Paulo Navarro | segunda-feira, 1º de junho de 2020

O cantor e fotógrafo JP Lima e a produtora Érika Tomaz, que coordenam o Estúdio dez8um, espaço de conteúdo digital, fotografia, vídeo e música

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Direto dos “Anos Dourados”, antes da Covid-19: Alessandra Valente Mattar

Foto: Edy Fernandes

Escuridão no túnel

Da revista eletrônica “GK Brasil”: Cem milhões de empregos é a previsão de vagas perdidas no turismo em consequência da pandemia da Covid-19 pelo mundo. Segundo previsão da CNN, a crise, que está longe de terminar, deve afetar os países em diferentes graus, mas seu efeito será sentido por todos, já que a indústria corresponde a 10% do PIB mundial e a um em cada dez empregos, segundo o Conselho Mundial de Viagem e Turismo.

Escuridão nas ilhas

Pelo menos um terço desse total – cerca de 100 milhões de posições ou US$ 2,7 trilhões – estariam em risco devido à crise. O impacto será maior em ilhas, que têm grande parte da economia dependente do setor. As Ilhas Virgens Britânicas lideram a lista, com 92% do PIB ligado ao turismo. Em seguida vem Aruba (86%), Maldivas (75%), Seychelles (64%), Macau (59%), Antigua & Barbuda (52%), Bahamas (48%), Vanuatu (46%), Cabo Verde (44%) e Santa Lucia (43%).

Escuridão no Paraíso

Na Europa, o golpe também será duro, com estimativa de um bilhão de euros de prejuízo por mês. O continente representa o destino de metade dos turistas do planeta, com alta dependência em países como Geórgia, onde o setor corresponde a 31% do PIB, Malta, com 27% do PIB, Montenegro e Croácia, 25% cada. Portugal é o oitavo da lista, com 18% do PIB ligado ao turismo. Para piorar, mais que outros setores, o turismo será afetado por um período de tempo maior, uma vez que será necessário um esforço de confiança entre os países.

Escuridão na luz

Companhias aéreas como a British Airways não veem uma recuperação aos níveis de 2019 antes de 2023. No horizonte, o que se anuncia é uma prevalência de viagens de curta distância e uma alimentação do mercado doméstico, que deve aquecer antes dos trajetos internacionais. Com isso, países como os Estados Unidos, o México, a Índia e o próprio Brasil têm condições de recuperar-se antes – ou de não se afetar tanto – com as baixas próximas.

Luz no túnel

“A forma como cada país lida com a pandemia do novo coronavírus é crucial não só para uma reabertura segura do turismo internacional, como de todos os setores da economia. Não existe o falso dilema: ‘salvar vidas ou a economia?’. Algumas autoridades e parte da sociedade acreditam que os danos do isolamento social são maiores para economia”.

Luz à vista

“O melhor para salvar vidas e para a economia é: isolamento social, políticas coordenadas dos poderes públicos, transparência, população que colabora com o isolamento social, protocolos de segurança e sanitários. Quanto mais tarde se reage, mais tempo teremos que lidar com a ameaça do novo coronavírus e suas consequências para a saúde e a economia”.

Luz à vida

“Imagine que você vive em um país que conseguiu coordenar com transparência e colaboração da população ações contra a Covid-19. Seu sistema de saúde funciona e tem boa capacidade de atendimento. Seus aeroportos, restaurantes, comércio, pontos e agentes turísticos têm protocolos de segurança e sanitários ativos e eficientes. Você viajaria para um país que não tem nada disso? Nem você nem ninguém. Mas não precisa se preocupar, porque é muito improvável que qualquer país abra fronteiras para um país que ainda não foi capaz de controlar a Covid-19”.

Curtas & Finas

* Ainda sobre o pessimismo, infelizmente, realista, no turismo: “Controlar a Covid-19 é o problema do relaxamento e da falta de colaboração entre poder público, setor privado e população no controle do vírus”.

“Isso faz com que o dito país seja considerado área de risco e ninguém vai querer viajar para um lugar assim nem receber ninguém de um país que ainda se encontre nesta situação”.

“Outro fator vital para reabertura é a transparência. Não por acaso, o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Zurab Pololikashvili, declarou que ‘Confiança é a nova moeda do nosso novo normal’”.

“Para que possamos viajar de um país a outro, ambos países deverão ter o novo coronavírus sob controle e protocolos bem estabelecidos. E neste ponto o Brasil preocupa muito. Já somos o segundo no ranking de casos confirmados e a curva de contágio continua subindo muito”.

“Alguns países no mundo que conseguiram controlar bem a contaminação já ensaiam uma volta do turismo internacional. Antes de abrir para o turismo, um país tem como primeiro passo controlar a transmissão do novo coronavírus e apresentar curva descendente de casos confirmados”.

“O segundo passo é sair da quarentena com segurança. O terceiro é ter os protocolos de segurança e sanitários ativos e bem-sucedidos, em aeroportos, hotéis, atrações turísticas, espaços públicos, escolas, etc.”.

“Por fim, a abertura do turismo deverá acontecer em etapas concêntricas: local, regional, nacional, continental e intercontinental”. É importante levar em conta que a reabertura pode não ser gradual e ascendente”.

“As medidas de isolamento social podem ser intermitentes e as reaberturas podem passar por recaídas. Assim, uma possível lista de áreas de risco pode oscilar muito”.

“Por fim, a história e os fatos atuais confirmam que, quanto mais um país posterga, relativiza e flexibiliza as medidas restritivas contra o novo coronavírus, mais vidas são perdidas, mais o sistema de saúde do país perde o controle da situação e muito mais a economia e o turismo são prejudicados”.

“Reabrir mal significa reabrir sem efetividade e, muito provavelmente, ter que fechar de novo depois. A gangorra ‘economia x salvar vidas’ é, claramente, um falso dilema”.