Paulo Navarro | sábado, 7 de agosto de 2021

Entrevista com a designer de calçados Paula Bahia. Foto: Nello Aun

Fora Cinderela!

Com vocês, a designer (criadora, fazedora) de sapatos, Paula Bahia. E por favor! Sem nos rotular de machistas, machões, ogros, vikings e legionários da Idade da Pedra! Com exceção dos fetichistas, homem mesmo não é chegado em sapato, prefere o pé da mulher. Sapatos, como lingerie, são molduras para obras de arte. Sapatos, até então, eram só aqueles Louboutin, da série “Sex and the City”.

O que a Paula Bahia tem e está tendo na Pandemia?

O momento é de perplexidade, reflexão e resiliência. Perplexidade pelo inédito momento. A última pandemia foi em 1918, a Gripe Espanhola, há mais de 100 anos. Reflexão porque é impossível escapar dela, no confinamento comigo mesma, distanciamento dos outros. Resiliência porque sou adepta do “sacudir a poeira e dar a volta por cima”. Me encontro em plena criatividade, com a fábrica trabalhando a todo vapor para que os pedidos sejam entregues.

De onde veio a precoce e sólida vocação para designer de sapatos?

Desde muito nova despertei o meu talento para a moda. Sem falsa modéstia! Observava, via revistas, vitrines, desfiles, “sonhos de valsa e de crepom”; desejava sapatos diferentes para compor meus próprios “looks”.

Teus sapatos harmonizam com que tipo de roupa? Não vale responder, “com todas” ...

Meus sapatos são perfumes e vinhos que harmonizam perfeitamente com o meu modo de ver e viver a vida, o que já é um amplo e belo horizonte. Despojada com “looks” ainda mais amplos, vestidos fluidos e descolados.

Você trabalha com materiais diversos, menos o cristal da “Cinderela”, correto?

Eu amo trabalhar na diversidade de materiais, cores e texturas, que fazem parte do DNA da marca. Cada material, um universo, uma história, um conto de fadas. Um conto de fadas, mas não o do “Gato de Botas”, nem o de “Cinderela”, porque o cristal dela perde o encanto. Gosto de ser, lembrando Carlos Drummond de Andrade, moderna e eterna.

Como ser original com um produto tão clássico, tão “imexível”?

Ser original é estar sempre atenta às inovações, novidades, tendências; é transformar o clássico de maneira criativa e elegante, mantendo a identidade do produto.

Você começou confeccionando sapatos à mão. E hoje? Qual o processo industrial?

Meus sapatos ainda são bem “hand made”. Claro que hoje tenho uma fábrica montada com esteira de produção, mas a essência é a mesma, trabalhamos para lojistas exclusivos em todo o Brasil. Um pé, dois; uma personalidade, várias; um sapato, um par.

Como foi 2020 e como está sendo 2021?

Ano de muitas mudanças. Mudanças que vieram para invadir e ficar. Tenho curtido muito minha casa, minhas plantas, corridas matinais, muita música, vinho, séries, filmes de montão! Compartilhar a vida com Helinho Faria é incrivelmente inspirador!

O que espera de 2022?

Muito trabalho. Que tudo isso que vivemos nos torne cada vez mais. Profissional e espiritualmente. Faz parte da evolução! E claro, 2023!