Paz, sombra e água fresca

Foto: Edy Fernandes

Paz, sombra e água fresca

Para seus 25 anos, modernas e novas instalações, o banco Bonsucesso trouxe como palestrante, o professor, economista, consultor, conselheiro, comentarista econômico de rádios e jornais nacionais, Luis Paulo Rosenberg. Ele fez um balanço do sinistro 2016 e mostrou-se otimista ou pouco pessimista com 2017. Não só o mundo precisa de paz. A Economia também. Então, sinal verde e bandeira branca.

1) Independente do “nevoeiro”, pelo menos um banco “vai levando em mar de almirante”, certo?
Sem dúvida. Acompanhamos o desempenho do Bonsucesso há muitos anos e foram poucos os bancos médios que conseguiram sobreviver. Ele é de uma robustez exemplar.

2) 2016 foi o ano em que corremos perigo?
2016 vai passar para a história como um dos piores anos da nossa Economia. Não por ter sido só muito ruim, mas por ser o terceiro ano consecutivo muito ruim. O que houve nesse ano foi um descolamento entre o governo e sociedade de tal forma que no governo Dilma eles tentavam tomar as medidas corretas, mas o descrédito era tal que nada funcionava.

3) E 2017?
Essa troca no e de Governo veio num momento extremamente oportuno, íamos bater com a cara no muro. Então, não dá pra gente recuperar como a gente gostaria, uns 3% de crescimento. Desemprego ainda está alto, vai penetrar alto ainda no começo do ano que vem. Mas ao longo de 2017 veremos melhorias em todas as áreas.

4) Em todas mesmo?
Claro que começa com alimentação, roupas, artigos de valor mais baixo. Não vai passar por automóvel porque houve uma antecipação de consumo nesses últimos anos, mas vai bater em eletrodomésticos e, quando os juros caírem bastante, e vão, até a construção civil vai voltar.

5) Até que ponto a política pode atrapalhar um belo horizonte?
Veja, estamos tendo progressos, isso é inegável. Você passar por uma Operação Lava-jato é como tomar banho numa lava-jato mesmo. É algo extremamente positivo, o mundo inteiro vê isso com bons olhos. A corrupção é o grande entrave. O safado que pega dinheiro do povo e usa para comprar um iate, uma casa na praia. Esse é imperdoável. Seja ele empresário ou político.

6) E o Caixa 2? Inevitável, sem fim?
Se no Brasil existiu, por muitos anos uma prática generalizada, em todos os partidos, de Caixa 2 para financiar campanhas, isso merece um tratamento diferente. Qual é esse tratamento? Apagar o passado e dizer: daqui pra frente, quem fizer vai pra cadeia como se fosse corrupto. Eu acho que é para isso que está se encaminhando.

7) Paz, ordem e progresso?
O mercado financeiro, de bolsa, gosta de paz. Claro que ele precisa que culpados sejam punidos, que a lei prevaleça, mas se a sociedade quiser fazer como fez com quem mandou dinheiro para o exterior com medo de confisco, se quiser fazer um perdão para quem não é criminoso e começar vida nova pagando imposto, pagando a multa e a partir daí, abrindo o jogo para a Receita Federal, a gente pode fazer algo parecido na política.