Paulo Navarro | sábado, 6 de novembro de 2021

Entrevista com Marisa Machado, diretora da Pólobh. Foto: Suzana Bicalho

Leoa Cultural

Nossa convidada hoje é a pioneira e múltipla Marisa Machado, diretora da Pólobh, descortinando o cenário da cultura antes, durante e pós pandemia. Antes e aqui entre nós, uma pessoa que foi picada “pelo ‘bicho da cultura’, contraindo as artes como missão, vai trabalhar com cultura até os últimos dias de sua vida”. Claro! E morremos de inveja saudável: o bicho foi Tom Jobim, arte sem fim.

Marisa, 30 anos de praia cultural?

A cultura entrou na Pólobh no início, de maneira espontânea. No último show de Tom Jobim no Brasil, em maio de 1991, no Palácio das Artes.

O que é Pólobh?

Nasceu em 1991, como agência de publicidade, mas viu oportunidades no mercado de marketing promocional e eventos. Hoje somos um bureau de soluções colocando à disposição dos clientes nosso conhecimento e bagagem acumulada.

Como vê a Cultura antes e durante a pandemia?

Já estava frágil, sendo muito “desafiada”. Isso ficou mais forte na pandemia, que exigiu uma transformação repentina na forma de produzir cultura. Mas os profissionais que sustentam essa cadeia produtiva e o público mostraram-se fortes para mantê-la viva. Ninguém vive sem cultura. Vamos superar.

E o pós pandemia?

É hora de dialogar sobre como será. Esse movimento de reinvenção em 2020 foi grande oportunidade de aprendizado e perspectivas que antes não faziam parte do nosso horizonte. Mas as fragilidades irão permanecer se não nos colocarmos à frente dos desafios.

Onde ficou o “Palco Instituto Unimed-BH em Casa”?

O projeto foi um dos pioneiros do teatro no virtual, oferecendo espetáculos dotados dos mesmos rigores técnicos das apresentações presenciais, mantendo a cadeira produtiva da cultura e minimizando os impactos negativos, como o desemprego de milhões de profissionais.

Quem é este público de dois milhões de pessoas?

Estamos alcançando gente de todo o Brasil. Aqui, o acesso à cultura não é democrático, pequena parcela da população possui recursos para isso. O “online” possibilita essa democratização. Nas “lives”, acompanhamos os comentários da plateia e grande parte está tendo a oportunidade de assistir a um espetáculo pela primeira vez.

Palco virtual ou híbrido?

O que mantém a arte viva é a interação entre o artista e a plateia. Mas a pandemia mostrou que o público está pronto para consumir cultura pelas duas vias. O virtual não vai substituir o presencial, mas o híbrido irá ficar.

O “Amanhãs”, de abril 2021, tem amanhã em 2022?

O Ciclo de Debates “Amanhãs” e a série de “podcasts” “Amanhãs: O Futuro das Artes da Cena” surgiram da necessidade da gente se movimentar no hoje para que o nosso amanhã seja mais próspero. Não sabemos como será, mas é possível nos prepararmos para ele, principalmente se refletirmos juntos como podemos contribuir com ele.

E amanhã? Outro dia? Outro normal, novo normal ou anormal?

Nenhum deles. Foco no presente, mas sempre com um olho no futuro.