Paulo Navarro | sábado, 5 de junho de 2021

Entrevista com o dono da cervejaria Albanos Rodrigo Ferraz. Foto: Nathália Alvarenga

Talento Teflon

Rodrigo Ferraz é nosso querido “Homem Teflon” porque não há crise que grude no talento que aplica na cervejaria Albanos, no Festival de Gastronomia de Tiradentes e no Projeto Fartura. Rodrigo também é avesso ao baixo astral e severo otimista. Está sempre de bom humor. Talvez porque nunca tenhamos “roído um osso” com ele. Pelo contrário, em sua companhia degustamos os mais finos acepipes.

Rodrigo, Albanos ou Albano’s?

Abandonamos o apóstrofo para simplificar. Mas, o que importa não é a grafia, mas a atenção, inovação e superação das expectativas.

Parece que foi ontem ou você contou cada dia destes 25 anos?

Ontem. Porém, pensando no trabalho, passamos por muita coisa. Isso dá força para mais 25, 50, 75 anos.

Teremos festa?

Pode ser que lá na frente. Será engraçado, como as Olimpíadas de 2020, em 2021. Não somos a favor de aglomeração, queremos que todos se cuidem de acordo com sua consciência. 

Qual o lugar da Albanos na paisagem urbana e etílica de BH?

Contribuímos bastante, mas não somos protagonistas. Inovamos sendo a primeira choperia, um dos primeiros “deliverys” de chope e “brew pubs”. E na rua Piumhi, o primeiro local com movimento de bares expressivo, além da Savassi.

Por falar nisso, na pandemia, BH continua a Capital dos Bares?

Esse título, no mínimo, foi arranhado. Perdemos muito e estamos entre os maiores empregadores da economia. Temos que trabalhar com apoio de todos, inclusive do setor público, para recuperar esse título.

Você conseguiu driblar mais uma crise, a pior de todas?

Sim. Amargamos prejuízos, trabalhamos muito, mas fomos criativos, perseverantes. A Albanos teve recorde no e-commerce. O Fartura foi o primeiro evento digital de gastronomia do país. Estamos mais fortes do que há um ano.

Já viu alguma luz no fim ou no começo do túnel?

Apesar de todos os atrasos, temos vacinas. E mesmo com pessoas ainda não respeitando algumas regras, houve conscientização. Para evoluir precisamos de pensamento coletivo e cidadania.

Perdas e ganhos na pandemia, por favor...

A economia retraiu, os estabelecimentos fecharam. Mas as pessoas estão mais solidárias, criativas e conscientes. E não existe ganho que compense a perda de 450 mil vidas.

Rodrigo Ferraz não é sinônimo apenas de Albanos...

Acho que meu nome poderia ser Rodrigo Albanos Fartura Tiradentes Ferraz. 

O que é “UAI Minas 300 Anos”?

Em Mariana, a primeira cidade do estado, pesquisamos um ingrediente para homenagear os 300 de Minas e os 25 da Albanos. O doce de leite foi selecionado. Mais mineiro, impossível... O sabor da cerveja ficou surpreendente e o nome foi escolhido pelo público.

No Brasil, os fins continuam vindo antes dos meios ou você anda mais otimista?

Falei essa frase pensando na realidade do Brasil. A “Lava-jato”, por exemplo. Perdeu-se tempo, dinheiro e até a saúde dos envolvidos. E voltamos à estaca zero. Mas, procuro ver a solução em vez do problema.