Paulo Navarro | sábado, 25 de janeiro de 2020

Foto: Edy Fernandes


Acorda Brasil

Educador, empreendedor e criador. Fernando Celso Dolabela Chagas trabalha com educação empreendedora há quase 30 anos. Criou a primeira disciplina de empreendedorismo no Departamento de Ciência da Computação, UFMG, onde já existia uma atmosfera propícia. Durante muito tempo deu seminários para cerca de cinco mil professores universitários, preparando-os para aulas de como bem empreender.


Fernando, educação é fundamental. Mas a educação básica é a mais importante para preparar o estudante para o empreendedorismo?

Empreendedorismo é um fenômeno cultural que se propaga por meio do contágio social. Com o tempo, percebi que a educação empreendedora na universidade não produz resultados efetivos, uma vez que o estudante universitário é um ancião cultural; já introjetou os valores da sociedade, que, no Brasil, não incluem o empreendedorismo. A partir daí, comecei a trabalhar com educação empreendedora para crianças e adolescentes. Já implementei a minha metodologia Pedagogia Empreendedora em cerca de duas mil escolas, em mais de 140 cidades do Brasil. A ONU usa a minha metodologia em vários países da África e América Latina.


As “polêmicas” universidades também não colaboram, concorda?

A universidade brasileira é indiferente ao tema, indiferença essa que na prática significa rejeição ao que você transmite através dos 15 livros que publicou. Há, principalmente, muita confusão entre cursos de Administração de Empresas e de Empreendedorismo. Aquele trata da empresa, este aborda o ser humano. Nas minhas metodologias, não peço aos alunos que abram empresas, o que seria equivocado, mas que sejam empreendedores, que estejam em todas as atividades humanas. Artistas, por exemplo, são grandes empreendedores.


O artista é muito, mas o brasileiro, em geral, é naturalmente empreendedor. O que o atrapalha? A burocracia?

Empreendedorismo é um campo em que ser indiferente significa ser um adversário. Não dá para ser, ao mesmo tempo, socialista no sentido econômico e empreendedor. Três décadas de governos de esquerda imobilizaram a nossa capacidade de inovar e empreender. Lula enviou um tuíte condenando o empreendedorismo. Um estrago que coloca o Brasil em posição vexatória. O empreendedor depende de um ecossistema apropriado, em cuja criação o Estado deve investir. O Estado não pode ser ator central, porque é um desastre, não importa o país. Somente a sociedade civil tem dinheiro e competência para empreender.


Qual “O Segredo de Luísa”?

Qualquer país, sob qualquer regime econômico, depende das empresas. O segredo é desde a mais tenra idade estimular o potencial empreendedor presente em todos nós. Agora, para saber qual é “O segredo de Luísa”, tem que ler o livro.


Sendo otimista, como e quando o Brasil vai virar “gente grande”?

Vai virar gente grande quando entender que a única forma de se gerar riqueza e combater a pobreza é por meio do empreendedorismo.