Paulo Navarro | sábado, 8 de setembro de 2018

Foto: Leonardo Galvani


Leite de aço

O entrevistado de hoje é um homem, um trabalhador, um sábio e principalmente um comunicador. Talentos raros e dos mais exemplares e invejáveis. Sergio Leite, fã número 1 e presidente da colossal Usiminas, coração de aço do Brasil. Mas na atribulada vida de Sérgio há espaço para coisas ainda mais importantes e deliciosas, como a família e amigos, livros, BH, Rio, Tóquio e, claro, Ipatinga.


Sérgio, antes de tudo, um viajante?

O trabalho à frente da Usiminas me coloca sempre em trânsito. Só no Japão estive 35 vezes. Mantenho dois lares, BH e Rio de Janeiro. Naturezas privilegiadas. As montanhas e o verde aqui. No Rio, Copacabana e a Baía da Guanabara, que espero ver despoluída. Ressalto, ainda, o enorme carinho por Ipatinga, onde morei 20 anos.

E nas “bagagens”?

As viagens sempre nos enriquecem. Em experiência, ensinando a lidar com o inesperado, as diferenças. Viajar nos torna melhores. Tira-nos da zona de conforto, conhecemos pessoas e histórias que não conheceríamos de outra forma.

Os 40 anos de Usiminas confundem-se com a história da empresa?

Ingressei em 1976 na Usiminas, que já era sinônimo de qualidade e tecnologia. Nunca trabalhei em outra empresa. Cresci ouvindo histórias contadas pelo meu pai, que também era engenheiro, sobre a origem da empresa. Minha formação acadêmica foi toda voltada para essa área e para a Usiminas.

Um pouco mais sobre Usiminas...

A Usiminas, mesmo com todos os desafios, nunca perdeu a posição de líder no Brasil em aços planos e como um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina. É formada por equipe unida, solidária e resiliente. Apesar das turbulências, um novo caminho, grandes resultados.

E o escritor Sergio Leite?

O foco está no técnico. Já produzi mais de 60 artigos para congressos, eventos do setor. No futuro, poderia escrever memórias. Já há muito material.

E o palestrante Brasil afora?

Sou de compartilhar experiências, em mais de 100 palestras, apresentações. Tive experiência docente e atendo a convites para falar da Usiminas. As pessoas ainda se surpreendem com nossa superação.

Como conciliar a vida pessoal com a profissional?

Não abro mão de momentos de qualidade com família e amigos. Faço caminhadas diárias. Tenho profunda admiração pelos livros e formei uma boa biblioteca. Mas meu foco é a Usiminas, contribuir para profissionais felizes, realizados e motivados.

O que diria do momento atual do Brasil?

Delicado, ainda enfrentando recessão alarmante e instabilidade política. O Instituto Aço Brasil conversou com diversos candidatos à Presidência para sensibilizá-los. O setor é base para uma grande economia e gera empregos de qualidade. Estamos confiantes.

Que legado gostaria de deixar?

O da união e do respeito às pessoas. Ando sempre de mãos estendidas e de braços abertos. Sou otimista. Sigo acreditando no ser humano e em nossa capacidade de sonhar e de buscar o que nos faz feliz.