Paulo Navarro | sábado, 6 de junho de 2020

Foto: Leo Lara

O homem que sabe demais

Antes da presidência do Conselho Administrativo do Grupo Hermes Pardini, Victor Pardini, nosso entrevistado, foi responsável pelo setor de Endocrinologia e Testes Funcionais, implantou os departamentos de Genética Humana, Citogénetica, Criovida (Banco de Cordão Umbilical, Banco de Sêmen e Centro de Tecnologia Celular). Tudo isso do alto de um doutorado em Endocrinologia Clínica pela Unifesp/Escola Paulista de Medicina; mestrado em Endocrinologia Clínica pela Escola Paulista de Medicina e, claro, da graduação em Medicina pela UFMG, com especialização em Clínica Geral. Resumindo, o homem entende do que faz e o que fala.

Victor, pessoalmente, como você está vivendo o confinamento?

Apesar da situação ser bastante desagradável por causa das mortes e das dificuldades que as empresas estão vivendo, este período com a família é muito gostoso. Meu filho faz um ótimo churrasco, minha filha é ótima contadora de casos e minha mulher cozinha muito bem.

Para começar, um assunto “light” e de curiosidade. De que região da Itália veio a família Pardini?

Da região de Lucca (Toscana), próxima a Pisa. Interessante que meu tataravô se chamava Victor Pardini. Apesar disto não tenho dupla nacionalidade. Tenho muito orgulho de ser brasileiro.

Justamente a Itália foi um dos países mais castigados pela Covid-19. Você acompanhou o drama?

A Itália tem uma população de mais idade e com muitas comorbidades, como hipertensão e diabetes. A média de idade dos italianos que morreram era de 80 anos. População bem idosa.

Em poucas palavras, que leitura você faz deste momento pelo qual estamos passando?

O coronavírus pegou a todos de surpresa, no mundo todo, não seria diferente no Brasil. Em três meses saiu da província de Hubei, na China, e já estava em quase todos os países do mundo. No Brasil, já estava no Acre e no Rio Grande do Sul.

Como o Pardini se preparou para esta crise?

Nos antecipamos e, antes de o vírus chegar, compramos os reagentes e insumos necessários para a realização dos nossos exames. Para se ter uma ideia, os Laboratórios Pardini foram um dos únicos do Brasil que não interromperam em momento nenhum a testagem do coronavírus pelo RT-PCR. É o melhor exame para diagnóstico da fase aguda da doença que se chama SARS-CoV-2. O padrão ouro.

Como fizeram para atender nas unidades Hermes Pardini?

Nas unidades do Pardini em BH, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro realizamos as coletas em domicilio ou por drive-thru.

E o serviço de Apoio a Laboratórios no Brasil, carro-chefe do Pardini?

O Hermes Pardini realiza exames para mais de seis mil laboratórios espalhados em quase duas mil cidades de todo o Brasil. Focamos nossa estratégia no apoio aos hospitais pelo país, onde estão os casos mais graves e que necessitam de internação. Assim, atendemos a mais de 550 hospitais em todo o Brasil.

Como fizeram isso tendo a malha aérea reduzindo 95% de seus voos?

Colocamos um avião exclusivo para trazer as amostras das principais cidades do Brasil para BH, demos o nome ao projeto de Jet Lab.

Temos visto algumas empresas focando no e-commerce, tem como fazer isso em laboratório?

Tem sim. As pessoas querem facilidade, o mundo hoje é virtual, no computador. Então criamos um site chamado exameemcasa.com.br para agendar, listar os exames e marcar a coleta dos exames laboratoriais, exames por imagem, as vacinas e principalmente o exame para Covid-19. Daí, é só aguardar um colhedor no seu domicílio ou passar no drive-thru. Seguindo o novo cenário, implantamos também teleconsultas em psicanálise, psiquiatria e atendimento para pacientes com suspeita da Covid 19.

Qual o papel mais importante do Pardini nesta crise?

Acho que tivemos uma responsabilidade social enorme ao dar suporte laboratorial no Brasil todo. Para se ter uma ideia da importância do Hermes Pardini, realizamos até final de abril 22% dos casos positivos do Brasil. Foram 40% dos casos positivos de Minas e 60% de Goiás e ainda 29% dos casos positivos do Rio de Janeiro e 21% dos casos de São Paulo.

Os mineiros e belorizontinos não foram tão afetados pelo vírus...

Em BH temos menos de 10% de positividade no RT-PCR nos casos suspeitos para Covid-19. Na Funed, o laboratório público, foram encontrados 4,5% de casos positivos. O percentual de pessoas em BH com o vírus é baixíssimo. Os mineiros estão de parabéns pela forma como enfrentaram a pandemia, se protegendo e ao próximo também, demonstrando empatia com o ser humano.

Os mineiros e o Pardini...

O Pardini atingiu a marca de mais de 100 mil exames de RT-PCR realizados, 96 dias após o início da pandemia. Este é um exame complexo, com várias etapas como extração, digestão, PCR e pós-PCR. É um exame para laboratórios com expertise em vírus ou RNA viral.

E hoje, como continua a guerra?

O Pardini faz cinco mil exames por dia do RT-PCR para Covid-19 e o resultado em BH sai em 24 horas (para os casos urgentes). Para saber se já teve a infecção, temos os exames sorológicos. Com a novidade de poder dosar apenas o IgG (Imunoglobulina G, um anticorpo), uma vez que na Covid-19 a imunoglobulina IgM positiva quase junto com o IgG. Fica mais econômico.