Paulo Navarro | sábado, 4 de janeiro de 2020

Foto: Paulo Lacerda


Parreiras férteis

Há 25 anos Eliane Parreiras é a “Madame Cultura” de BH, de Minas. Agora, voltando às origens, não tão longínquas, ela é, de novo, presidente da Fundação Clóvis Salgado (FCS), que vai muito além do Palácio das Artes, onde ela já deu um jeito em tudo, com o auxílio luxuoso e culto do governo estadual. Mas “muito é muito pouco”, e Eliane quer mesmo é potencializar as 1001 diretrizes da FCS.


Eliane, qual a colheita em oito meses de plantação, inclusive em parcerias?

Meses intensos, de reposicionamento, fortalecimento da FCS. Foram realizados investimentos importantes na infraestrutura do Palácio das Artes, como a central elétrica, o sistema de “dimmers” e estrutura cenotécnica. Novas melhorias virão. Foram fortalecidas pluralidade, democratização do acesso e formação de público. Retomamos e ampliamos importantes parcerias com a Cemig, o Instituto Moreira Sales, o Itaú Cultural, a Unimed BH, a Usiminas e a Vivo.


Outras parcerias são bem-vindas?

Muito bem-vindas. Estamos avançados na negociação com empresas de instituições culturais. E fortalecendo relações com Belo Horizonte e outras cidades. Queremos uma rede de apoio à Fundação Clóvis Salgado, especialmente em seus 50 nos.


A cultura que não tem preço custa caro?

É dos melhores investimentos. Traz resultados rapidamente na formação humana, na transformação social e na geração de atividades econômicas, ampliando a cadeia produtiva. E queremos democratizá-la.


Verão chegando, lembra o velho problema do ar-condicionado...

No Grande Teatro Cemig Palácio das Artes ele está em pleno funcionamento, graças ao Governo do Estado com recursos diretos.


Redes sociais decidem até eleições. E na FCS?

Estamos planejando um programa de transformação digital que inclui ampliação de oferta de conteúdo, informação e serviços pelos meios digitais e a gestão estratégica das redes sociais. O público tem demonstrado muito interesse pela programação de nossos espaços, em grande convergência para as redes sociais. Impossível pensar a cultura sem as redes. Desde o início da nossa gestão tivemos aumento de 300% nos nossos seguidores no Instagram, aumento no número de visualizações em nosso site e Facebook.


E a programação para 2020?

Muitas atrações nacionais e internacionais. O público ficará feliz com a programação do ano 50 da FCS.


Como avalia a Cultura neste novo Brasil?

Tenho 25 anos dedicados à Cultura. É preciso que a Cultura entre na agenda estratégica de desenvolvimento do país. Precisamos de políticas públicas. É preciso perceber a força da cultura na educação não formal e informal. É o único caminho possível para o desenvolvimento regional e do país.


Qual seu grande sonho de gestão?

Fazer com que a cultura seja valorizada como ela merece e que todos no Brasil tenham acesso.


Cultura rima com otimismo?

Sim. A arte também. Como diz Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta”.