Tradição e futuro

Ele carrega, orgulhosamente, o "imperial" sobrenome Andrada, que explica muito. A começar pelo extenso nome, uma característica da não menos extensa família. O dele, por exemplo, é Doorgal Gustavo Borges de Andrada. Atuando há mais de 25 anos nas carreiras jurídicas da área pública; foi  delegado de polícia, promotor de justiça e juiz de direito. Há nove anos trabalha como desembargador.

- A vida de juiz é  tensa?

- Hoje flui com segurança, ante a natural maturidade profissional e o maior conhecimento jurídico. Mesmo com o volume de processos, na minha área criminal, que não para de crescer.

 

- Fale sobre as polêmicas do nosso judiciário? 

- Envolvem o STF que, em sua maioria, não é composto por pessoas que foram juízes. Todo julgamento exige experiência, imparcialidade, conhecimento jurídico e coragem para decidir contra  pressões.  O judiciário não poder ser o centro das decisões políticas, é técnico.

 

- Fale sobre suas origens mineiras! 

- Nasci no Rio de Janeiro, com um mês vim para Minas e daqui não mais saio. Ora Belo Horizonte, ora Barbacena.  Me sinto bem mineiro. Meus pais, esposa e filhos são de Minas. Dois dos meus avós são mineiros. Estudei na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena e me formei em direito na PUC, Belo Horizonte.

 

- E "nossa"  Barbacena? 

- Me traz as melhores recordações pois lá  vivi  infância e juventude. A cidade cresceu e mudou demais, nem o frio é tão intenso. Uma cidade com história.

 

- Sendo magistrado da área criminal como analisa a  violência no país? 

A raiz está na falta de escolaridade, de valores. Quem se educa irá se alimentar melhor, terá melhor higiene, respeitará o próximo, não rouba, não mata e nem se corrompe.

 

- É difícil  carregar tanta tradição familiar, desde José Bonifácio, o Patriarca da Independência? 

O Patriarca! Paulista de Santos, herói nacional. Falava seis línguas, era um mineralogista, formado também em direito e filosofia. Foi professor em Coimbra e  membro de inúmeras academias de ciências da Europa. Foi o “fundador do Brasil” e tinha uma visão de futuro. 100 anos antes, ainda em 1822, ele já queria uma legislação para defender o meio ambiente. Como descendente dele, tenho-o como maior exemplo de vida. Isso me dá um bom norte, muito orgulho e grande responsabilidade para honrar seu nome.

 

- Você aproveita seu tempo disponível com muitas viagens... 

Foi interessante estar no rico Brunei e no pequenino reino da Suazilândia. Sentir os ventos gelados na ilha Horn, perto do Polo Sul e em Reykjavik, perto do Polo Norte. Contrastou com o calor no Vale da Morte, no deserto da Califórnia, de 55 graus.  

 

- Como  avalia o momento político  no Brasil ? 

Alguns analistas dizem que a crise é fruto da profunda luta política. Liberalismo X marxismo que prega a intervenção estatal e precisa desconstruir as instituições que servem à burguesia. Vivemos nesse contexto confuso e de falta de valores.