Paulo Navarro | sábado, 29 de agosto de 2020

Foto: Edy Fernandes

Supermulher-Maravilha

Não tem tempo feio para Rafaela Kayser Nejm. Nem tempo de Covid-19, muito menos a desperdiçar. A mulher é uma imperatriz até no sobrenome, quase “Kaiser”. Imperatriz libanesa, 100% brasileira, 1000% mineira. A mulher amorosa que coloca o ingrediente amor em tudo que faz e a palavra amor, em toda a entrevista. Jovem, bonita, mãe, talentosa, obstinada; com uma otimista visão de futuro, calcada nas tradições mais nobres de outras duas palavras onipresentes: família e negócio (trabalho)! Muito trabalho e muita dedicação rimando com vocação. A seguir, o “superfermento” de Rafaela, com açúcar (ou adoçante) e afeto.

Rafaela, uma rápida apresentação aos leitores, por favor. 

31 anos, virginiana (faço 32 no próximo dia 21 de setembro), mãe de dois filhos, divorciada. Sócia empresária do Grupo Super Nosso. Atualmente, atuo no Conselho de Administração, especialmente no desenvolvimento das estratégias de Marketing e de Produtos (exclusivos e marca própria).

Apenas 31 anos, muito trabalho e responsabilidade? 

Fui criada com muita responsabilidade. Meus pais pregaram valores nobres, sempre ensinaram a cumprir compromissos, a ter autorresponsabilidade pelos meus atos, assumir as consequências, ter ética, seguir os ensinamentos de Deus; dar valor, respeitar e saber lidar com a “energia” dinheiro. Sempre fui muito empenhada com estudos e, quando fui para a faculdade de Direito, também comecei a trabalhar, aos 18 anos.

Então o “negócio e a energia” começaram ainda mais cedo...

Não só aprendia, como também tinha que produzir, cuidar de algo. Então sempre tive responsabilidades, deveres a cumprir, regras para respeitar. Desde os 22 anos fui desafiada a assumir a área de Marketing, tive que ser autodidata e responder pelo departamento. Buscar conhecimento e ter a responsabilidade, ao invés de apenas “criticar”, ou apontar oportunidades, tinha que fazer acontecer.

Já era então marketing puro.

Me tornei diretora de Marketing e tive que ser autodidata na área, enquanto finalizava a faculdade de Direito (eu não quis abandonar, desistir – se começo algo, tenho que terminar). Minha estratégia na época foi buscar conhecimento, e me cercar de pessoas e fornecedores competentes para colocar em prática minhas ideias para o departamento “crescer”, valorizarmos as nossas marcas e gerar mais valor e resultados para todos.

O diploma de advogada ajuda ou está aposentado? 

Sou formada em Direito pela UFMG. Sem dúvida, o diploma foi e é útil. Mas hoje está “aposentado” pois não atuo diretamente na área jurídica. O Direito é um curso para a vida: entender as leis, o sistema jurídico, o poder público, a lógica das relações e do ser humano, as proteções das relações, a filosofia, ética... Tudo isso me deu base e sou muito grata por ter estudado.

Aposentado entre aspas, porque na prática, muito atuante.

Na prática, é fundamental, como empresária, ter a base do Direito para as relações contratuais, societárias e com o consumidor. Me identifiquei com o curso, pois sou uma pessoa muito correta e também muito argumentativa, o que cresceu ainda mais com o curso – ter provas, argumentos, raciocínio lógico... Porém, infelizmente, não me identifiquei com a carreira jurídica, pois vejo nosso sistema público, as leis e o judiciário muito arcaicos. Eu me aborrecia com toda a burocracia e lentidão. Cresci acostumada com a urgência e velocidade do comerciante e trago isso no sangue. O dinamismo dos negócios sempre foi muito mais interessante. É uma pena essa velocidade e lógica do privado não chegar à ordem pública!

Por falar em “trazer no sangue”, continua “cheirando o negócio” com fazia quando era criança? 

Meu pai gosta de dizer que ele, desde pequeno, “cheirava o negócio”, pois meu avô Fuad o envolveu cedo nos negócios da família. E assim ele fez comigo e com meu irmão. Desde pequenos, frequentamos o ambiente da empresa; vimos de perto nossos pais se empenhando no negócio, escutamos, aprendemos e tomamos amor e apego ao negócio da família. Faz toda a diferença! E, até hoje, estou envolvida de corpo, alma e coração. Sempre enxergo mais oportunidades e tenho uma sede por aprender e fazer o melhor para os clientes, colaboradores, família e empresa. Uma vontade enorme de crescer e colaborar!

Qual o “cheiro” do Super Nosso hoje? 

Perfume de muita energia, robustez e vontade de crescer em tamanho e em aprimoramento, profissionalização, inovação e qualidade de pessoas, processos e produtos. Somos apaixonados pelo negócio e temos muito amor pelo que fazemos, que é abastecer os lares e negócios mineiros com qualidade e um carinho especial, de família! É uma realização, poder levar alimento para as pessoas, pois sabemos que o “pão” é sagrado, e em torno da comida as pessoas se reúnem, vivem momentos, experiências, memórias afetivas, que levamos para sempre no coração.

Um Super Celeiro?

