Paulo Navarro | segunda-feira, 16 de julho de 2018

Durante a posse do novo presidente do TJMG, no Palácio das Artes, Amândio Soares e Roberto Fonseca

Foto: Edy Fernandes

 

Uma rua e seus ramalhetes

O cantor e compositor Tavito, integrante do Clube da Esquina, cantou, em verso e prosa, um retrato dos bons tempos da antiga Belo Horizonte que não voltam mais. “Rua Ramalhete”, seu maior clássico, diz: “Sem querer fui me lembrar/De uma rua e seus ramalhetes/O amor anotado em bilhetes/Daquelas tardes.”

Os ramalhetes da rua

Achamos nas redes sociais um texto de Paty Soares que traz uma leitura da Beagá de outras épocas: “A Rua Ramalhete era uma ruazinha composta de um quarteirão só. Começava na Rua do Ouro, no alto da Serra, onde a família de Tavito residia, e terminava num córrego cristalino onde hoje é a extensão da Rua Estêvão Pinto. Havia o costume entre a meninada que estudava no Colégio Estadual de sair das aulas e varejar pela Rua Ramalhete. Explica-se: a rua era povoada por moças, lindas, naquela idade em que se adolesce e o coração dos moços adoece.”

Rua de brinquedo

E continua: “Não havia trânsito de automóveis na Rua Ramalhete. Aos domingos, as meninas estendiam a rede de vôlei de lado a lado, jogava-se o dia inteiro, e os carros que se danassem. As noites sempre eram sonorizadas por rodas de violão entremeadas de castos namoricos furtivos”.

Rua das moças

“Aos sábados, festinhas onde se dançava coladinho ao som da boa música da época. Isso tudo ficava a poucos quarteirões do vetusto Colégio Sacré Coeur de Marie, com suas freiras de cenho franzido e hábitos negros. Esse colégio despejava na rua, duas vezes por dia, magotes de moças ensolaradas e sonhadoras, com suas saias enroladas na cintura para que os moços pudessem ver seu joelhos (quem sabe a primeira sugestão das coxas), tudo dentro dos limites do combinado como ‘linha da decência’”.

 

Rua de sonhos

E finaliza: “Esse trajeto Sacré Coeur/Rua Ramalhete constituía o dia a dia de Tavito e sua turminha de garotos normais, na fase mais doce da vida, tão doce que às vezes não nos apercebemos dela, a não ser anos mais tarde. Nesse território, Tavito e seu violão eram absolutos”.? Tempo bom que não volta mais.

Curtas & finas

* Ainda sobre “Rua Ramalhete”, nosso colega jornalista e leitor da coluna, Alexandre Pinheiro Neto, nos trouxe um relato sobre homenagem à música de Tavito e Ney Azambuja feita para a rua homônima.

Ele nos esclarece que, neste ano, completa 13 anos da placa comemorativa aos compositores da canção “Rua Ramalhete”, afixada em prédio na rua de mesmo nome, em Belo Horizonte.

Pinheiro Neto ressalta que a homenagem chama a atenção de pedestres e aguça a curiosidade daqueles que desconhecem a canção.

No mês de julho, o colorido dos ramalhetes em torno da placa atrai os olhares de transeuntes, que redescobrem a homenagem e, provavelmente, cantarolam a canção.

* O Minas Trend Outono Inverno 2019 já tem data e lugar. Será de 29 de outubro a 1º de novembro, no Expominas.

* A 11ª edição do Proação Fashion Day acontecerá no próximo dia 23 de agosto, no Mix Garden.

O evento contará com show da cantora Iza e terá marcas como Apartamento 03, Brooksfield, Manoel Bernardes, Patricia Bonaldi, Patricia Motta e Victor Dzenk no line up.