Túmulos e tumbas

No Seminário Internacional “A Mulher no Século XXI” na Câmara Municipal de Belo Horizonte, a Cônsul Maria Ximena Alvarez do Uruguai, a conselheira Kristin Kane da Embaixada dos EUA em Brasília, a Cônsul Rita Rico dos EUA, a vereadora Marilda Portela, a Cônsul Aurora Russi da Itália e a Cônsul Joana Caliço de Portugal

Foto: Rafa Aguiar/CMBH

Túmulos e tumbas 
Num humor bairrista e carioca, Vinicius de Moraes decretou que São Paulo era o túmulo do samba. Adoniram Barbosa e o carnaval comprovam. São Paulo também é o túmulo do turismo, ou alguém é louco pra conhecer o Largo do Arouche? E Belo Horizonte? Pior ainda! Além de não ter samba e turismo, tem nada de São Paulo. A começar pelo dinheiro que dá a São Paulo o turismo de negócios e mais dinheiro.

Tumbas e sarcófagos 
"Sorry", valeu a intenção desesperada de tirar vinho das pedras, mil perdões, mas essa notícia é o cúmulo do "sem noção e loção", como a Estrada Real, na verdade, é a BR 171: "Turismo de experiência é a bola da vez. Startup de Belo Horizonte vence desafio Braztoa Sudeste".

Sarcófagos experimentais 
"Oferecer experiências aos turistas". É o que querem Fernanda Maia, formada em Turismo e Gestão em Hotelaria e Bethânia Monteiro, arquiteta; sócias da Experience Infinity. As duas pensam em ir muito além dos "tradicionais, e fantásticos, atrativos da cidade". Fantásticos?

Sarcófagos do além 
Sim, a dupla chama de fantásticos, o conjunto da Pampulha, o Circuito Liberdade com seus museus e cafés (Que cafés?) na Praça da Liberdade, a Praça do Papa, seu "belo e imponente" mirante, o "charme" dos parques Mangabeiras e Municipal e a diversidade gastronômica e cultural do Mercado Central (só para citar alguns). Alguns? Tem mais? Mil perdões, mas a crítica é, realmente, construtiva. Sinceramente, o que há de fantástico, imponente e charmoso em BH? Está mais é pra experiência de morte!

Além do aquém 
Fernanda Maia queria "algo fora do tradicional, da rotina, aquilo que não era de praxe (...) abrir uma empresa que vende experiências, que cria novos olhares, novas sensações aos turistas”. É uma Polyanna! Um Candide (de Voltaire).  Então, ela e Bethânia rabiscaram roteiros com o foco na experiência do consumidor, não só a racional, mas a emocional.

Curtas & Finas

Mas quais as experiências fantásticas, belas, imponentes e charmosas vendidas por Fernanda e Bethânia?

Elas não propõem museus de verdade e políticas de adoção e captação de recursos e acervos. Nem monumentos em ruas e praças ou "street art" de verdade.

Nada de revitalizar o centro e praças inúteis como a da Estação. Nada de jardins de esculturas, zona de bares e restaurantes. Datas temáticas, festivais, etc.

Elas querem coisa mais "emocionante" atraindo hordas de turistas: "Pedalando pelos muros: ciclismo por painéis de street art pelas ruas de BH".

"Olhares invisíveis: onde o turista é convidado a fotografar BH".

"Caminhos das artes e histórias mineiras: caminhar pela Savassi..." Pra ver placas de aluga-se e mendigos dormindo em lojas fechadas?

"Serras e sabores de Minas: Um passeio pelas serras e pelas fábricas da Bala Delícia e da Coca-Cola". Sem comentários!

"Museu do Grupo Giramundo, Tambor Mineiro - música e ritmo". Morri! E de tédio...