Paulo Navarro | terça-feira, 19 de maio de 2020

Saúde entre máscaras e taças de vinho: Lilian Mesquita e Patricia Salvador

Foto: Paulo Navarro

Este belo horizonte está voltando: Adriana e Oscar Dias Corrêa Junior

Foto: Edy Fernandes

Palavra de mestre

Na moda das “lives”, queremos registrar uma muito importante, divulgada dia 15, com José Isaac Peres (falando do Rio de Janeiro), fundador do Grupo Multiplan, responsável, há 45 anos por 19 shoppings, espalhados por todo o Brasil, incluindo o BH Shopping, Pátio Savassi e DiamondMall. Peres falou e discutiu a sombria atualidade com empresários de peso, em Minas, no programa Conexão Empresarial, de Paulo César de Oliveira, o PCO; mediado pelo jornalista João Kepler.

Palavra de testemunha

Peres começou dizendo que em sua longa vida empresarial – de 50 anos e pelo menos nove grandes crises – nunca viu uma tão grande e pitoresca como esta do coronavírus. Complexa também porque alvo de muitas especulações, desde sua origem, até o combate pelo Ministério da Saúde e as políticas e estratégias entre o Governo Federal, governos estaduais e as mais de cinco mil prefeituras Brasil afora e adentro.

Palavra certa

Peres disse que governadores e prefeitos têm direito ao erro, mas não de persistir no mesmo erro. E então citou números, “que falam mais que as palavras”, provando por A+B que o Brasil está numa situação muito menos séria e grave que outros países no mundo, exatamente no que conta e deveria prevalecer, a relação entre população e número de contaminados/mortos.

Palavras e números

Os dados citados por Peres são de 13 de maio: “Não fiquem surpresos! O Brasil, para cada 100 mil habitantes, tem o menor número de óbitos. A Bélgica (um país muito menor e menos populoso que o Brasil) tem 77,42 pessoas por 100 mil habitantes. Em seguida vêm Espanha, Itália, Reino Unido, França, Holanda, Estados Unidos, Alemanha, Irã e o Brasil, com ‘apenas’ 6,32 pessoas por 100 mil habitantes”.

Palavras e sustos

“Então, na forma como lidamos com esta doença não se atentou um pouco para o trauma que vive a economia brasileira. Em matéria de empregos, nós já devemos estar em mais de 15% de desempregados, segundo estes dados da Fundação Getúlio Vargas. Os Estados Unidos, que tinham 4%, já estão em 20%, projetando uma taxa de 25% de desempregados”.

Palavras e danos

“A partir daí, podemos analisar o que representa este desemprego no Brasil. Da forma como foi discutido o isolamento no Brasil, se deveria ser vertical ou horizontal, aqui prevaleceu o isolamento total. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, declarou que 80% dos contaminados estavam em confinamento, e que as pessoas que estavam trabalhando, como motoristas, profissionais da saúde etc., foram as menos contaminadas”.

Palavras e fatos

“Neste quadro, o Brasil deixou de ser uma Federação, faltou um comando. Não estou defendendo presidente A, B ou C, mas o que é constitucional e a estrutura do nosso país. O Brasil é uma Federação, uma união de estados autônomos. Essa falta de coordenação nos três níveis de Governo – Federal, Estadual e Municipal – trouxe este isolamento total, que, na minha opinião, não está dando o resultado que a gente esperava e, ao mesmo tempo, estamos destruindo a economia brasileira”.

Palavras e tiros

“O Brasil é diferente dos Estados Unidos, que é uma Confederação, onde cada estado tem sua própria legislação. O resultado da falta de um comando geral é que cada estado e município age como se estivesse em uma disputa para ver quem consegue fechar mais a cidade, como se isso fosse uma forma de medir quem protege melhor a população. Politizaram a pandemia e isso não é bom para ninguém”.

Palavras e medos

“Imagino que hoje o Brasil seja o país que mais tenha desemprego, algo acima dos 20%, calculo em torno de 25%. Entre estas pessoas desempregadas, provavelmente, teremos mais mortos que com o coronavírus. Uma estatística que trata muito bem esta questão diz que cada 1% de queda do PIB aumenta em 0,5% o número de óbitos no Brasil. No Brasil morrem por ano, 1,3 milhão de pessoas. Evidentemente, neste começo de ano, morreram muitas pessoas, inclusive por falta de atendimento. Estamos sofrendo a falta de gestão de governos passados e alguns atuais que deveriam ter sido mais previdentes nesta questão da saúde”.

