Um homem sério

O fotógrafo Paulo Laborne é sério, mas não exageremos. Um cara inteligente, culto, gente fina, sangue bom e bem humorado nem consegue ser tão sério. Sorte dos amigos deste grande amigo (que tem quase dois metros de altura). Fotógrafo talentoso e viajado, navega também nas turvas águas do cinema. Brasileiro inveterado, não gosta de ser estrangeiro, por enquanto, nem mesmo de Albert Camus.

 

- Em pleno Carnaval, você postou no Facebook, a famosa frase do general e ex-presidente da França, Charles de Gaulle (1890-1970), "O Brasil não é um país sério". Sabia que a frase não é dele?

 

- É o que menos importa. A verdade é que o Brasil não é sério. Fato.

 

- A frase é de Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França, entre 1956 e 1964. História longa, envolve a Guerra da Lagosta, que nunca existiu, mas a frase pegou. Por que a frase? Foi o Carnaval?

 

- Acaso ou coincidência  Alves de Sousa é meu outro sobrenome. Laborne vem de belgas que foram para Grão Mogol em busca de diamantes. Alves de Sousa eram portugueses fazendeiros; fundadores de Abaeté. Como vê, Guerra da Lagosta... Não se pode dar muita importância.

 

- Tem jeito que dê jeito no Brasil?

 

- Como dizem todas as religiões, tem de ter fé. Ser otimista. Mas já estou acreditando que não há jeito neste país grande e bobo. Tem caveira de burro enterrada aqui.

 

- Não tem vontade de se mudar de vez para Miami ou Lisboa?

 

- Duas cidades que adoro e onde já expus minhas fotos. Inclusive fiz uma mostra sobre o Art Déco de Miami no saudoso Café Ideal (bons tempos). Mas, por enquanto, não gosto de ser estrangeiro, que o diga Albert Camus (1913-1960).

 

- O que você anda produzindo na Fotografia? Ou está num período sabático?

 

- Quando você fica mais velho, é boa a serenidade, mas tenho produzido bem. É muito bom saber que depois de dezenas de exposições por todo o mundo, você não precisa provar mais nada, nem pra você mesmo. Acabam as cobranças e a ansiedade.

 

- Qual foi a mais recente exposição e qual será a próxima?

 

- A ultima individual foi em Havana, a quinta em Cuba. Gosto do povo, dos charutos e do rum de lá. A última coletiva foi de Moda, em 2017. A próxima é sobre o descaso com o planeta principalmente no Brasil onde nada é crime. É multimídia com fotografias e vídeo (espero patrocínio).

 

- Que cidade ou evento gostaria de fotografar para um ensaio, livro ou exposição?

Nunca fui a Chicago dizem que é linda. São Petersburgo também nunca fui.

 

- E o cinema?

 

- Sim, inclusive podem ver meu último filme na mostra da Galeria do Minas, sobre meu grande amigo Lorenzato. Foi documentado em 16 mm, nas décadas de 70 e 80. Recuperei e montei a história deste pintor genial.

 

- O que te inspirará mais em 2018, a Copa do Mundo na Rússia ou as eleições?

 

De copa ainda pagamos o pato, o dinheiro roubado e os 7X1. Eleições? Conhece algum político honesto? (cartas para a redação) Podemos confiar nestes aí? Tenho certeza que não.