Paulo Navarro | sábado, 26 de junho de 2021

Entrevista com o presidente da FAEMG Roberto Simões. Foto: Maria Teresa Leal

Dono do Assunto

Com a mágica palavra, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais – FAEMG, Roberto Simões. “Sou filho, neto de fazendeiros. Uma das coisas que mais me descansa é a fazenda, Curvelo. Especialmente pelo silêncio. Uma das coisas que mais me estressa é o barulho. Hoje, até a música moderna é barulho”. Mais conhecimento, sabedoria a seguir. Deliciosa entrevista.

Roberto, com o agronegócio, principalmente na pandemia, o Brasil será “O Dono do Mundo”?

Dono, talvez não, mas, seremos sempre um grande competidor, temos condições especiais para tanto. Temos recursos naturais e desenvolvemos uma tecnologia tropical única, o que nos possibilitou alcançar elevada produtividade e alta competitividade.

O que acha da China? Heroína ou bandida? Parceira ou concorrente? Quer dominar ou comprar o Brasil?

Está em trajetória extraordinária de capacidade de investimento e de crescimento. É parceira importante e será sempre grande consumidora mundial de alimentos – ainda mais agora que estimula o terceiro filho por casal. O apetite chinês se multiplicará. E o Brasil estará pronto para oferecer os alimentos. A China representa mais uma oportunidade do que uma ameaça para o nosso agro.

O Brasil é uma potência na área. Mas como sair desta economia de commodities para uma industrial e competitiva?

Uma agricultura do porte da brasileira não será nunca totalmente industrializada. Não há como transformarmos toda a produção em produtos de valor agregado. E não é vergonha sermos exportadores de commodities! Porque mesmo nossas commodities têm alto valor agregado, com tecnologia de ponta, pesquisa, inovação, genética. Um grão de soja, hoje, tem tanta tecnologia quanto um avião da Embraer.

O Brasil ainda é o País do Futuro que nunca chega?

É um dos dramas do Brasil. Nosso saudoso Roberto Campos já dizia: “o Brasil não perde uma oportunidade de perder oportunidades”. Fica sempre em segundo plano o planejamento estratégico, plurianual, com metas e objetivos de interesse de toda a população. É preciso que o país deixe de ser uma promessa e vire uma realidade!

Agora, um tema mais ameno. Entre teus hobbies ainda estão as palavras cruzadas, uns drinques e o futebol?

Sem dúvida, são três formas de tornar a vida mais agradável. Uma boa conversa de boteco é indispensável, desde que nada sério seja discutido ali. Apenas para que se ria muito. A palavra cruzada tem sido grande distração na pandemia. E leio muito também. Aprecio o bom futebol, que ensinamos ao mundo e esquecemos por aqui. 

Você disse que filmes, só no cinema e que em toda a vida só assistiu a um DVD. Qual era? Lembra?

Não me lembro. Sou um apaixonado pelo cinema, pelo ritual de me aprontar para ir, comprar o ingresso, o balde de pipoca e a projeção, com alta qualidade de som e imagem. É um “happening”. Mesmo com a pandemia e a facilidade do “streaming”, a TV não me pegou.