Paulo Navarro | sábado, 30 de novembro de 2019

Foto: Divulgação/Oncomed


O amante da cura

Hoje, Amândio Soares, presidente da Oncomed, fundada com outro especialista em oncologia, Roberto Porto Fonseca, em 1994. Resultado: maior índice de cura, controle dos efeitos colaterais da quimioterapia, qualidade de vida e, em pacientes incuráveis, aumento da sobrevida. O “segredo”? Tratamento e humanização da abordagem, acolhimento, multidisciplinaridade das terapêuticas específicas.


Amândio, a oncologia evoluiu muito desde sua formatura em medicina? 

Nas duas últimas décadas, ocorreu uma redefinição dos cânceres. Num passado recente, tratávamos os pacientes como se tivessem uma única doença. Mas o câncer de mama é um grupo de doenças, cada um com um tratamento especifico. Como o câncer de pulmão, melanoma, intestino grosso e outros. Tivemos também grande evolução em drogas alvos e imunoterapia. Drogas que agem em pontos específicos, impedindo o crescimento e a proliferação das células tumorais. A imunoterapia é um tratamento biológico que estimula o sistema imunológico combatendo e destruindo as células do tumor; estimulando o sistema imunológico contra as células tumorais.


O que é preciso para evoluir mais? Pesquisa?

Esse entendimento no câncer de mama precisa chegar a todos os cânceres. Outro ponto é a individualização dos tratamentos. Por que alguns pacientes apresentam boa resposta e outros não?


Como está a oncologia de Minas no ranking brasileiro e mundial?

O tratamento e novas medicações aprovadas, nos EUA e Europa, rapidamente são aprovadas no Brasil.


Por que o câncer ainda é uma palavra tão temida?

Historicamente, o diagnóstico de um câncer carregava representações simbólicas negativas. Até hoje a palavra câncer não é verbalizada por muitos pacientes, mas com curas e campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul, observamos uma maior aceitação.


Qual o grande segredo contra a doença?

A prevenção primária e secundária. A primária pode impedir o desenvolvimento da doença, com mudanças de hábitos. A secundária diagnostica o câncer precocemente e aumenta as chances de cura, com abordagens menos agressivas, mais eficazes. É consenso que atividade física, alimentação adequada, não fumar nem exagerar na bebida alcoólica, dieta rica em frutas e em vegetais reduzem a incidência de câncer, contribuindo na redução da mortalidade.


Qual o câncer mais mortal no Brasil?

O câncer de pulmão, 27.929 casos em 2017, seguido do câncer de mama na mulher e do câncer de próstata no homem.


A doença tem vítimas e populações preferidas?

Com todo progresso, a incidência aumentou. O câncer pode acometer qualquer faixa etária, mas é mais comum nas faixas etárias avançadas.


Para terminar, cura e qualidade de vida. Razões para otimismo?

A cura é uma realidade com qualidade de vida após o tratamento.