Paulo Navarro | sábado, 22 de maio de 2021

Entrevista com o arquiteto David Guerra. Foto: Jomar Bragança

Guerra que constrói

David Guerra é arquiteto pela UFMG, graduado em 1991. Trabalhou com a mestre e referência, Freusa Zechmeister. Foi sócio de Fernando Graça em projetos de interiores. Fundou seu escritório em 2002 e, desde então, desenvolve trabalhos nas áreas de arquitetura residencial, comercial, institucional, interiores e design de mobiliário. Tudo com muito talento, criatividade, verde e tecnologia.

David, como foi/está em 2020/2021?

As pessoas se voltaram para dentro. A demanda por arquitetura residencial e de interiores cresceu bastante. As pessoas buscam cuidar de suas casas. Hoje a residência não é só dormitório, mas espaço de lazer. Com a pandemia, também é o espaço de trabalho. Isso resultou em grande número de reformas e na elaboração de muitas residências do zero, em locais mais voltados ao recolhimento e ao natural.

Quais os fortes de David Guerra?

Nosso escritório não possui nicho específico. Transita entre arquitetura e interiores, passando por todos os segmentos, de residências a comércios, de hotéis a design de mobiliário. Em minha experiência profissional, sempre assumi todos os encargos, com pesquisa prévia para cumprir os requisitos de cada um dos programas.

E por qual área você tem um fraco, uma queda, paixão, preferência, em especial?

Pelo próximo projeto, uma experiência criativa diferenciada da anterior. Tenho um grande incentivo quando meu cliente está disposto ao novo, a inovar no detalhe, a utilizar tecnologia para ampliar o conforto, a valorizar a natureza como elemento indissociável. Minha paixão não é, nem pode ser, associada a um tipo de projeto. A arquitetura é uma profissão de pessoas interessadas. Encontrar esta pessoa é encontrar potencial para o belo e o bom. Isto sim me apaixona.

Qual sua definição ou filosofia de arquitetura?

Uma plural experiência criativa pelo uso do edifício cujo objetivo é fazer pessoas melhores. Infelizmente, a teoria arquitetônica se desenvolveu bastante dissociada desta prática. Os significados propostos teoricamente tornaram-se quase inacessíveis às pessoas que efetivamente participam e usufruem do processo criativo. Prefiro manter os conceitos mais simples e comunicar meu ideal, visualmente, pelos objetos projetados e construídos.

Mestres pessoais?

Mies van der Rohe, Antoni Gaudí, Luis Barragán, Christian Liaigre, Andrée Putman.

O clichê menos é mais também é uma meta?

No sentido de escolhas acertadas e precisas de projetos que conseguem ampliar o significado da arquitetura, acredito na frase “menos é mais”. De resto, proselitismo.

Onde mora a tecnologia, em meio a tanta criatividade?

A boa tecnologia suporta o atemporal. Assessora o processo criativo. Nunca pode ser protagonista, mas coadjuvante, serva de uma boa solução de iluminação e ventilação natural; de uma boa circulação e integração entre espaços. Estes conceitos não ficam jamais ultrapassados, pois se referem ao ser humano.