Paulo Navarro | sábado, 27 de março de 2021

Entrevista com o artista plástico, Carlos Bracher. Fotos: Edmar Luciano

Carlos van Bracher

Como Carlos Bracher dispensa comentários, dia 30, ele fala sobre Vincent van Gogh, seu grande ídolo e inspiração. O pintor percorreu os caminhos de van Gogh pela Europa pintando a série "Homenagem a van Gogh" – que pode ser vista no tour virtual do Ateliê Casa Bracher. Dia 21 de abril, o filme “Âncoras aos Céus”, com Bracher retratando Brasília. Depois, um bate-papo com o mestre. No mais... 

Carlos, tudo bem ou podendo melhorar?

Tudo, mas podemos evoluir a cada instante. A vida é fato infinito que nos alumbra sempre ao além, mesmo nos momentos difíceis.

Além de vivo, tem outro motivo para comemorar "o ano em que vivemos em perigo"?

2020 foi complexíssimo para o planeta. Projetos foram adiados, como a realização de quadros e exposições.

Bem confinado em Ouro Preto?

Quase todo o ano isolado em meu ateliê.

Muito trabalho ou ano sabático?

Momentos difíceis, reflexões profundas do que somos, dos desejos e sonhos. Sobre a pandemia, escrevi uma "Carta à Humanidade" (https://youtu.be/2sbC1r3_QC8), expressando minhas ideias centrais sobre a vida, a arte e a necessidade de uma nova humanidade, muito mais ampla, fraterna e baseada em outros valores.

No virtual 2020, o projeto Ateliê Casa Bracher?

A fusão da obra de dois artistas, Fani (sua mulher n.d.r.) e eu, mostrando nossos percursos, as fases e as exposições. A necessidade do momento fez com que buscássemos alternativas com a criação de um site, tour virtual e redes sociais (www.ateliecasabracher.com e @ateliecasabracher).

O que Vinicius de Moraes, Ferreira Gullar, Oscar Niemeyer, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Belchior, Chico Buarque, Maria Bethânia, Bibi Ferreira, José Celso Martinez Corrêa e Tony Bennett têm em comum?

Arte é uma hipótese plural da revelação humana e tem esse caráter de eternidade. Será o grande legado dos seres, do que neles houver de augúrio, perplexidades e paixões. Cada pessoa é única. Pintar esses retratos foi e é um tremendo desafio de buscar essa unicidade psíquica de cada modelo.

Você é um grande paisagista, mas prefere os retratos?

Pintores são seres que têm cores no sangue e o ato de pintar é um campo em aberto que se desenrola da percepção estética. Tudo importa e se torna pretexto à arte: paisagens, retratos ou composições puramente abstratas.

Todo retrato é um pouco o de Dorian Gray?

Todo retrato é uma espécie de "autorretrato". Onde nos vemos diante do tempo, dos sentidos e significados da memória. Viver é um arcabouço de finitudes e infinitudes. Tudo depende de como encaramos o crepúsculo, o alvorecer.

Quais as cores de 2021? As de van Gogh ou de Matisse?

Fundamentalmente, sou um expressionista, cuja vertente passa por van Gogh. A existência é vasto campo de sonhar e tenho com van Gogh relação anímica, sendo o expressionismo a forma de revelar estados caóticos e onde a poesia e a emoção definem, em si, o próprio cântico artístico.