Paulo Navarro | sábado, 4 de maio de 2019

Foto: Paulo Rossi Eventos/Divulgação

Sir Paulo e Dom Rossi

Paulo Rossi é uma grife. Um cosmopolita que ama o Brasil. Um homem culto, inteligente, talentoso e sobretudo apreciador do belo. No currículo acadêmico, Comunicação, com especialização em História da Arte e Museografia, em Roma, aquela história viva, eterna, a céu aberto. O pé no chão, jamais no freio, o levou dos museus para o presente do luxo, da criatividade e do bom gosto em eventos.

Como viu o Museu Nacional e Notre-Dame em chamas?

Fiquei bem abalado. Um horror! O pior é a quantidade de brasileiros que lamentam Notre-Dame, que já a visitaram e nunca viram nem verão o Museu Nacional, que se extinguiu totalmente.


O que te levou dos museus à área de eventos?

Trabalhei anos montando museus e exposições. O que me levou aos eventos foi a baixíssima remuneração, que perdura até hoje nos mais diversos setores da cultura.

Nestes mais de 30 anos, algum evento ficou para sempre?

Alguns são inesquecíveis. Pelos locais, pelo aparato montado, pelas pessoas presentes, mas muitas vezes pelos clientes que se transformaram em amigos.


A trabalho, você conhece todo o Brasil e até o exterior. Mas o que te atrai como viajante?

O inusitado. Kyoto, no Japão, não me sai do pensamento. A Itália tem lugar cativo na minha vida pessoal e profissional.

Como consegue unir trabalho, diversão e arte nessas viagens?

A curiosidade. A arte está sempre associada ao meu trabalho que é também lazer, com desejos. A diversão vem a reboque disso tudo.

Arte e beleza são fundamentais em tudo?

Sim. Estão na natureza, na humanidade, na pintura, na música na poesia, na dança, nos gestos, nas palavras (Viver é uma ARTMAN).

Cansado de guerra, nunca! Mas pé no freio, como consultor Brasil afora?

Nunca! Freio sim, enorme, no nosso país. Não podemos desconsiderar a vulgaridade que reina. Muitas vezes os conhecimentos de um profissional são relegados em detrimento de ofertas duvidosas que grassam o mercado. Hoje o que mais se vende e mais se compra são “gatos por lebres”.

O Brasil é chique ou nunca será?

O Brasil foi, é e sempre será chique. Não está fácil. Depois de espanadas estas sujeira e ignorância, daremos a volta por cima. Não esqueçamos países que foram praticamente destruídos por guerras e hoje são expoentes no mundo. A China será a primeira potência. As pequenas Coreia do Sul e Dinamarca têm as melhores qualidades de vida do planeta. São exemplos chiques a seguir.

Qual a atual realidade do mercado de eventos?

O Brasil quase parou e certamente o mercado de eventos sofreu. Os que anteviram a crise se safaram. O mercado foi invadido por “migrantes” que viram nos eventos a tábua de salvação. Com isto o setor se vulgarizou e apareceram “cerimonialistas e assessores” aos montes. Gente que nem sabe o que é cerimonial. Há diversos relatos que falam dos maus profissionais que deixaram seus contratantes na mão e muitas noivas chorando nas portas de igrejas.