O Grupo Super Nosso, como abastecedor em todas as suas áreas de atuação, participa direta e indiretamente desses momentos de milhares de famílias mineiras, diariamente. Uma responsabilidade, mas também um prazer muito grande, de podermos servir. Somos um grupo multiformato e multicanal, atuamos no varejo gourmet, atacarejo, indústria de panificação, carnes e frios, distribuição e importação. É muito trabalho e uma velocidade alucinante de mudanças, não só por característica nossa, mas impulsionados pelo novo cenário mundial de mercado: transformar, mudar, adaptar rapidamente. Uma sensação de que, a cada trimestre, a cada ano, temos uma nova empresa!

De onde vem o nome que virou grife, Super Nosso? 

Quem criou o nome foi meu pai, e veio do coração dele: “Super” de intenso e de “supermercado”. “Nosso”, simbolizando a família: a nossa e todas as atendidas por nós. Ou seja, o supermercado da família mineira, de coração. Acho sensacional, pois meu pai é um homem que sempre prezou muito por tudo isso. Ele é canceriano, árabe e apaixonado pela família. Tem um coração enorme, com uma sensibilidade inata para com as pessoas.

E a Rafaela? Como vê e vive este nome, esta filosofia?

Interpreto o nome como uma vontade, desde o início, de levar para as famílias mineiras a qualidade que ele gosta, exigente, como todo bom mineiro é. E com amor, acima de tudo. Com cuidado, atendimento, ética e, sobretudo, respeito em todas as relações: colaboradores, fornecedores e clientes. Por isso, ser uma marca tão querida e referência, entre as 15 maiores do país: porque a fórmula qualidade de produtos e atendimento, com amor acima de tudo, não tem erro. E com uma forte determinação por melhorar, sempre. Está no DNA da marca Super Nosso a inovação, pelo cliente.

O que você mais gosta em tanto trabalho? 

Amo ver o cliente satisfeito! Amo ver que nosso trabalho participa da vida de tantas pessoas, na rotina delas, no dia a dia, na mesa, na reunião de família, no café da manhã, almoço, lanche, jantar, aniversários, comemorações... Amo poder ver algo que acredito ser “sonho” do nosso cliente, seja como produto ou serviço, e investirmos em levar para o cliente! Sou apaixonada com o aprimoramento, a melhoria. Como boa virginiana, gosto da melhor opção, da excelência. Me empolgo em levar essa qualidade para os lares, as famílias, e também para os chefs e restaurantes.

Concorda que é um trabalho constante, quase sem fim?

Atualmente, estou fortalecendo as estratégias das marcas, para trabalhar o propósito diante dos colaboradores e comunicar melhor para os clientes. E também na curadoria de produtos estratégicos, de importação própria, ou de produção própria, ou de parcerias exclusivas, buscando garantir nas gôndolas produtos com qualidade e que o nosso consumidor quer. Para isso, é preciso pesquisar, entender tendências, analisar dados dos nossos clientes, para trazer o melhor para nosso portfólio.

De novo e sempre a dedicação e o amor pelo que faz. Uma vocação.

Amo fazer esse trabalho. Participo diretamente, degustando, trazendo referências do mundo todo e opinando nas receitas, embalagens, e em todos os aspectos dos produtos estratégicos. Eu, particularmente, me realizo quando encontro um produto legal, levo para minha casa, sirvo para família e amigos. E sei que isso é uma indulgência também para nossos clientes, quando descobrem novidades interessantes em nossas gôndolas. Seja vinho, cerveja especial, queijo, tempero, iguarias, chocolates, pães, doces, um sushi diferente, o que for.  Amo muito esse trabalho!

Qual o diferencial principal do Super Nosso? 

Esse momento de pandemia é uma tristeza enorme para todos nós, uma reviravolta, na vida, nas relações e na economia. Para nós, como negócio essencial, aumenta a responsabilidade de abastecer os lares com todos os cuidados que a situação exige, do atendimento às recomendações legais e da OMS; com proteção aos colaboradores e clientes, entregando sempre os melhores produtos e serviços. No início, muitas famílias estavam com medo. Estava mesmo havendo excesso de demanda para estocar em casa. Meu pai fez até um vídeo para tranquilizar os clientes, mostrando que, apesar das dificuldades, não ia faltar produto!

Como vão os negócios nesta época perfeita para os serviços essenciais? 

Acredito que o pior já passou e cumprimos nosso dever com muita seriedade. Houve empenho redobrado da equipe, verdadeiros heróis que se colocaram em risco pelo atendimento à sociedade. Fizemos o dever de casa também de rever toda a empresa, todas as despesas, planos de investimento, readequamos muita coisa, e não paramos um segundo sequer. Tem trabalho, mas também tem o benefício de estarmos sendo privilegiados com o consumo do momento, mas não é fácil. É preciso ter austeridade.

Planos para 2021?

Hoje, está difícil prever até mesmo o próximo mês, com toda a reviravolta da pandemia. Mas seguindo as análises econômicas e de mercado, estamos otimistas com 2021 e vamos manter nosso ritmo acelerado em crescimento de lojas, geração de empregos e investimentos em inovações. Por nossa relevância como Grupo, sabemos que temos um papel fundamental na retomada dos negócios e vamos ser parte importante no reaquecimento da economia mineira.