Paulo Navarro | Entrevista com Bárbara Botega


Entrevista com Bárbara Botega. Foto: Carlos Magno

Ela é Bárbara!

Fechando 2025, comme il faut, comecemos a última entrevista do ano, lembrando que a frase mais famosa do filme “Forrest Gump” (1994) talvez seja: “a vida é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que vai encontrar”. Máxima que pode ilustrar a trajetória profissional da secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega. Ela, que queria pegar um chocolate na iniciativa privada, acabou achando outros sabores na Política e, naturalmente, no serviço público. Parceira e entusiasta de primeira hora da candidatura de Romeu Zema Neto, “de repente”, ele é governador de Minas em 2019 e ela, em 2021, superintendente de atração de investimentos e estímulo à exportação, na Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Depois, vieram a assessoria estratégica para economia do turismo da Invest Minas, a Secretaria de Comunicação, com adjunta e, agora, a de Cultura e Turismo, como titular, substituindo Leônidas Oliveira.

Mas atenção! Além de ter nada de marinheira de primeira viagem, muito menos caiu de paraquedas na Cultura e no Turismo. Há muito tempo e em várias ocasiões, Bárbara era ativa participante de lançamentos, coletivas de imprensa, grupos de trabalho, projetos, iniciativas e ideias em prol do Turismo e da Cultura de Minas para as Gerais e o mundo. Além de construir e trabalhar, Bárbara pratica outros verbos e veste diferentes adjetivos: é acessível, simples, elegante, coerente e sincera. Querem um exemplo? Indagada sobre que destino ela recomendaria como secretária de Turismo, ela poderia esnobar e citar Longyearbyen, Paris, Tóquio, Istambul e até Tegucigalpa, mas não, ela se rendeu e recomendou a Disney, em Orlando, EUA, de onde volta amanhã, depois de merecidas e, há muito, planejadas férias. E volta logo, para trabalhar, em plena passagem do ano, na “Virada da Liberdade”, na Praça da Liberdade. No mais, quem quiser entender sua “flor de obsessão”, o trabalho, deve ler um de seus livros favoritos: “A Revolta de Atlas” (1957), de Ayn Rand. Tudo muito esclarecedor!

É verdade que você é mineira do Ceará?

É verdade, uai. Nasci no Ceará, quase que sem querer. Meus pais são mineiros, família toda daqui. Voltei de Fortaleza com apenas um aninho. Minas me adotou, me formou profissionalmente, construiu minha família e hoje é onde está meu propósito. Sou mineira de afeto, de prática e de convicção.

Quantos meses como secretária de Estado de Cultura e Turismo? Já está confortável e à vontade?

Estou há poucos meses, mas com intensidade de quem conhece a casa, as equipes e o território. Confortável não é a palavra. Estou comprometida, motivada e muito consciente da responsabilidade.

“Bárbara é muitas. Secretária de Estado. Mãe do Alexandre e da Tereza”. Que função dá mais trabalho e mais prazer?

Ser mãe é a mais exigente e a mais transformadora. É onde tudo começa e termina. O trabalho público me realiza, mas a maternidade me ancora.

Quais são as outras e muitas Bárbaras?

A advogada, a gestora, a mulher de posicionamento, a inquieta, a que gosta de construir, a que acredita no trabalho como valor e na coerência como caminho.

Umas palavras para o amigo adorado, Leônidas Oliveira. Herança? Legado?

Leônidas deixa legado. De visão, de estrutura, de coragem institucional. E deixa também uma herança afetiva e profissional que muito me honra continuar. Eu tenho um amor profundo por ele!

Sua presença constante nos eventos culturais e turísticos facilitou a transição?

Muito. Cultura e Turismo sempre fizeram parte do meu cotidiano. Conhecer os agentes, os territórios e os bastidores torna a transição mais orgânica e mais responsável.

Qual teu programa ou local favorito em Belo Horizonte?

Me perder pelo Mercado Central e seguir para um bom almoço. BH é isso. Simples, potente e acolhedora.

E em Minas, sem gerar ciúme?

Minas é um estado de paixões múltiplas. Ouro Preto, o Vale do Jequitinhonha, o Norte de Minas, o Sul, o cerrado. Cada região tem uma força própria. Não escolho uma só.

Fale um pouco sobre o projeto Paragens de Minas.

É um projeto de valorização do patrimônio com visão contemporânea. Recuperar imóveis históricos, atrair investimentos, gerar uso, Turismo, Cultura e Desenvolvimento. Patrimônio vivo, com sustentabilidade e futuro.

Como secretária de Cultura, qual tua arte ou programação favorita?

Gosto da arte que dialoga com as pessoas. Cultura que não se fecha, que encontra o público.

Jogo rápido: um livro, um filme, uma exposição, um show e um espetáculo.

Livro: “Grande Sertão: Veredas” e a “A Revolta de Atlas”.  Filme: “Central do Brasil”. Mais que exposição, um museu e a céu aberto: “Instituto Inhotim”. Show: o último do Skank. Espetáculo: tudo que emociona e permanece depois do aplauso. Mas, “Acredite, um espírito baixou em mim” foi disruptivo para a cena do Teatro em Minas.

Como secretária de Turismo, que viagem recomenda em Minas, no Brasil e no mundo?

Em Minas, a Estrada Real, com calma. No Brasil, as praias e o dendê da Bahia. No mundo, eu me rendo à Disney, confesso! 

Com que personalidade ou com o que você ilustraria uma nota de R$ 200?

Com trabalho. Talvez não uma pessoa, mas uma cena de produção, de esforço, de construção. O valor vem do que se faz.

Onde vai passar o Réveillon?

Trabalhando e celebrando na “Virada da Liberdade”! 

Que pergunta nunca te fizeram e qual seria a resposta?

O que te move todos os dias? E a resposta é simples: fazer o que é certo, mesmo quando dá trabalho.

Um balanço de 2025 e planos para 2026?

2025 foi um ano de estruturação, entrega e reposicionamento. 2026 será de consolidação, escala, investimentos e fortalecimento da Cultura e do Turismo como motores de desenvolvimento de Minas.