Paulo Navarro | segunda, 1 de agosto de 2022

Entrevista com a terapeuta Eliza Paula Aurélio. Foto: arquivo pessoal

Garra e Paz

Com extenso currículo, Eliza Paula Aurélio foi proprietária da academia “Garra”, por 15 anos, onde liderou uma equipe, em todas as modalidades, exercícios físicos, avaliação física, Pilates, “personal training”, yoga, artes marciais e dança. Um longo caminho, várias ferramentas. Mas foi sentindo a dor alheia, como se fosse a dela, que Eliza buscou e encontrou os conhecimentos multidisciplinares. Principalmente a essência, através do Rolfing® e das Terapias Integrativas. O corpo é um templo, Eliza, a sacerdotisa. Saúde!

Eliza, apresente-se, por favor, aos queridos leitores e idolatradas leitoras. 

Mais de 20 anos de experiência como profissional da Saúde. Formada em Educação Física pela UFMG. Ao longo da última década, aprofundei conhecimentos em Terapias Integrativas relacionadas ao movimento corporal, mental e psicossomático. Contudo, acrescentei às minhas especializações, Acupuntura (IMAM), Rolfing®, Integração Estrutural (ABR) e Dor Crônica (Instituto Albert Einstein).

E hoje?

Sou “rolfista” - aplico as técnicas do Rolfing - e utilizo outros conhecimentos, áreas de estudos e pesquisas. Em Experiência Somática (SE), reikiana e facilitadora de Barras de Acess. Nas especialidades em musculação e exercícios para grupos especiais, como Pilates, Gyrotonic®, Shiatsu. Além dos estudos do movimento corporal em suas diversas faces. O conhecimento do tecido conjuntivo-fáscia, tem sido meu foco de pesquisa.

Cada corpo uma sentença, um método de exercício? 

O corpo é a forma pela qual nos comunicamos com o mundo. O corpo é a relação; nele guardamos uma história, desenvolvemos padrões e experiências para lidar com o mundo. Contudo, criamos couraças e proteções no corpo. Aprendemos a nos organizar na Força Gravitacional da Terra, para que nossa postura possa ficar mais leve. Podemos nos expressar, exercitar, comunicar melhor e utilizar melhor o espaço que habitamos. O corpo conta uma história. Quando existe uma dor, temos movimentos que estão reprimidos. Alguns estão lá, alguns não são possíveis e outros, ainda não foram evocados. A melhor forma de trabalhar com as pessoas é ajudá-las a compreender seu potencial de ação, seu espaço subjetivo. 

O Pilates é moda ou veio para ficar?

Tanto as técnicas de movimentos, os métodos de exercícios físicos e a própria forma de reabilitação não são uma questão de modismo, mas de objetivo e foco. Entretanto, possuem sua eficácia, caso sejam aplicados adequadamente. A terapia que faço, é precursora de outros métodos. A dinâmica entre o relacionamento com o corpo e o mundo externo com exercícios aplicados a algum sintoma e/ou reabilitação de algum problema pontual - é uma resposta sólida, fundamentada na saúde integral.

Um êxito!

Desde o primeiro contato com a profissão, tive uma certeza: o movimento é vida, é saúde e cura. A sensibilidade em sentir as dores das pessoas, como se fossem as minhas, me excitou a buscar mais conhecimentos multidisciplinares. E a entender que tudo isso é possível tratar. Encontrei a essência através do Rolfing® e das Terapias Integrativas. Cada ser humano precisa ser tocado de acordo com sua essência em uma das quatro áreas do ser: física, emocional, mental e energética. Minha maior forma de realização e prazer deve-se a essa escolha!

E as passagens pela Terapêutica por Acupuntura, Shiatsu, Fitoterapia Chinesa; Florais de Bach, Reiki, e “Barras de Access”? Você continua ou evoluiu para outras técnicas?

Todos os conhecimentos foram e são válidos. O ser humano tem vários caminhos para chegar a um resultado desejável. Ainda faço uso desses métodos, quando necessário. Cada pessoa tem uma forma peculiar para ser tratada. Através das minhas dores e da vontade de me exercitar melhor, precisei encontrar meu espaço e me relacionar melhor com a questão corporal (força da gravidade). Todo terapeuta tem que vivenciar essa dinâmica na prática. Só posso contribuir com o outro, se experimentei em mim. No caso do Rolfing®, o “rolfista” vivencia três vezes esse processo, durante sua formação de três anos.

E o Rolfing® Integração Estrutural, via Albert Einstein?

Foi onde encontrei as respostas para minhas buscas acadêmicas. Defino o Rolfing como terapia, exercício, movimento e experiência. Você pode fazer melhor qualquer atividade após passar pelo processo do Rolfing®. Minha experiência, na pós-graduação do Einstein, contribuiu para conhecer melhor a visão da medicina na área da dor. Contudo, através da soma dos conhecimentos adquiridos, houve maior afinidade com a área médica, o que ocasionou uma profunda aderência para a indicação de casos, através dos médicos, para a minha clínica.

Por que o Rolfing® e terapias integrativas?

O Rolfing® é um processo. Mesmo após as sessões, continua agindo. A Acupuntura e as outras terapias se completam. Iniciar pelo Rolfing® é uma forma delicada de tratar o paciente, com o intuito de respeitar o tempo de aprendizado de cada um.

A chave, o estado desejável para a Saúde, é investir na parte física, emocional, mental e energética?

Sim, isso é Integração Estrutural. O corpo pode adoecer em diversas áreas, pois começa em desarmonia por uma delas. Ele pode também encontrar o canal de cura por uma delas e transitar para as outras. Cada pessoa tem sua forma para iniciar a integração.

Resumindo. Melhor prevenir, que remediar... Sempre!

Com certeza.

O perfil é o daquela pessoa que já procurou outras soluções para diversos males, mas não encontrou?

Há um tempo, era só esse o perfil. Isso tem mudado. Dores crônicas são as que mais atendo. Muita gente busca prevenção e autoconhecimento. Também atendo muitos idosos para prevenção de quedas, atletas para uma melhor performance, mulheres na menopausa, pessoas que se aposentam e pretendem ressignificar a vida, além de muita fibromialgia e neuropatias crônicas.

Perfil “metamorfose ambulante”?

A moda hoje é sair das técnicas e buscar áreas integrativas, ou seja, é o trabalho pelas fáscias, tecido conectivo. O nome da moda é “Integrativa”, que vem de dentro. O sono e a alimentação são importantíssimos. E trabalhar pelas fáscias contribui com esse caminho. A questão é: como estimular o dentro? Depende da natureza de cada um, o “rolfista” aprende a fazer essa leitura e conduzir o processo!