Paulo Navarro | sábado, 5 de dezembro de 2020

Foto: Edy Fernandes

Match Point

Em outubro, Bruno Oliveira e Natan Rodrigues conquistaram o vice-campeonato de duplas, no juvenil de Roland Garros, em Paris. Foi um belo sonho real. Fala Bruno: “Ainda não encontro palavras, mas o que chega perto é descrever como se estivesse sonhando acordado”. “Merci”, Bruno, por nos fazer sonhar, de novo, com Roland Garros em 1997, 2000 e 2001, quando Guga foi tricampeão. Você chega lá!

Bruno: Roland Garros! 

A realização de um sonho. Depois de uma vida trabalhando para poder jogar lá, sair finalista do torneio foi, de longe, o auge da minha carreira até agora.

Como você e Natan Rodrigues chegaram lá?

Somos grandes amigos desde os 12 anos e jogamos juntos desde os 14. Quatro anos de muito trabalho. O vice-campeonato comprova que estamos no caminho certo rumo ao título de Roland Garros no nível profissional.

Você esperava esse vice-campeonato? 

Minha parceria com Natan sempre foi vitoriosa. Sabíamos que a final de Roland Garros era possível, mas tínhamos a real noção de que vários excelentes jogadores estariam atrás do mesmo objetivo. 

Ano que vem, espera ir mais longe? 

Agora, em janeiro de 2021, dou mais um grande passo. Começo os estudos e treinos na University of South Carolina, Estados Unidos, onde mesclarei torneios do circuito universitário com torneios de âmbito profissional, iniciando minha transição para o mesmo. Minha meta é estar de volta a Roland Garros como profissional em 2026, logo depois de finalizar essa nova fase e começar a me dedicar exclusivamente ao circuito profissional.

O que faltou? Treino, patrocínio, sorte?

Na final, jogamos contra grandes adversários. Eles tiveram um dia melhor e acabaram saindo com a merecida vitória. Infelizmente, somente uma parceria sai vencedora. 

Pensou e pensa no feito de Guga? 

O Guga é e sempre será um ídolo. Sabíamos o que ele representa em Roland Garros, mas estávamos focados em fazer o nosso melhor para que os resultados do Guga servissem de motivação.

Vai continuar tentando em dupla ou pretende investir numa carreira solo? 

Vou investir na simples e na dupla. Tenho bons resultados nas duas modalidades e treino para que consiga atingir o sucesso em ambas.

E o profissional, nos planos? 

Esta fase nos Estados Unidos será muito importante para amadurecer ainda mais e me preparar o melhor possível para entrar no circuito profissional e realizar a transição de uma maneira bem natural.

Como vê o Brasil no futebol, na Fórmula 1 e, claro, no tênis? 

O Brasil prioriza o futebol, levando com ele a maior parte da atenção do público e investimentos, o que acaba prejudicando os outros esportes. A Fórmula 1 e todas as outras modalidades de corrida são fascinantes e que eu tenho a honra de acompanhar de perto, em função da minha amizade com o Serginho Sette Câmara. Na era pós-Guga temos inúmeros e grandes talentos já no circuito internacional e/ou iniciando a transição para o profissional. Em breve teremos grandes resultados de jogadores brasileiros no circuito mundial.