Paulo Navarro | sábado, 26 de dezembro de 2020

Foto: Edy Fernandes

Manoel O Audaz

O diretor executivo da joalheria Manoel Bernardes é Manoel Bernardes! Na entrevista, a primeira pergunta foi “como vai você”. E ele: “Como todos nós, em suspenso. 2020 não existiu, não vivemos esse ano. Estamos em compasso de espera, digerindo esse momento estranho, aprendendo a conviver com o imponderável e buscando encontrar um fio-terra que nos conecte ao futuro. Mas sou um otimista”.

Manoel, o Bernardes também é português?

100%, Espinho, norte de Portugal. Meu avô, do qual herdei o nome, emigrou na virada do século 20, primeiro no Rio de Janeiro, depois se encantou pelo sul de Minas e acabou se fixando em Santa Rita do Sapucaí.

Continua cônsul honorário da França?

Uma grande honra representar esse país que tantas contribuições trouxe à cultura ocidental. Mas é meu dever também levar para a França nossa cultura e aumentar as interações.

Quando e como começou a Tradição Bernardes?

O fundador percebeu um ramo ainda inexplorado: o comércio das gemas brasileiras com o hemisfério norte. Nós, agregamos os metais nobres e passamos a desenvolver coleções com design brasileiro valorizando as gemas.

O nome Manoel Bernardes brilha. Mesmo assim, existe crise no Mercado de Luxo ou isso é ficção científica?

Sim. Se a marca não se alicerçou em valores e inovação, com uma comunicação inclusiva; se não percebeu a força do consumidor jovem, sofrerá perda de clientes.

Pela “Janela Indiscreta”, quais os números da Manoel Bernardes em 2020?

Temos uma forte ancoragem nos valores, o impacto foi menor. E também importantes parceiros internacionais que contribuíram para amenizar os efeitos negativos.

Vocês estavam preparados para o já obrigatório mercado “online”?

Nosso maior desafio. Já tínhamos uma comunicação digital mas o e-commerce para joias ainda é muito recente, particularmente no Brasil. Dificuldades logísticas, do alto valor médio, da falta de cultura digital dos consumidores.

Qual a grande perda, a grande lição e a grande oportunidade neste ano “ímpar”?

A perda é perceber que somos frágeis e como diz Niemeyer "a vida é um sopro". A lição é que o engenho humano é capaz de superar grandes obstáculos. A oportunidade é que o mundo digital veio para ficar.

O Caetano Veloso canta que “a gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo”; mas você sabe onde ele mora, correto?

Onde as joias são valorizadas como produtos singulares, com sentimentos, emoções, beleza, elementos intangíveis que as tornem únicas para quem as possuir.

Minas e o Brasil ainda são o “caminho das pedras”?

Sem dúvida. O Brasil, e Minas em particular, detém uma das maiores variedades de gemas no planeta e uma criatividade ousada e singular, reflexo de nossa cultura polimorfa.

Sem bola de cristal, o que espera de 2021?

Uma reavaliação de nós mesmos; das relações de trabalho e de carreira. Por último, inserirmos positivamente nesse novo mundo digital.