Paulo Navarro | segunda, 22 de novembro de 2021

Na “Dolce Vita” de Miami, Vivi e a mineira, Juliana Alvarenga, que foi de jornalista global à empresária de beleza. Foto: Arquivo pessoal

Outra Miami 

Do titular da coluna, depois de uma semana em Miami: Bacana conferir a cidade com outro olhar, que não o de turistas e dos “latinos”. Hospedado em um condado tipicamente norte-americana, Coral Gables, vizinho de Coconut Grove, vivencia-se um outro espírito da cidade. Ainda mais, sobre uma bicicleta.

Miami rodada

As bicicletas reinam na cidade, em pelotões e batalhões. Uma febre de esporte e saúde, contagiando Miami que, além de linda e limpa, é plana. Infraestrutura perfeita e democrática. Por falar em democracia, na Republicana Miami, nada da neura e da paranoia dos Democratas. Todo mundo sem máscara, incluindo os que fugiram dos estados que obrigavam o porte da mesma.

Miami charmosa

Ruas arborizadas, para suntuosas mansões, disponibilizam a “Bike Line” jardins afora. Nesta “trip”, um retrato colorido do bem viver. Na onda do pedal, testemunha-se o paraíso, incluindo charmosos cafés e restaurantes renomados. Pedalando até o farol de Key Biscayne, adorável prazer e muitas opções de lazer nas praias.

Miami doce

Colírio para os olhos carimbados por parques espetaculares, bem equipados, perfeitamente cuidados e com acesso democrático, inclusive para picnics. Das marinas, o píer vitrine da “Dolce Vita” de abonados que desfrutam a beleza da baía de Miami a partir de “Downtown”. Show! Miami vive um burburinho com a doce invasão de californianos e nova-iorquinos.

Miami tropical

Idem para ricos russos. Redescobrindo o paraíso, trocaram as temporadas durante o inverno, pela moradia definitiva. Isso, aproveitando os paraísos fiscais de governos democratas. Assim, os preços triplicaram com reflexos sobretudo no mercado imobiliário, que acusa altas de 30% a 40%.

Miami mundial

Especulação imobiliária que acabou tomando espaço de latinos empurrando-os para a periferia. Nesta demanda, novos restaurantes de NY se estabeleceram na cidade, agora, mais que nunca, cosmopolita. Com isso, o ticket médio parou em preços estratosféricos. Miami hoje é caríssima, mais que as capitais europeias. Claro, a alta do dólar ajuda e piora para os brasileiros. Impossível ir às compras como antigamente.

Paulo Navarro na pausa com pose no pedal, pela infinita Miami. Foto: Arquivo pessoal

Miami nacional

Enquanto no Brasil, quem ostenta, orgulhosamente, a bandeira nacional é um estrangeiro, Lewis Hamilton, na Fórmula 1, São Paulo, em Miami, a bandeira dos Estados Unidos é parte obrigatória da decoração, colorindo casas, prédios e espaços. Não é só no cinema que acontece este show de patriotismo, show que, no Brasil, é sinônimo de “fascismo” ou carnaval durante a Copa do Mundo.

Miami impecável

A cidade é linda e perfeita porque nela tudo funciona, das residências aos espaços públicos. Será que isso acontece porque em Miami as leis funcionam, são cumpridas? Com certeza! Impressionante como estes exemplos não são adotados por milhões de brasileiros que visitam os Estados Unidos. Outra diferença gritante? A cidade é um canteiro de obras sem fim, sempre se renovando e ficando mais bela.

Miami recompensada

Não bastassem as inúmeras qualidades, elas mesmas trazem outros invejáveis méritos. A bíblia da Gastronomia, o internacional e francês Guia Michelin, que contempla os melhores restaurantes do mundo e, nos Estados Unidos, brindava apenas Nova York, Chicago e São Francisco, em 2022, açambarcará também Miami, Tampa e Orlando.

