Paulo Navarro | sábado, 29 de dezembro de 2018

Foto: Suzana Latini

Madeira de Lei

Madeira rara, de demolição, reciclada também. Porque a publicitária Carla Madeira, diretora de criação da agência Lápis Raro, demoliu e reciclou a matemática, a professora e a música. Da alquimia, saiu a profissional premiada e talentosa. Talento que também a levou à literatura. Em dezembro, lançou seu segundo romance, “A Natureza da Mordida”. O primeiro foi “Tudo é rio”. Ou não, e mar!

Carla, primeiro, um pequeno resumo sobre quem é Carla Madeira, como chegou aos píncaros...

Eu fazia Matemática... Depois de dois anos, abandonei para estudar Comunicação Social – também na UFMG. Graduei-me nas três áreas da Comunicação. Fiz pós-graduação em Marketing. Fui professora em escola infantil. Toquei em uma banda e participei de um grupo de pintura.

Aí, a Publicidade...

Aos 32 anos, eu e duas sócias abrimos a Lápis Raro com a cara e a coragem. Hoje são 32 (também) anos de história.

Você acaba de ganhar mais um prêmio do Sindicato das Agências de Propaganda de Minas Gerais, o Sinapro, como melhor profissional de criação de Minas. De tabela, sua agência, a Lápis Raro, abocanhou outros? 

Sim, ganhamos também melhor agência do ano; melhor profissional de atendimento, Renata Pereira; melhor RTVC, Marcelo Henrique, responsável pela produção eletrônica da agência, também chamada de produção audiovisual – é o RTVC que tem o argumento e a explicação na ponta da língua para cada centavo gasto na produção n.d.r.; e melhor anunciante, Drogaria Araujo!

Muito orgulhosa? 

Muito mesmo! É um reconhecimento que nos alegra e motiva!

E para estes 32 anos de história, este case de sucesso tem receita? 

Tem uma receita infalível: misture muito trabalho com doses elevadas de criatividade.

Você e sócias sofreram muito preconceito, entrando num mercado predominantemente masculino?

Não tenho essa percepção. Chegamos de um jeito muito inovador, profissional e consistente. Não demos espaço para quem duvidou que não podíamos fazer o que fizemos.

Qual o diferencial que vocês agregaram ao mercado publicitário? 

Capacidade de sermos relevantes para o negócio dos nossos clientes.

Qual o balanço você faz do mercado atual publicitário mineiro e brasileiro? 

O mercado está sofrendo com as mudanças. As mudanças exigem capacidade de se transformar com velocidade. Quem souber fazer isso vai enxergar inúmeras oportunidades.

Qual a bola da vez? 

Esquecer o tal do “ou”. Agora é tudo ao mesmo tempo. Tudo comunica.

É possível viver de publicidade em Minas Gerais sem verba de governos? 

Sim, é possível. A Lápis Raro nunca dependeu do Governo, embora tenha feito trabalhos importantes para o Governo.

Como conciliar criação de filhos com a de publicidade, a de arte (pintura, música) e, nos últimos anos, de livros?

Amando e se divertindo ao fazer tudo.

Qual o gosto da mordida na natureza? 

De sucesso! Estou muito feliz com os retornos entusiasmados que venho recebendo.