desafios. Hoje conseguimos analisar informações, identificar padrões, construir cenários e apoiar decisões em uma velocidade que seria impossível há poucos anos. Mas existe uma distinção importante: IA não substitui as relações humanas e as empresas fazem negócios com pessoas. A decisão continua exigindo inteligência, experiência, responsabilidade e valor transformado em personalização e experiência para o cliente.

E o capítulo governança corporativa?

Governança é um dos pilares da geração de valor. Boa governança organiza a tomada de decisão, define responsabilidades, reduz riscos e permite que uma empresa cresça sem depender exclusivamente de uma pessoa. Isso é particularmente importante nas empresas em expansão e nas empresas familiares. Quando um investidor olha para uma companhia, ele não avalia apenas faturamento e EBITDA.

Olhar de águia e de lince?

Ele quer entender quem decide, como decide, quais são os controles, quais são os riscos e se aquela organização consegue continuar funcionando e crescendo. Por isso, governança não deveria aparecer somente quando a empresa fica grande. Muitas vezes é justamente a governança que permite que ela fique grande.

Como os investidores podem fazer diferente para as empresas?

Acredito que o investidor está mudando de “onde colocar dinheiro” para “como gerar valor depois que o dinheiro entrou”. Capital está cada vez mais conectado a dados, inteligência artificial, redes de relacionamento, conhecimento especializado e capacidade de execução. Para mim, o investidor do futuro não será apenas um financiador.

Será um protagonista, um “jogador”?

Será cada vez mais um participante de ecossistemas capazes de gerar oportunidades. É justamente aí que vejo uma grande transformação: investimento deixa de ser uma relação puramente financeira e passa a ser uma relação de construção de valor. Por isso SM Partner desenvolveu uma parceria com a XP para investimentos, crédito e alocação correta capital.

O que é desenvolvimento de ecossistemas empresariais?

É entender que nenhuma empresa cresce sozinha. Uma empresa precisa de clientes, fornecedores, tecnologia, talentos, capital, conhecimento, parceiros e acesso a mercados. Quando conseguimos organizar essas relações de maneira estratégica, deixamos de ter apenas uma rede de contatos e passamos a ter um ecossistema. A diferença é enorme. Networking é conhecer pessoas. Ecossistema é fazer com que competências complementares se encontrem e produzam valor. É uma das principais teses da SM Partner: transformar conexões em relações econômicas, estratégicas e de longo prazo.

Quem são os clientes? 

eDue, Labfy, Orgga, Mont School Business, Academia Tecla SAP, TargetSkin, Ânima Bruta, M.Leon e muitas outras. Temos empresas de segmentos muito diferentes e isso é proposital. Temos negócios ligados à inteligência artificial (Labfy), plataforma de captura de Leads (eDue), empresas de educação (Mont School Business e Academia Tecla SAP), plataforma para Agências de Comunicação (Orgga), IA para Saúde com prevenção de Câncer de Pele (TargetSkin); além de projetos ligados à arte, design e luxo (Ânima Bruta e M.Leon).

Empresas diferentes, com o mesmo objetivo? 

O interessante é que, apesar das diferenças entre os setores, muitos desafios empresariais se repetem: posicionamento, estratégia, acesso ao mercado, tecnologia, governança, crescimento e capital. E existe ainda outro benefício: empresas de setores diferentes podem gerar conexões que dificilmente aconteceriam dentro de um ecossistema fechado em uma única indústria.

Como as empresas podem entrar no ecossistema da SM Partner?

Empresas que chegaram a um ponto de inflexão. Pode ser uma empresa que cresceu e agora precisa profissionalizar sua governança. Uma empresa que tem um excelente produto, mas precisa acessar mercado. Um negócio tradicional tentando incorporar inteligência artificial. Uma empresa preparando uma expansão, uma captação ou uma internacionalização. Nos interessam especialmente empresários que entendem que crescimento não acontece apenas colocando mais dinheiro na operação. Às vezes, o que falta não é capital. É uma decisão. Uma tecnologia. Uma conexão. Uma pessoa certa na mesa. É nesse ponto que conseguimos gerar muito valor.

A chave fundamental é conectar pessoas, empresas e oportunidades?

Sim, mas existe uma palavra fundamental antes de conexão: curadoria. Hoje todo mundo está conectado. Temos LinkedIn, WhatsApp, eventos e milhares de contatos. Portanto, conexão não é mais um diferencial. O valor está em saber quem conectar, por quê, em qual momento e para qual objetivo. Quando existe essa curadoria, uma conexão pode se transformar em cliente, parceria, investimento, tecnologia, expansão internacional ou até em um novo negócio. Eu costumo pensar que relacionamento é um ativo. Quando você adiciona estratégia a esse ativo, ele passa a produzir valor.

O Brasil é um bom investimento?

Sim. Mas eu acrescentaria uma palavra: seletivamente. O Brasil é um país complexo e complexidade também cria oportunidades. Temos um mercado consumidor relevante, empresários extremamente resilientes, setores ainda pouco digitalizados, oportunidades enormes de ganho de produtividade e uma nova fronteira sendo aberta pela inteligência artificial.

Mas...

Ao mesmo tempo, temos custo de capital, questões fiscais, insegurança regulatória e desafios históricos de produtividade. Portanto, não acredito na tese de simplesmente “investir no Brasil”. Acredito em escolher muito bem onde, com quem e de que maneira investir no Brasil. Em mercados complexos, inteligência, estratégica e ecossistemas valem ainda mais.

Como vê ou espera ser 2027?

Acredito que 2027 será menos sobre descobrir inteligência artificial e muito mais sobre provar quem conseguiu transformar inteligência artificial em resultado. Passamos por uma fase de encantamento com a tecnologia. Agora começa a fase da cobrança por produtividade, eficiência, receita e retorno sobre investimento. Também acredito que veremos empresas cada vez mais criteriosas na alocação de capital e investidores buscando negócios que combinem crescimento com governança e capacidade real de execução.

Então, podemos ser otimistas pelo menos em oportunidades?

Vejo uma oportunidade muito interessante para o Brasil: temos milhares de empresas tradicionais que ainda podem dar um salto enorme de produtividade quando conectarem conhecimento de negócio, dados e inteligência artificial. Por isso, se eu tivesse que resumir 2027 em uma palavra, seria execução. Tecnologia estará disponível. Capital continuará existindo. Conhecimento estará cada vez mais acessível. O diferencial será quem conseguir conectar tudo isso e transformar em valor.

Uma frase para fechar!

“Capital abre portas. Conhecimento mostra quais portas abrir. Mas são as pessoas certas, conectadas a uma boa estratégia, que transformam oportunidades em valor”.