Paulo Navarro | Entrevista com Júlio Damião
Entrevista com Júlio Damião. Foto: Crédito da foto W3 Investimentos
Dá-lhe, Damião!
Antes de começarmos a primeira entrevista do ano, vamos combinar uma coisa. Parem de associar, de fazer a pergunta boba e infame ao Júlio Damião, que é formado em Administração de Empresas com pós-graduação em Finanças (Fundação Dom Cabral), se ele é parente do prefeito Álvaro Damião, OK? É claro que é uma coincidência com São Cosme e Damião! Ou vocês acham que Flávio Bolsonaro é parente do Jair Bolsonaro? E tem mais. Júlio Damião tem mestrado focado em Estratégia e Inovação e mais de 15 anos de experiência na área financeira de grandes empresas multinacionais: Varejo, Indústria e Serviços.
No mais, o homem é presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças do Estado de Minas Gerais – IBEFMG (2020-2027), com mais de 32 mil seguidores no Linkedin. Também está entre os 200 melhores “Top Voices do Likedin” em Negócios e Finanças. Sem tempo para perder ou para morrer, como o James Bond, Júlio Damião ainda escreveu os livros sobre Negócios e Finanças: “Tecla SAP 1” e “Tecla SAP 2”, “Carreira” e “IA - Inteligência Artificial”. Para terminar, é conselheiro de administração em várias empresas. Depois desse currículo, nada melhor e mais natural do que falar na colheita de quem semeia bem: ganhou o prêmio “Administrador do Ano” (2024), conferido pelo Conselho Regional de Administração de Minas Gerais – CRA. E, como CEO da W3 Investimentos, pode esperar, em pé, por muitos outros.
Júlio, comecemos com uma pergunta bem indiscreta! Você é parente do prefeito de BH, Álvaro Damião?
Não, não somos parentes. Essa pergunta aparece com frequência e é compreensível, sobretudo em Minas, onde os sobrenomes carregam histórias e vínculos fortes. No nosso caso, é apenas coincidência. O que talvez gere a associação é o fato de ambos atuarmos em ambientes públicos, de exposição e responsabilidade, ele na política, eu no ambiente corporativo, institucional e educacional. São caminhos diferentes, mas igualmente exigentes. Cada Damião construiu sua própria trajetória, com valores, escolhas e riscos próprios.
O que você escreve, como “profissão”, ao fazer o “check-in” num hotel?
Costumo escrever “Especialista em Negócios e Finanças”. É uma definição simples, quase clássica, mas muito fiel ao que faço. Em ambientes corporativos, aprendi que simplicidade comunica melhor. Em situações mais formais, uso “Conselheiro de Empresas”, porque hoje minha atuação vai além da execução: envolve formação de líderes, aconselhamento estratégico e construção de visão de longo prazo.
O que é e o que faz o IBEF/MG?
O Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de Minas Gerais - IBEF/MG é muito mais do que uma entidade de classe. É um ecossistema de pensamento financeiro. Ele conecta executivos, conselheiros, CFOs e empresários em torno de um objetivo central: elevar o nível das decisões financeiras no estado e no país. O instituto promove debates qualificados, formação executiva, eventos de alto conteúdo e provoca reflexões sobre economia, estratégia, governança e ética. O IBEF é, acima de tudo, um espaço de maturidade institucional.
Equilíbrio é fundamental! Daí o nome do troféu, “O Equilibrista”, todo fim de ano, do IBEFMG?
Exatamente. O executivo financeiro vive em permanente tensão entre risco e retorno, crescimento e liquidez, curto e longo prazo, coragem e prudência. O troféu “O Equilibrista” simboliza essa capacidade de caminhar sobre o fio da navalha sem perder a visão do todo. Reconhece profissionais que conseguem entregar resultados sem abrir mão de governança, ética e sustentabilidade.
Além de presidente do IBEF/MG, você é conselheiro de várias empresas. Trabalho sem fim?
É um trabalho intenso, mas profundamente conectado. O papel do conselheiro exige preparo, escuta ativa, independência e responsabilidade. Não se trata de “opinar”, mas de ajudar a decidir melhor. O conselheiro de empresas exerce um papel estratégico, independente e de alto impacto na governança e no desempenho das organizações. Não é um cargo executivo do dia a dia, mas sim uma função de orientação, supervisão e provocação qualificada da gestão. Em termos simples o conselheiro ajuda a empresa a pensar melhor, decidir melhor e se proteger melhor.
Trabalhar com Finanças e viver no Brasil é bom para o currículo?
Sem dúvida. O Brasil é um laboratório vivo de Finanças. Aqui convivemos com volatilidade macroeconômica, juros elevados, insegurança regulatória, câmbio instável e criatividade empresarial ao mesmo tempo. Quem se forma financeiramente no Brasil desenvolve resiliência, visão sistêmica e capacidade de adaptação que poucos mercados oferecem. É uma escola dura, mas extremamente completa. O profissional que prospera aqui está preparado para atuar em qualquer economia do mundo.
O que são os livros “Tecla SAP 1” e “Tecla SAP 2”; do que tratam?
Os livros nasceram de uma inquietação pessoal, a distância entre quem entende de Finanças e quem toma decisões. O “Tecla SAP 1” traduz conceitos financeiros para a linguagem do negócio, mostrando como números contam histórias e influenciam escolhas. O “Tecla SAP 2” aprofunda a discussão, conectando finanças a estratégia, governança, capital e liderança. Ambos têm um propósito claro, tirar o medo das Finanças e transformá-las em aliadas da gestão. Não são livros técnicos, mas livros de pensamento financeiro aplicado.
Virão outros?
Lembro que tenho mais dois livros, “Carreira” onde eu explico os principais desafios dos profissionais do futuro e “IA – Intelligent Approach” por que IA vai mudar tudo, mas o mais importante é a sua abordagem sobre esta inteligência.
Fale sobre a W3 Investimentos, começando por explicar o nome…
O nome W3 vem de três pilares: Wealth (riqueza), Wisdom (sabedoria) e Work (trabalho). Não acreditamos em riqueza sem método, nem em retorno sem disciplina. A W3 atua com planejamento financeiro, investimentos e educação patrimonial, sempre com foco no longo prazo. Nosso diferencial é a visão integrada, não olhamos apenas números, mas pessoas, objetivos e contexto. Investir é um processo contínuo de decisões conscientes, não um evento pontual.
Você ganhou o prêmio “Administrador do Ano”, em 2024. Como foi 2025?
O prêmio de 2024 foi um reconhecimento que recebi com muita gratidão, mas também com senso de responsabilidade. 2025 foi um ano de muito trabalho, aprimoramento da leitura de cenários de forma estratégica, conselhos de administração, formatação do quinto livro que será lançado no próximo ano, viagens por todo o Brasil com palestras e formação de lideranças.
O que espera de 2026?
Para 2026, espero aprofundar minhas ações com relação a contribuir com empresas e CEOs em “navegar” ambientes cada vez mais turbulentos. O Brasil precisa formar melhores decisores, não apenas melhores técnicos. Quero estar cada vez mais envolvido nesse processo.
Você também é palestrante. Que palestra as Finanças do Brasil precisam ouvir e assimilar?
A palestra que o Brasil precisa ouvir tem um título simples:
“Finanças não são sobre dinheiro. São sobre escolhas e gente”
Enquanto tratarmos finanças apenas como controle, burocracia ou punição, perderemos oportunidades de desenvolvimento. Finanças são, antes de tudo, uma linguagem de decisão e os resultados vêm através das pessoas. Quando bem compreendidas, tornam-se um poderoso instrumento de crescimento econômico e social.






