Paulo Navarro | sábado, 6 de julho de 2019

Foto: Leonardo Galvani

Sonho Possível

Graduado e mestre em Engenharia Metalúrgica, Sergio Leite de Andrade é diretor-presidente da Usiminas desde 2016, onde desenvolveu carreira de mais de 40 anos. E sobre a nova etapa: “Fico feliz em dizer que a Usiminas voltou a ser uma empresa normal. Vencemos uma fase crítica, graças à exemplar capacidade de mobilização; empenho de toda uma equipe. Nosso foco é a perenidade da companhia”.

Ipatinga fica dentro ou fora da Usiminas? Ao lado ou lado a lado?

A cidade nasceu, cresceu e se consolidou junto com a empresa. Construímos parcerias sólidas com as comunidades e com o Poder Público. Hoje, Ipatinga tem vida própria com uma invejável gama de serviços, instituições de ensino. É referência em saúde e continua se desenvolvendo em diferentes frentes.

Você, sendo especialista, como vê a qualidade da gigante Usiminas?

A Usiminas tem um centro de pesquisas referência na América Latina e é reconhecida há décadas pela excelência na qualidade de seus produtos e serviços, tendo os clientes como principal foco.

Minas deveria depender menos de suas commodities?

Minas é valorizada no mundo inteiro por sua cadeia minero-metalúrgica. Uma economia diversificada é sempre saudável para todos. Mas não teremos diversificação se não fortalecermos a indústria nacional. O setor, que já foi 25% do PIB, hoje é 11%.

Quão “japonesa” ainda é a Usiminas?

Na troca intensa de conhecimento e experiências. E esse fluxo de saberes foi enriquecido com outras culturas. Há muito do Japão, da Itália, da Argentina, de São Paulo e de Minas na Usiminas. Essa mistura deixa a empresa ainda mais global.

E a relação com as polêmicas mineradoras?

A mineração é essencial. O setor precisa continuar se desenvolvendo, gerando emprego, renda, com segurança. É uma exigência inegociável e legítima da sociedade que precisa ser, e será, atendida.

Você deve viajar muito. Quantas vezes já foi ao Japão? Gosta de lá?

Viagens nos enriquecem em vários aspectos. Gosto de viajar, e meu trabalho também requer bastante tempo em trânsito. Especificamente para o Japão foram mais de 35 visitas, em função da Usiminas. É um país fascinante, com uma cultura bonita e rica com a qual nós sempre aprendemos.

Por falar nisso, qual o papel da Usiminas no mundo?

A Usiminas atua em um mercado global. Vendemos para fora e concorremos com estrangeiros aqui. Nosso foco são as necessidades de cada cliente, para nos fortalecermos como um player de primeira importância na siderurgia mundial.

Uma definição de sonho, outra para felicidade...

Penso que sonhar é uma atitude de fundamental importância, essencial para a vida humana. Desde muito cedo, a partir dos sonhos, estabeleci como minha grande meta ser feliz. E mobilizar outras pessoas para sonhos coletivos, como a recuperação da Usiminas. Precisamos de um sonho brasileiro. Depois do presidente Juscelino Kubistchek, ninguém mais sonhou o Brasil.