Paulo Navarro | sábado, 27 de fevereiro de 2021

Ana Paula Massote Rohlfs. Foto: Arquivo Pessoal

No Compasso do Tempo

O belo e a beleza perseguem a arquiteta Ana Paula Massote Rohlfs. Nasceu em Campo Belo, brilha em Belo Horizonte; no Brasil e exterior. Mesmo no feio 2020. O isolamento fez a mulher Ana Paula enxergar o quanto o quanto ela estava acelerada. “Meu olhar está mais apurado, enxergando mais o coletivo e menos o ‘eu’. Meu maior combustível é a família, nunca estivemos tão próximos e alinhados”. 

Como vai a arquiteta Ana Paula Rohlfs?

Diante de tantas incertezas, vou bem demais. Faça sol ou chuva, sofrimento ou alegria; minha fé e os cuidados de Deus sempre me abrem as melhores portas. Assim, a arquiteta também vai muito bem, trabalhando muito.

O teletrabalho é novidade ou um velho amigo? Visitar obras é coisa do passado?

Tirei de letra e minha equipe também. Tenho clientes e projetos em muitos estados e fora do Brasil, por isso implantei o trabalho remoto há bastante tempo. Otimiza o tempo. Evita retrabalho, visitas, reuniões desnecessárias e viagens infrutíferas. O ideal é o meio tempo. Precisamos do presencial, mas “apenas” para compartilhar ideias e emoções; seja no escritório, com clientes e parceiros.

A experiência na Europa, ainda que pequena, te abriu para o mundo da computação gráfica?

Foi no confisco do governo Collor. Voltei querendo sair da “caixa”. A computação gráfica era a bola da vez no exterior. Fui pioneira em BH, apresentando projetos em CAD e perspectivas em 3D. Foi o pulo do gato.

Nanquim e prancheta são peças de museu para os arquitetos ou a tecnologia também aperfeiçoou a arte do desenho?

Desenho à mão livre e uma visão espacial são dons, privilégios de poucos. Dom de Deus mesmo! Hoje é um “plus”, em qualquer área da criação.

A Casacor significa o quê, para você?

Fiz 12 edições, inclusive em SP, a Casa Cor Hotel. Sou dos que tiveram as carreiras alavancadas, ao dar conteúdo diferenciado aos espaços, além da função a que se propunham. O mundo mudou e a Casacor acompanhou. Agregou mais conteúdo, abraçou novas áreas e com isso novas possibilidades. E já está na “vibe” virtual.

Qual a maior perda e a maior oportunidade deste 2020 que mudou tudo?

Temos necessidade do convívio social, que é a maior perda. A maior oportunidade? O resgate da vida conjugal e os filhos que ficaram mais próximos. Desacelerada, tive mais tempo para buscar a Deus, orar mais para ajuntar meu espírito. Consequência disto? uma paz interior que excede o entendimento humano.

Qual é o teu forte e a tua predileção na arquitetura? Casas?

Gosto de desafios nos projetos corporativos, mas amo projetar residências. Requer psicologia, estudo do modus vivendi; pede uma linguagem única à arquitetura e ao design interior.

Para terminar, que arquiteto ilustraria uma nota de R$100, 200 ou 300 no Brasil?

Oscar Niemeyer. Na Europa, uma mulher fantástica, Zaha Hadid. Nos Estados Unidos, Frank Lloyd Wright.