Paulo Navarro | sábado, 27 de outubro de 2018

Foto: Divulgação / Quick Comunicação

Acelera, Sérgio!

Além do nome e da adoração pelo Clube Atlético Mineiro, Sérgio Sette Câmara herdou do pai a grande referência pelo trabalho, dedicação e o certo. A importância da Educação em tudo o que faz, também. Gostava de carros desde pequeno. Assistia às corridas de F1 com o pai, quando perguntou a ele como se tornava um piloto de F1. O pai o levou para conhecer um kartódromo, andou de kart e...

Depois do kart, como se solidificou a paixão por corridas?

Comecei a competir aos sete anos, aqui mesmo em BH. Depois, competições em São Paulo, as nacionais, quando me dei conta estava competindo na Europa.

Como é sua rotina de treino? Amizades, namoro...

Diferente de atletas de futebol, basquete, natação, etc., um piloto não pode treinar todos os dias. Numa temporada temos apenas seis dias de treino na pré-temporada. Minha rotina de treinos é em simuladores e em kart; um no Brasil e um na Europa. Faço um programa rígido de treinamento psicofísico. Tenho pouquíssimos amigos lá e, infelizmente, namoro, neste momento, poderia tirar o meu foco.

O Brasil ficou pequeno?

Infelizmente este esporte/profissão não é tão desenvolvido no Brasil. Com 13 anos comecei a competir no kartismo europeu e, aos 15 anos, me mudei definitivamente para os arredores de Barcelona, onde moro até hoje.

Como foi esse salto?

Foi um consenso com meus pais. Em 2014 decidimos pela minha mudança. Moro em Saint Cougat, muito tranquilo, a 30 minutos do aeroporto de Barcelona. Profissionalmente essa mudança foi essencial porque me permitiu focar mais nas corridas e na preparação para elas.

Para tal, contou com o apoio de quem?

Uma pessoa fundamental é o Albert Resclosa. À época, ele era meu tutor e manager. Nas corridas e no dia a dia, como ir comigo ao médico, me levar para comprar roupas, resolver problemas de dinheiro, etc. Albert segue como meu manager. Temos uma relação muito próxima e ele me auxilia muito.

Difícil para o brasileiro. Falta o quê?

O automobilismo só pode ser praticado em pistas específicas, homologadas pela Federação de Automobilismo. Logo de cara, o kart já é caro, tem toda a indumentária, etc. Nos carros, fica mais caro ainda. Patrocínio é uma tarefa muito difícil. O retorno de imagem só começa num nível muito alto. A conta é difícil de fechar. O futebol e outros esportes são mais fáceis de levar adiante.

Aos 20 anos você se sente maduro para a Fórmula 1?

Sim. Tenho 12 anos de carreira. Ano após ano, as coisas vão se tornando mais complexas e me dedico muito a aprender de forma rápida e profissional. Desde o ano passado participo das provas na F2, último degrau de um piloto antes de F1. Neste ano, mesmo tendo tido alguns problemas mecânicos e ter quebrado o punho no meio da temporada, estou em sexto no campeonato e fui ao pódio nove vezes. Enxergo a F1, hoje, muito mais como um próximo passo que deve ser encarado com naturalidade na minha carreira.