Paulo Navarro | sábado, 29 de junho de 2019

Foto: ABRH-MG/Divulgação

Nós e os robôs

Eliane Ramos é presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Minas Gerais. E nossa entrevistada já chega convocando para o Fórum ABRH–MG 2019, dia 2 de julho, no Centro Cultural Minas Tênis Clube, com grandes palestrantes e executivos. Um dia de intenso aprendizado sobre a importância de digitalizar as empresas. No entanto, claro, sem esquecer, as pessoas, imprescindíveis.

Vivemos numa “Caixa de bombons”, como você escreveu aqui mesmo em O TEMPO?

E você nunca sabe o que vai encontrar.

“Metade das carreiras atuais irá desaparecer” é um futuro, ao mesmo tempo, assustador e desafiador?

E milhares se apresentarão, ligadas à internet das coisas, big data, robotização; as combinações entre as inteligências humana e digital. Acredito na união das conexões sadias, onde podemos reunir forças, usar menos do “eu” e mais do “nós”. Podemos encarar qualquer futuro sem medo, contanto que saibamos que não o enfrentaremos sozinhos. Precisamos das interações cara a cara, de diálogos francos. Quando temos muito do “eu” e pouco do “nós”, nos tornamos vulneráveis e sós.

É a boa e terrível história, dificuldade rimando com oportunidade?

As grandes dificuldades nos fazem crescer, aprendemos com os erros e ganhamos muito mais energia quando realmente se tem o desejo e a necessidade.

Concorda que os grandes problemas humanos são a burrice, como diria Nelson Rodrigues, e sua irmã gêmea, a falta de comunicação?

Burrice é você não mudar e continuar insistindo em algo que não consegue perceber resultado. A falta de comunicação é outro grande problema, comunicação não é o que você fala, é o que o outro entende. Fale da forma que o receptor vá entender e que fará sentido para ele e sempre ouça com reflexão.

Afinal, este mundo novo é admirável ou um bicho papão?

O mundo sempre será admirável para quem se reconhece como aquele que ele gosta de ser, mas, verdade, com muito mais bichos papões e sugadores de energia do que Aldous Huxley poderia antecipar. Treine o seu cérebro para focar no positivo. E mais, como escreveu Anne Frank, em seu diário, “Quem for feliz quererá tornar os outros felizes também”.

Quais serão os empregos do futuro?

Resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, liderança e gestão de pessoas, julgamento e tomada de decisões, orientação a serviços, negociação e flexibilidade cognitiva.

Este palavrão, “accountability”, é túnel ou luz?

É uma atitude individual e positiva, principalmente diante das situações mais difíceis.

Para terminar, só existe o presente? Preocupar-se com o futuro é tão inútil quanto viver no passado?

A pergunta é fantástica, pois celebramos o “Centenário do Eclipse de Sobral”, que confirmou a Teoria da Relatividade, de Einstein. Passado, presente e futuro são indissociáveis e os seus ritmos determinam o nosso ser. O passado define o brilho da luz presente que ilumina o futuro.