Palavras e crimes

“Tivemos uma Copa do Mundo, investimos um ‘dinheirão’, tivemos uma olimpíada; fizemos estádios em cidades que sequer tinham futebol, um time de futebol. Estes estádios hoje são elefantes brancos. No Brasil, me lembro das palavras do (ex-presidente) Jânio Quadros, o que mata é o desperdício e a impunidade. Isso feito, nosso setor tem sofrido muito”.

Palavras e profecias

“Antes deste isolamento, do fechamento do comércio, tive a oportunidade de falar com dois governadores. Chamei a atenção sobre o problema e disse que nós queríamos ter uma atitude proativa. Nós, do setor de shoppings, queríamos ajudar, reduzindo horários, expediente; isolando, divulgando vacinação etc. De certa forma, eles não nos impuseram isso. E faço uma confissão: a Multiplan foi a primeira, por uma questão de consciência, sem imposição de governadores, a fechar os shoppings aqui no Rio de Janeiro”.

Palavras e tempo

Estes são os primeiros 18 minutos da “live” que durou 2h10. Então, recomendamos vivamente aos interessados que a assistam, na íntegra, no YouTube. Mas a toada foi essa, toada que completamos, a seguir, com Peres, no Blog do PCO: “Quando governadores e prefeitos decidiram pelo isolamento social, pensou-se que a situação não fosse perdurar por mais do que 30 dias. Passaram-se 60 dias e em algumas cidades ainda não há sinais de que a economia irá aos poucos voltar ao normal”.

Palavras e mortes

Temendo pelo pior, Peres acredita que as empresas ligadas ao comércio varejista e serviços, que representam mais de 70% do PIB do país, não irão sobreviver, e, aí sim, será o caos. Para ele, precisamos voltar ao normal. Isaac disse que tem discutido o assunto com o ministro da economia, Paulo Guedes, e está negociando uma linha de crédito junto ao BDMG para ajudar os lojistas. Nos shoppings administrados pela Multiplan, ele disse ter deixado de cobrar os aluguéis e os lojistas pagam apenas metade do valor do condomínio.

Curtas & Finas

* Ainda com a análise de José Isaac Peres: “O comportamento do consumidor, no entanto, mudou. Ele está entrando nas lojas para comprar somente o essencial e sua média de permanência não ultrapassa 15 minutos”.

“Tenho dialogado com os empresários, e esse é o melhor caminho para sair da quarentena. Os prejuízos somam R$ 300 milhões”.

Peres defende uma solução harmônica, que não coloque as pessoas em risco, e avisa que será muito grave se o isolamento for além de maio, porque a situação será insuportável para as empresas.

A “live” do Conexão Empresarial teve participação do vereador e líder do governo na Câmara Municipal de Belo Horizonte, Léo Burguês.

Participaram como debatedores a influenciadora digital Bella Falconi; o CEO da Construtora Patrimar, Alex Veiga; o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de BH, Marcelo Souza e Silva.

O presidente da Associação Nacional de Restaurantes, Cristiano Melles; o diretor regional da Vivo, Renato Gomes; o CEO do grupo Klus, Salvador Ohana...

O presidente da franquia Cherto e um dos fundadores da Associação Brasileira de Franchising, Marcelo Cherto; e, claro, o diretor geral do Grupo VB Comunicação, Paulo Cesar Oliveira, o PCO.

E a “live” ainda repercute na esteira de análises como esta: “A Amazon é gigante de papel, que lucra menos de 1% do que vale”.

Ao falar sobre a transformação digital no varejo, disse que, apesar da digitalização do varejo, o shopping não vai acabar. Para ele, o maior espetáculo do shopping são as pessoas, não as lojas.

* Por falar em coronavírus e saúde, não podemos passar em branco ou azul, uma data de suma importância para os verdadeiros heróis da atualidade: enfermeiras, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Dia 12 foi o Dia da Enfermagem e o Dia do Enfermeiro, em homenagem a Florence Nightingale, marco da enfermagem moderna no mundo, nascida em 12 de maio de 1820.

No Brasil, além do Dia do Enfermeiro, entre os dias 12 e 20 de maio, comemora-se a Semana da Enfermagem, data instituída em meados dos anos 1940, em homenagem a duas grandes personagens da enfermagem no mundo.

Florence Nigthingale e Ana Néri, enfermeira brasileira e a primeira a se alistar voluntariamente para combates militares.

Segundo o Dr. Google, “a profissão tem origem milenar e data da época em que ser enfermeiro era uma referência a quem cuidava, protegia e nutria pessoas convalescentes, idosos e deficientes”.

“Durante séculos, a enfermagem vem formando profissionais em todo o mundo, comprometidos com a saúde e o bem-estar do ser humano”.

Parabéns e muito obrigado a todos, sem esquecer médicas, médicos, profissionais da limpeza e da alimentação, atendimento e administração dos hospitais.