Tal como um Pica Pau

Jornalista, escritor, poeta, artista multimídia e Figuraça! Ótima conversa. O nome imponente, Geraldo Elísio Machado Lopes tem alcunha irreverente: "Pica Pau". Grande nome da imprensa e, sem precisar, prova isso no livro, "Diálogo com Ratos", da Letramento, dia 7, 19h, no Museu Inimá de Paula. Infelizmente, os ratos têm nada de ficção, muito menos o queijo que devoram. Queijo Minas, claro.

- Precisamos tirar as crianças da sala para você explicar teu apelido, "Pica Pau"?
- Vem desde 1975. Eu trabalhava na Rádio Itatiaia e o Emanuel Carneiro me chamava assim por causa do meu cabelo com franja arrupiada na testa.

- Quantos anos de jornalismo político?
- 57 de jornalismo e de jornalismo político. Mesmo nos 12 anos em que fui locutor esportivo, sempre me aproveitavam para entrevistas políticas.

- O que te interessa mais na política? As ideias (sic) ou as anedotas?
- As duas. Cada uma em seu campo.

- É em "Plenário Modo Antigo" que você conta os folclores da política mineira? Qual o mais hilário?
- Uma das histórias que mais gosto é de quando o João Navarro era presidente da ALMG e houve uma greve muito forte de professoras. Foi a primeira da classe depois do golpe de 1964. Como todas queriam entrar nas galerias e não cabia, o deputado Paulo Ferraz disse ao João: – “Divide a turma! Um grupo entra e assiste uma parte da sessão, sai e dá lugar aos outros”. Ai o João bateu a campainha e falou:- “De pronto aceito a sugestão do colega Paulo Ferraz nomeando-o o coordenador do entra e sai”. Paulinho ficou doido.

- Tem algum caso do genial José Maria Alkmin?
- Claro. Certa vez fui entrevista-lo e fiz uma pergunta que repeti sete vezes, mas ele disse que não estava escutando. Vi que não daria para seguir diante da surdez dele. Me afastei bem longe e perguntei a um secretário se a viagem do doutor José Maria era oficial. O próprio José Maria respondeu, de longe, que não. Ele estava fugindo da minha pergunta inicial.

- O último mineiro presidente eleito por voto popular foi JK. Tancredo foi sem nunca ter sido, Itamar era vice e Dilma, japonesa de Pequim, da Mongólia... Mineira de Porto Alegre. Por que os mineiros sumiram do palco?
- Acho que os mineiros ficaram muito preocupados estritamente com a política, enquanto a atividade passou a ter como alvo a economia, quando São Paulo domina.

- Na esteira da última pergunta, hoje, mineiro é raposa política ou rato político.
- Diria que rato. Não é só o mineiro, a maioria dos grandes políticos estão envolvidos em grandes escandalos financeiros.

- Por falar em rato, conte-nos sobre o novo livro "Diálogo com Ratos".
- Este livro é uma história verídica envolvendo os grandes escândalos da política nacional, focalizados principalmente em nomes mineiros.

- Tem jeito que dê jeito nos políticos brasileiros e no Brasil?
- Por horas, em meu ver, não. Os grandes políticos morreram. Hoje tem gente brincando de ser político.