Paulo Navarro | segunda, 9 de maio de 2022

Entrevista com o paraquedista Francisco Caus. Foto: Arquivo Pessoal

Pássaro? Avião?

Não! É o Super Francisco Caus, que nasceu em Belo Horizonte e sempre foi fissurado pela arte de voar. Leonardo Da Vinci também, e em 1493! Começou voando de parapente na Serra da Moeda, logo depois iniciou o curso de ciências aeronáuticas onde dominou a arte do helicóptero e do avião. Ao morar em São Paulo, o maior mercado de helicópteros do mundo, começou a saltar de paraquedas em Boituva. Hoje, com 12 anos de paraquedismo, é dono de aproximadamente três mil saltos, instrutor para iniciantes e paraquedistas que desejam voar de “wingsuit”, uma roupa entre a asa de morcego e o terno de Batman. Apertem os cintos!

Francisco, não vá dizer que seu herói de infância era o Super Homem... Ou era?

Para ser sincero não lembro qual era meu herói na época de criança, mas desde bem novo sempre tive uma enorme admiração pelo nosso conterrâneo Alberto Santos Dumont. A história dele sempre me encantou muito! Assim como outros grandes nomes sempre foram uma inspiração.

E onde ficavam os pássaros e os aviões? No início desta paixão?

Lembro de algumas vezes, quando era criança, meu avô me levava a Confins. Na parte superior era possível ver os aviões chegando, de camarote. O tráfego era muito pequeno, assim, precisávamos saber a hora boa para conseguir ver no máximo duas ou três aeronaves operando. A ideia de ver um avião que estava decolando e, horas depois, já poderia ter cruzado o oceano, sempre me deixou muito curioso sobre como tal façanha era possível.

Pode resumir como começou e o que faz em 2022?

2022 começou com uma meta fracassada, participar do recorde mundial de formação vertical em queda livre. Infelizmente em 2018 quando tivemos a última tentativa desse recorde não consegui me qualificar, foi muito triste, mas, com certeza, serviu de lição. E depois de três treinos qualificatórios consegui o convite para participar desse recorde, mas até o grande dia, todo foco para estar lá!

É salto ou é voo?

Acho que é correto dizer salto, mas quando usamos “wingsuit” passa a ser voo.

Consegue nos explicar a sensação?

Uma vez ouvi uma expressão que era a seguinte: consegue me descrever uma cor? Cada um sente algo diferente, uns dizem que é liberdade, outros prazer e outros euforia. Mas para mim é muito mais do que uma sensação, é um estilo de vida, praticamente uma religião.

Qualquer idade é boa para começar a voar e saltar?

Não existe idade boa, quando tomar essa decisão será a boa! Normalmente, paraquedistas muito novos são levados por seus pais, com 16 anos, quando é possível começar o curso para saltar sozinho. Mas já vi pessoas de quase 90 anos saltando também.

O que é “wingsuit”? A capa do Super Homem?

No novo filme do Batman colocaram “wingsuit”, achei bem legal. Mas, basicamente, é um traje de voo que possui entradas de ar, e com a diferença de pressão começa a deslocar ao invés de apenas cair.

E “BASE jump”?

O “BASE jump” é quando saltamos de objetos, poucas pessoas sabem, mas o BASE significa: B, de prédio; A, antena; S, ponte e E, montanha. Traduzido do inglês, o “BASE jump” é um esporte bem mais recente, mas já tivemos uma grande evolução.