Paulo Navarro | sábado, 22 de junho de 2019

Foto: Edy Fernandes

Homem de visões

Em evento da Bel Lar – decoração, arquitetura e design de interiores – falamos com Luiz Arruda, que começou na Comunicação, passou pela Publicidade e hoje brilha na WGSN, vitrine dos diferentes movimentos, novas tecnologias e acontecimentos globais que influenciam a maneira de pensar das pessoas, com reflexos na dinâmica das casas e na forma com que as pessoas se relacionam com sua moradia.

Luiz, você começou e “passou batido” pela Comunicação?

Passei pelo Design também e hoje estou na WGSN, empresa líder mundial em previsões de tendências.

Aqui na Bel Lar, qual a pauta?

O tema é sobre o futuro do morar.

Qual é o futuro do morar?

A desconstrução do antigo significado de casa. A casa como uma ideia fixa, rígida e exclusiva de uma forma ou de outra para uma casa mais híbrida, mais fluida, onde as coisas têm mais possibilidade. Os cômodos têm papéis distintos, os móveis têm papéis distintos, a casa se desmaterializa.

A tal desmaterialização do espaço?

Sim. A tecnologia entrou e precisamos de muito menos recursos para realizar uma diversidade imensa de tarefas. Os espaços podem ficar menores e também mais tecnológicos.

Home office e variáveis?

Cada vez mais, as atividades estão dentro de casa. A casa e o mobiliário têm que se moldar para essa história.

O mobiliário também?

Mobiliário para atender diversas funções. Mais possibilidades de reinvenção dos móveis para que possam ser mais híbridos, assim como os cômodos. E tecnologia embutida, o que é fundamental.

Quem está na outra ponta também tem que se adequar?

Gostamos de trazer provocações. Os consumidores estão mudando e todas as indústrias precisam, de fato, se adequar. Pesquisa de tendência serve pra isso. O meu papel é o de mostrar o que está acontecendo para que a gente consiga se transformar.

E isto está acontecendo em todo o mundo?

Sim. A maravilha do mundo globalizado é que esses comportamentos se diluem mais. A gente vê de todos os lados. Pesquisa de tendências é trabalhar com dicas que o presente dá sobre o futuro.

Nossos profissionais, tanto da área comercial quanto na criação, estão em sintonia?

Sempre tem espaço para melhorar. Ainda tem trajetória e o bacana dessa história é que isso se converta em oportunidade para todo mundo crescer. Tem espaço ainda.

Niemeyer tinha uma visão futurista?

Eu acho que todo espaço pode se adequar. Claro, estamos falando de uma obra atemporal, mas o bacana e o divertido é entender como é possível transformar qualquer espaço.

Que leitura você faz de BH a partir das referências que encontramos na Praça da Liberdade?

Muito interessante o quão BH está crescendo e para aonde ela está crescendo. A gente vê, claramente, um movimento das grandes metrópoles. A cidade está se reinventando, espaços centrais estão sendo revitalizados e isso, pra gente, é muito interessante. Ver o espaço público ser valorizado.