Veloso e Furioso

Furioso sem violência! Som, luz, câmera, ação e fúria. Tesão pelo cinema que é e sempre foi oxigênio e "cachaça" de Geraldo Veloso, um homem cuja vida poderia não dar um filme, mas produzir vários. Veloso circula pela Savassi, seus cafés e livrarias, com mil ideias na cabeça e, qualquer dia, com um câmera na mão. E alguns viriam correndo para vê-lo, numa mesa com Joyce, Lênin e Wedekind.

- Geraldo, teu outro sobrenome ainda é Cinema?
- É difícil, para mim, perceber alguma outra dimensão que tenha me identificado mais do que a presença do cinema na minha vida. Sempre usei o cinema como ferramenta de descobertas, conhecimento e agregação de afetos

Cineasta, crítico, palestrante, ensaísta, pesquisador em cinema; assistente e diretor de produção, produtor executivo, diretor de fotografia, técnico de som direto, roteirista, montador e Ufa! Tudo exagerado ou nem tudo é verdade?
- Fiz, continuo fazendo e sempre farei tudo isso. Adoro jogar nas onze.

- Quais os problemas do cinema nacional, quando comparado aos campeões argentinos, chilenos...?
- A auto execração é uma doença brasileira. Os argentinos e chilenos sempre fizeram bons filmes.  Mas a nossa diversidade cultural é igualmente rica. E própria. Não consigo avaliar o cinema por processos comparativos. Sobretudo entre países, processos culturais e realidades de produção diferentes.

- Quais os problemas do cinema mineiro, quando comparado ao paulista, carioca, pernambucano...?
- O que o cinema mineiro se tornou é surpreendente. Sinto-me como um dos personagens de um processo que o nosso cinema construiu ao longo dos últimos anos. Somos diferentes do cinema pernambucano, paulista, carioca, cearense, paraibano, brasiliense, gaúcho e, certamente, baiano. Só temos uma particularidade: somos tímidos. Temos de fazer os filmes e exibi-los agressivamente.  

- Há pouco, no Facebook, você teve lembranças do Café Tortoni em Buenos Aires... Pode nos contar?
- Buenos Aires é a cidade das livrarias e dos cafés. Adoro os cafés de Buenos Aires. E o Tortoni é especial. Gosto de me sentar próximo à mesa que tem estátuas dos seus frequentadores históricos (Borges, entre outros).

- Que lembranças dariam um filme? Que cidade seria um cenário perfeito?
- Sevilha, Ouro Preto, Siena, Zurique (que não conheço mas me imagino, fabulisticamente, sentado no Cabaré Voltaire, numa mesa com Joyce, Lênin e Wedekind).

- O que anda fazendo?
- Quero filmar "Alguns Vieram Correndo", um longa metragem baseado em um melodrama que adoro: "Some Came Running", do Vincente Minelli. E alguns projetos de produção para outros cineastas.

- Quais os planos para 2018, 2019...?
- Acho que se resumem ao que anuncio acima e ações ocomplementares que ajudem a construir os filmes.

- Que cineastas ilustrariam uma nota de 100 dólares, euros ou reais?
Orson Welles, Humberto Mauro, Jean-Luc Godard, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Rogério Sganzerla.