No Il Gabbiano – Fine Italian Cuisine, o comandante José Afonso Assumpção e o titular da coluna, Paulo Navarro, entre Rejane de Paula Gomes e Fabiana Maria. Foto: Arquivo pessoal 

Curtas & Finas

*Por falar no Guia Michelin, em Miami, agora, algumas dicas, para quem puder e estiver programando viagem à cidade e seus encantos.

Carbone, ZZ’s Club, Mandolin, Cote, Kosushi, Call Me Gaby, Osteria Morini, Portosole, Il Gabbiano e Cipriani.

E num destes restaurantes, a conversa girou sobre os ricos brasileiros, em seus guetos, perdendo espaço.

O rico brasileiro se “empobrece” acompanhando o resto do país que sofre este carma sem fim.

No mesmo restaurante, o mesmo José Afonso Assumpção, com a arquiteta Andrea Schettino. Foto: Arquivo pessoal

Ao contrário de Miami, cheia de espaços livres, limpos e seguros, no Rio de Janeiro, por exemplo, é difícil ir e vir sem ser assaltado.

Um castigo para os ricos, cada vez mais trancados em suas gaiolas de ouro. É isso que não entendem e até estimulam em inexplicável masoquismo!

A gentileza urbana domina os espaços públicos, reflexo natural dos impostos pagos por seus cidadãos.

Em grande parte, foi construída sobre um pântano. Miami foi planejada para ser uma cidade jardim, casas sem os horrendos muros; arborizada, com grandes parques, praças e campos esportivos.

Desde então, recebe mais do que mera manutenção, sendo que seus equipamentos são constantemente renovados e o paisagismo acrescido de obras de arte.

Miami é um “brinco de ouro”, a começar pelos prédios, todos seguindo arrojada arquitetura e muita criatividade. Cada um é uma pérola, cercada de limpeza, ordem e progresso.

No mesmo espírito, a imponente verticalização assinada por grandes artistas.

Destaque para o One Thousand Museum, condomínio seis estrelas, última obra da saudosa e genial arquiteta iraquiana, Zaha Hadid, em Downtown.

Aliás, briga saudável entre arquitetos, quem faz o mais bonito. E a moda agora é batizá-los com nomes de grandes marcas de automóveis.

No trato público, destaque também para a sinalização do trânsito nas veias e artérias públicas que carregam uma cidade com overdose de veículos diariamente.

Trânsito claro, preciso, educativo e devidamente respeitado, mesmo porque a lei é dura.

E por falar em trânsito, voltemos e terminemos com o tema bicicleta.

A já citada “Bike Line”! Pistas pela cidade inteira, incluindo, claro, a orla.

A quantidade de gente que circula e se locomove em bicicleta é sinal de civilização e inteligência em mobilidade urbana.

Com isso, a população interage muito mais com o oceano de espaços públicos, integrando o conjunto, estreitando a relação homem/cidade.

Quilômetros e quilômetros de parques, litoral e vida. Um privilégio, um éden.

Um detalhe! Na porta de escolas e faculdades, no mínimo duas viaturas policiais e uma à paisana, na saída dos alunos.

O titular da coluna atualiza suas andanças em Miami lembrando a inauguração da bela nova loja da Artefacto em Coral Gables.

Ganhou grande e arrojada vitrine suspensa de frente para a via de acesso ao bairro fino.

A propósito de arquitetura, design e decoração quem faz e acontece são Andrea Schettino e Myrna Porcaro.

Já no capítulo arte, sobretudo em tempo da Art Miami, o nome é Flavio Almeida.                       

Retomando os restaurantes em voga: o Zuma em Downtown; o Juvia, na Lincoln Road; o Kiki e o vizinho Seapice Brasserie & lounge.

E ainda o Stubborn Seed, Firte dei Marmi, Hutong e o Novikov também em Downtown.

Assim, Lisboa pode até ser a nova moda, a nova menina dos olhos brasileiros, mas Miami continua a linda moça, estonteante mulher.