Paulo Navarro | Entrevista com Guilherme Reis
Entrevista com Guilherme Reis. Foto: Arquivo Pessoal
Engarrafado e Livre
“O Capitão Engarrafado” é novo longa-metragem do diretor mineiro Guilherme Reis. Estreou na “Première Brasil: Nova Geração do Festival do Rio” e foi selecionado para a “50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”. Realizado pela produtora Postura Digital e filmado no Vale do Jequitinhonha, o filme é voltado para toda a família e combina fantasia e drama psicológico. No elenco estão Luiz Carlos Vasconcelos, Kelly Crifer, Magdale Alves e o jovem Tuí Souza Gil, selecionado após oficinas com mais de 300 crianças da região. “Na história, Vanessa é uma mãe solo atormentada por um trauma do passado. Seu filho, Caio, é uma criança criativa que parece estar em fuga da realidade. Um dia, o menino conhece o pequeno capitão de um barco engarrafado que precisa voltar a navegar. Mas a jornada do interior de Minas Gerais até o mar pode ser perigosa”. É sobre o filme, sobre audiovisual, imaginação, brincadeiras e fantasia que nosso entrevistado, Guilherme Reis - realizador de outras produções infantojuvenis, como “Dentro da Caixinha”, disponível na Amazon Prime e o premiado curta-metragem “Jardim das Cores” - vai falar a seguir. Aproveitem este trabalho que é como a música “Aquarela”, de Toquinho: “Vou com ela viajando, Havaí, Pequim ou Istambul, pinto um barco à vela, branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul... Numa folha qualquer, eu desenho um navio de partida... de uma América a outra, eu consigo passar num segundo, giro um simples compasso e, num círculo, eu faço o mundo”. Um mundo, um filme que pode nascer de uma aquarela ou de um “Caderno” de Chico Buarque, onde “A vida se abrirá num feroz carrossel e você vai rasgar meu papel. O que está escrito em mim, comigo ficará guardado, se lhe dá prazer. A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer? Só peço a você um favor, se puder: não me esqueça num canto qualquer”. Nunca entregue seus sonhos, passaportes e boa viagem!
“Capitão” Guilherme, diretor de Cinema, sempre ou já navegou outros mares?
Tive outras atividades, comecei a trabalhar aos 11 anos. Mas desde 2002 trabalho exclusivamente com audiovisual, fazendo filmes, realizando vídeos comerciais sob encomenda e prestando serviço em diferentes funções do audiovisual.
E “O Capitão Engarrafado”? Interessante título!
Um título contestado por parte da equipe por valorizar mais o lado infantil da produção, que dialoga também com o público adulto. Mas eu me apeguei ao título pela dúvida que deixa na cabeça do espectador. Quando descobrem se refere a um barco engarrafado acham interessante saber que ele tem um capitão.
Como foi na “Première Brasil: Nova Geração do Festival do Rio”?
Foi incrível ter o primeiro contato com o público no festival do Rio, um dos maiores do Brasil. É quando o filme de fato nasce para o mundo, e ele foi bem acolhido pela plateia, recebeu boas críticas e comentários. Espero que siga assim.
E a “50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”, de 15 a 29 de outubro?
Na “50ª Mostra” estivemos na “Mostrinha” e na “Mostra” Brasil, sessões com públicos distintos. Feliz pela seleção nos dois programas por acreditar que o filme pode alcançar os corações de diferentes audiências. Uma honra também estar num festival que reúne os filmes mais premiados do mundo no último ano.
E depois?
É o início dessa jornada. “O Capitão Engarrafado” ainda irá navegar por outros festivais, entrar em cartaz nos cinemas e ser disponibilizado em plataformas de streaming.
O que é a Postura Digital?
É uma produtora audiovisual fundada em 2006 em Minas Gerais, que acredita nos talentos de Minas e produz obras autorais e comerciais.
Roteiro original? Cenário original no Vale do Jequitinhonha?
O roteiro original é uma parceria com o escritor Caio Ducca. É inspirado em nossas histórias de vida; apesar de mineiros moramos na praia durante a infância. A história se passa no Alto Jequitinhonha e a maior parte do elenco é formado por artistas da região.
O que é o motor do filme, “a pulsão criativa da infância”?
É a capacidade da criança de extrair beleza e poesia do mundo, mesmo quando inserida em uma realidade adversa. Caio é uma criança que busca na criatividade e nas brincadeiras que ele inventa uma forma de suportar a depressão da mãe, uma mulher fechada e marcada por um trauma do passado.
O menino Caio e o Capitão! Uma jornada do rio para o mar e seus perigos?
Caio conhece o Capitão do pequeno barco engarrafado que deseja voltar a navegar. O problema é que o mar está distante do Vale do Jequitinhonha. O navegante e o menino não têm noção dos perigos para se chegar ao oceano. Além disso, essa jornada fará a mãe enfrentar seus traumas do passado.
Tem alguma referência de “Dentro da Caixinha” e “Jardim das Cores”?
Tem sim, nas três obras nós temos crianças dialogando com elementos fora da realidade. Em ambas as produções temos também o uso de efeitos especiais em um filme brasileiro para toda a família.
A fantasia, a poesia e a imaginação são tuas bússolas?
Acho que sim. Acho que o cinema e a arte podem ter a função de transportar o espectador para situações fantásticas e vivenciar experiências que nos fazem descansar por um instante das nossas próprias vidas. Acho que esse breve afastamento é fundamental até para percebermos melhor a nós mesmos.
Qual a próxima “viagem” para 2027?
O “Capitão Engarrafado” continua sua jornada e a Postura Digital já tem outras produções encaminhadas para sair do papel. Seguimos nossa aventura de realizar um cinema que valorize nossas paisagens e nossos talentos.






