Paulo Navarro | sábado, 9 de novembro de 2019

Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação


O Mercador de Invasões

Caímos na armadilha de perguntar – como Cecília Meireles se definiu: “Não sou alegre, nem triste, sou poeta” – a Tonico Mercador que revidou: “Não, isso é mais um rótulo colocado na cabeça do poeta. Se não sou nem alegre e nem triste, quem sou? O que eu sou? Pedra, pau, concreto? Se não consigo passar qualquer emoção para as pessoas que me leem, que poeta sou eu?” A resposta, com vocês.


Mestre, sem bola de cristal, o que vai acontecer, dia 13 de novembro?

Lançarei dois livros. Um de prosa, “O Invasor de Livros”, outro de poesia, um único poema, “Cantos de Silêncio e Ausência”, pelos quais agradeço o estímulo de amigos.


Amor é prosa e sexo é poesia?

Ou vice-versa? A prosa me chamou e fui. Experiência muito gostosa, mas sofrida. Na poesia, as repetições se tornam raras, os versos são poucos. Já na prosa, existem os personagens distribuídos em páginas e páginas, misturados a descrições de cenas, paisagens, climas, argumentos, diálogos. Cada qual com seu mistério, seu espanto, sua luz e seus meandros.


Tem o MST e o MSL. Você é um invasor de livros?

Leitores são invasores, todos buscam invadir as histórias. Fosse possível, penso que todos os livros sofreriam alguma modificação nas mãos dos leitores. Sim, sou um invasor de livros.


Maranhense, mineiro de Saquarema (RJ). Tudo junto e misturado dá o quê?

Um homem que ama o mar e deixa que as ondas se quebrem dentro de seus olhos, nunca mansos, em paz. Ondas que se quebram na areia e apagam os poemas escritos ontem. Um homem que ama a cozinha mineira onde as conversas ardem no fogão à lenha e o torresmo segue o caminho da cachaça, que vai do coité ao peito, esquentando a conversa, a noite, os vagalumes.


Fernando Pacheco...

Grande artista, ótimo amigo, parceiro neste livro tão especial para mim. Escreveu com imagens o que eu escrevi com palavras.


Uma palavra para cada parceiro do livro: Madu, Jaime, Boca, Kautely e Caravana.

Madu é a querida e louca amiga a quem pedi que lesse o livro pela primeira vez e mesmo sem revisão. Deu no que deu. Ela é a grande responsável por eu estar inaugurando essa estrada da prosa. Jaime, o mais famoso Prado Gouvêa das Gerais, é um dos contistas mais brilhantes de Minas. E que gostou da aventura deste escritor invadindo a escrita de outros escritores. Boca,Roberto, amo como a um irmão, responsável pelo belo projeto gráfico. Kautely, Farrel é o revisor. Caravana é o grupo editorial que está apostando no mais jovem e velho escritor mineiro da atualidade: eu! Leonardo Costaneto e Olavo Romano me adotaram.


Um jogo com C de Cortázar.

Julio Cortázar é um mito cosmogônico da literatura fantástica. C de Cosmogonia, Cosmonautas e Cosmopistas; de Cronópios, Contos Circulares e Céu.


Quantos livros, quantos planos?

Mais um de poemas e três de prosa. Acho que à medida que envelhecemos a poesia vai nos deixando e a prosa vai nos absorvendo, nos dominando. Penso que poesia é para jovens.