Paulo Navarro | sábado, 23 de outubro de 2021

O diretor-presidente do Sebrae Carlos Melles. Foto: Charles Damasceno/ASN

A alma dos negócios

Hoje, com a palavra, a experiência e o trabalho de Carlos Melles, diretor-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae que, em 2022, completa meio século de fundamental existência. Se depender do otimista Carlos Melles, a Economia está vacinada e pronta para a retomada. Principalmente porque a vacina vem do motor do Brasil, as pequenas e médias empresas.

Para o leigo, rapidamente, o que é o Sebrae?

A instituição está em todo o território nacional ofertando aos micro, pequenos empreendedores e potenciais empresários, toda a orientação e suporte necessários para o sucesso na atividade empresarial.

Como vão as micro e pequenas empresas no Brasil?

Os pequenos negócios sofreram bastante com a pandemia. A boa notícia é que o avanço da vacinação está contribuindo para uma gradual e consistente melhora dos indicadores, em praticamente todos os setores de atividade.

Elas são mesmo o motor invisível do país na pandemia?

Sim, os pequenos negócios são cruciais para a economia. Basta dizer que as MPE representam mais de 99% de todas as empresas do país e – mesmo com toda a crise causada pela pandemia – continuaram sendo as maiores responsáveis pela manutenção do emprego.

 Na mesma pandemia, este “motor” foi avariado?

O impacto foi muito grande. Todavia, temos muita confiança na capacidade de resiliência das micro e pequenas empresas.

O que o Sebrae fez e faz em favor desse segmento?

Atua em duas frentes: por um lado, oferecemos cursos e consultorias para contribuir com a melhoria da gestão dos pequenos negócios; de outro, atuamos junto ao Congresso e aos governos pela melhoria do ambiente de negócios, com o aprimoramento das políticas públicas.

Os outros nomes deste tema são geração de emprego e renda das pequenas empresas. Quais os números?

De acordo com levantamento feito pelo Sebrae, os pequenos negócios, nos últimos 12 meses, apresentaram saldo positivo de dois milhões de vagas, o que significa 71,8% dos empregos formais criados no país.

Estas empresas estavam prontas para os desafios da inovação e da digitalização?

A pandemia impôs aos pequenos negócios a necessidade de inovarem e digitalizarem seus modelos de negócios. Podemos dizer que tivemos uma evolução significativa nesse período. Hoje, sete em cada 10 pequenos negócios fazem negócios usando a internet e as redes sociais.

A elas falta acesso a crédito?

O acesso ao crédito melhorou substancialmente, principalmente após a criação do Pronampe. Mas há, ainda, grande número de pequenos negócios que não conseguem obter empréstimos e que carecem de melhores políticas públicas.

Otimista para 2022?

O empreendedor é, por natureza, um otimista. E o Sebrae não é diferente. Confiamos na campanha de vacinação que trará de volta a tranquilidade necessária para retomarmos o crescimento.