Paulo Navarro | terça-feira, 3 de setembro de 2019

Rodrigo Ferraz: fartura, fome e sabor de ideas

Foto: Guilherme Gazzinelli

Exemplo exemplar 

Precisamos fazer, com o maior prazer, um balanço do 22º Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, que terminou no último domingo, como mais um estrondoso sucesso de público e crítica. Louváveis o projeto e o próprio organizador, Rodrigo Ferraz, que, mesmo com tanto trabalho, mostrou-se disponível e bem-humorado como sempre. O festival serve, inclusive, para motivar o próprio Governo de Minas a incentivar.

Exemplo lapidar 

Incentivar iniciativas como o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes em outras cidades-monumento que não são ou, quando são, são subexploradas. Peguemos, por exemplo, o Circuito das Águas, como Lambari, Caxambu e a própria cidade natal do governador Zema, Araxá.

Exemplo perolar

Cidades que, “enquanto os cassinos não voltam”, poderiam, no mínimo, atrair os turistas mineiros que ainda frequentam as “clássicas” Cabo Frio ou Guarapari. Falta a interação que o Rio de Janeiro tem e explora em suas cidades serranas, como Itaipava, Petrópolis, Teresópolis.

Exemplo nacional

Isto sem citar cidades famosas que já estão no calendário turístico nacional, como Gramado (RS) e Brasília (DF), com seus festivais de cinema. Tiradentes, que sabe aproveitar seu potencial – tem outros êxitos, como a mostra de cinema, encontro de motoqueiros, entre outros e o ano inteiro – meio que ultrapassou a fama de Ouro Preto, com o Festival de Inverno. Faltam ideias que usem nossas cidades como cenários para a confraternização e encontros entre os próprios mineiros e brasileiros em geral.

Exemplo palpável 

Finalizando esse crucial tema, o turismo desperdiçado nas cidades mineiras. As pérolas como as de Tiradentes podem atrair até mesmo estrangeiros, quando forem sólidas e renomadas. Precisamos celebrar a vida entre as montanhas e outras riquezas da nossa natureza. Incentivar, apoiar, divulgar e, principalmente, criar outros eventos, não só no inverno.

Curtas & Finas

* Então, mais loas aos dois responsáveis pelo Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, o idealizador, Ralph Justino, e aquele que assumiu – não só o festival, mas o Projeto Fartura, com viagens em torno da culinária brasileira –, Rodrigo Ferraz.

Aliás, Justino criou a única coisa que funcionou em Barbacena, mas morreu por falta de incentivo, o Festival da Loucura.

No lado de Rodrigo Ferraz, a própria cidade de Tiradentes ganhou muito com o festival e o Projeto Fartura.

O clima de alta gastronomia serviu para que vários chefs abrissem negócios na cidade. Mesmo que sejam pequenos espaços, bistrôs.

Um festival como este, além de salutar, pois flanamos pelas ruas históricas, incrementa hotéis, restaurantes e o comércio em geral.

Comércio de doces e delícias mineiras: queijos, pimentas, geleias...

Bichinho, nos arrabaldes de Tiradentes, veio na esteira, com seu artesanato, galerias de arte, lojas de decoração etc. A grande Minas deveria seguir a pequena Tiradentes.