Sinais de vida

Heloisa e Marco Antônio Almeida na boa mesa do Lamour Bistrot Cabaret assinada pelo chef Mateus Gontijo
Foto: Paulo Navarro

Sinais de vida

Esta semana, nas piscinas do Minas Tênis, um empresário, 84, lembrava uma passagem por Nice, sul maravilha da França, poucos anos depois de finda a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Lá, testemunhou uma cena com muitos velhinhos sozinhos na praia. Parecia um ancoradouro, um estaleiro. E cabe explicação. Eram tempos duros, principalmente no Norte da França, muito bombardeada, como também em Paris.

Finais de vida

Nestas regiões sobravam escombros da guerra; carcaças de automóveis, ruínas, marcas de bala e de bombas; sujeira. Via se pouquíssimos jovens, que trabalhavam intensamente, já que muitas mulheres ficaram viúvas. As grávidas, geralmente eram vítimas de estupro dos alemães.

Finais de sinais

Neste mesmo triste cenário, muitos idosos; homens e mulheres, "órfãos de guerra", não mais tinham filhos para cuidar deles na velhice, ficaram abandonados. E assim, na esteira desta constatação que nosso amigo empresário teve  "A" ideia de planejar um projeto acolhimento.

Sinais finais 

Um espaço de convivência, uma "Casa dos Artistas". Artistas aposentados da vida. O projeto/sonho não saiu do papel. Ainda! Hoje, mais que nunca, em todo o mundo, o que era regra natural de uma existência virou artigo raro. Filhos são criados para o mundo; crescem, voam, somem, com ou sem guerra. Outros tempos, outros hábitos e, mesmo muito mais saudáveis e longevos, os idosos não escapam da solidão que chega a galope, a cada dia. Não é falta de amor dos filhos. É o carrossel, a roda viva.

Sinais fechados

O Brasil, há muito, já não é um país jovem. Nossa população, principalmente as mulheres, é muito mais longeva. 80, 90, 100 anos de idade não são mais raridade. E quem cuida desses guerreiros? Faltam boas e ideais casas de acolhimento; asilos são cruéis e do tempo do onça; os bons espaço são caríssimos, raras aposentadorias podem arcar com eles.

Curtas & Finas

* Esta semana, vi me obrigado a refletir sobre o assunto, ao passar uma madrugada numa enfermaria como meu filho, uma criança.
Plugado num balão de oxigênio e num frasco de soro, senti o que é o desamparo. Meus irmãos, com celulares desligados ou fora da minha área.
Encontrar a irmã Beatriz disposta a tirar João Paulo do Biocor foi difícil. Daqui a pouco, João, como outros desta geração individualista, sumirá pelo mundo. E eu?
Quem me acolherá? Uma companheira? Sim, mas primeiro é "preciso combinar, no caso, com as russas"...
De novo, lembrei me da Casa dos Artistas no Rio.
Nos EUA, por estas e outras, Miami, com seus hotéis, estrutura; o clima sempre agradável e ameno, foi invadidada pela terceira idade e até criou a fama como um tipo de ancoradouro VIP.
Nos mesmos EUA, velhos hospitais são adaptados para acolher idosos em estado terminal, nem de médicos eles precisavam mais, apenas de cuidadores.  
Que tal pensarmos, aqui, em mais asilos bacanas para um final digno?