Paulo Navarro | sábado, 31 de agosto de 2019

Foto: Glauco Lúcio

 

Arquitetura de viver

Bernardo Farkasvölgyi é um dos mais reconhecidos arquitetos brasileiros. Dirige a Farkasvölgyi Arquitetura, 46 anos de mercado, mais de 1.000 projetos realizados. Premiado no Brasil e no exterior, o que acharíamos em seu sangue? Cimento, ferro, vidro, poesia ou formas? “Mais poesia e formas. Os materiais de nada serviriam sem a poesia e sem as formas, para o desafio de criar algo único”.


Como filho de arquiteto húngaro, conhece a Hungria, gosta do “antigo”, da Europa?

Conheço e sou apaixonado pela terra natal do meu pai. Farkasvölgyi é um sobrenome de arquitetos e represento a quarta geração da família. Quanto ao antigo, gosto e considero. Vejo as cidades como um mosaico, contando várias histórias de épocas diferentes que, juntas, formam a inteira e rica história de um lugar.

BH tem pouca história, monumentos e arquitetura. Por que aqui, ao contrário da Europa, o Centro da cidade é tão negligenciado?

A história de BH é recente, mas significativa. O diálogo entre novo e antigo é estimulante. Quanto ao Centro, na Europa tudo se volta à requalificação dele. Eles têm um peso que aqui é ignorado. Estranho, pois é onde se encontra a melhor infraestrutura urbana: água, luz, esgoto.

Seu pai, István Farkasvölgyi, Niemeyer, Calatrava, Lloyd Wright são referências ou apenas fotos em livros?

Referências no meu inconsciente, mas, falando do meu pai, sempre respirei a sua arquitetura lógica e sensível.

Tradição e tecnologia fazem um bom coquetel?

Só projeto à mão, mas a Farkasvölgyi Arquitetura está na ponta da tecnologia. Ou seja, meus projetos nascem a partir de lápis e papel e, em seguida, conversam com o que há de mais avançado no desenvolvimento arquitetônico. Excelente coquetel.

O que é a plataforma BIM que rima com CAM?

O Building Information Modeling (BIM) é uma tecnologia que permite criar modelos virtuais completos e precisos de um projeto construtivo em todas as suas fases, de forma global. O projeto da Arena MRV só se tornou possível porque foi realizado em BIM.

Outra rima: turismo de negócios, Expo Park Pampulha, Domani, All Business Center e Medplex.

Temos vocação para o turismo de negócios, mas onde estão os espaços? O Expominas atende apenas feiras, o Minascentro está fechado. O Expo Park foi pensado para feiras, convenções, eventos de todos os tamanhos, incluindo inúmeros auditórios e acrescentando a hotelaria. Um investimento privado de R$ 400 milhões! Por que ainda não se tornou realidade? É motivo de perplexidade. Domani, ABC e Medplex (todos projetos premiados no exterior) promovem uma interação entre espaços públicos e privados, sem muros ou cercas.

Tom Jobim tem uma linda música chamada “Arquitetura de Morar”. Como se chama a tua?

A música de Jobim é sinuosa, repleta de nuances e descreve bem o fazer e o viver arquitetônico. Minha arquitetura é paixão, qualidade de vida. Não projeto para mim, mas para o mundo.